Tamanho do texto

Ainda pelo Intercontinental, time comandado por Pelé venceu Benfica e Milan. É a primeira final chancelada pela Fifa

Santistas desembarcam no aeroporto de Congonhas depois de golear o Benfica em Lisboa
AE
Santistas desembarcam no aeroporto de Congonhas depois de golear o Benfica em Lisboa
O Santos chega à sua terceira final de Mundial, a primeira com chancela da Fifa, mas tem duas
participações no duelo Europa (vencedor da Copa dos Campeões) x América do Sul (ganhador da Libertadores) que durou de 1960 até 2004 e era chamado de Intercontinental. Venceu ambas: em 1962 o Benfica, de Portugal, e em 1963 o Milan, da Itália. Foi a consagração do chamado “Santos de Pelé”, considerado até hoje o melhor time de futebol do Brasil e um dos melhores do mundo em todos os tempos.

Leia mais : Neymar desafia Messi até em riqueza

Com 22 anos na primeira conquista, fora de casa (o Intercontinental naquele período era realizado com um jogo na Europa e outro na América), Pelé foi decisivo com atuações exuberantes na vitória no Rio de Janeiro, 3 a 2, e na goleada em Lisboa, 5 a 2. Santos mandando jogo no Rio? Na época, a equipe levava muitos torcedores ao Maracanã, e os cariocas torciam fervorosamente pela equipe brasileira.

Saiba mais : Neymar se irrita com fãs no Japão

Caso o Santos bata o Barcelona na final de domingo, 8h30 (de Brasília), Neymar será campeão mundial de clubes mais novo do que foi Pelé – o garoto tem 19 anos.

Favorito?
O Benfica tinha a melhor geração da história do futebol português, comandados por Eusébio, mas o Santos de Pelé já era conhecido mundialmente com as várias excursões que eram feita naquela época para ganhar dinheiro. O Brasil era bicampeão mundial de seleções, com Pelé em ambas as campanhas, mas mesmo assim os europeus se achavam favoritos.

Galeria de fotos : Veja imagens de Neymar

No Rio de Janeiro, em 19 de setembro de 1962, Pelé marcou dois e Coutinho outro, na vitória por 3 a 2. Santana fez os dois gols portugueses, o segundo faltando três minutos para o final da partida. O público foi de 90 mil pessoas, a maioria moradores do Rio e que torceram pelo Santos.

Quando desembarcaram em Lisboa pouco antes de 11 de outubro para a segunda partida, podendo empatar para ser campeã, a delegação santista soube que os portugueses já vendiam ingressos para o terceiro jogo. Sim, na época se os dois times vencesses cada um uma partida, havia o duelo desempate.

O fato foi usado por Lula, técnico daquela equipe que era um motivador, para atiçar as feras. Deu certo. Com atuação fantástica de Pelé, que marcou três vezes, o Santos não só venceu de novo, como massacrou: 5 a 2 (Coutinho e Pepe também anotaram). O jogo estava 5 a 0, e os santistas temeram por sua segurança, por isso no final da partida o Benfica fez seus dois gols, com Santana e Eusébio. O título era santista e a fúria portuguesa estava um pouquinho menor.

Vídeo: o segundo título santista, contra o Milan:

null

O patinho feio

Almir Pernambuquinho sofreu pênalti em jogo decisivo contra o Milan
Reprodução
Almir Pernambuquinho sofreu pênalti em jogo decisivo contra o Milan
O bicampeonato precisou de um terceiro jogo. O adversário foi o italiano Milan, que pela primeira vez disputava o Interclubes. Respeitando o Santos um pouquinho mais, e com dois brasileiros no elenco (o naturalizado Mazzolla e Amarildo, que foi o substituto de Pelé, que se machucou, na Copa do Mundo de 1962), os italianos fizeram 4 a 2 em Milão, no dia 16 de outubro de 1963. Pelé e Amarildo marcaram duas vezes, mas Trapattoni e Mora garantiram a vitória italiana.

Na volta, o Santos devolveu o placar, com um 4 a 2 no dia 14 de novembro. O principal detalhe: sem Pelé. Machucado, o melhor do mundo foi substituído por Almir Pernambuquinho, que fez um dos gols (Pepe, duas vezes, e Lima completaram). A não presença do seu craque fez os santistas adotarem uma tática de pressionar os italianos, que só souberam da ausência do “Rei” quando entraram em campo e se assustaram.

Só que dois dias depois, no jogo desempate, o Milan sabia que Pelé não jogaria e tinha aprendido a anular Almir. O jogo foi truncado, até que houve um pênalti em Almir. Quem cobraria, já que Pelé estava fora? Coube ao lateral Dalmo, o patinho feio daquele time. Ele anotou, o Santos foi bi-mundial, mas até hoje ele é ressentido por achar não ter o destaque que merece.

    Leia tudo sobre: Lionel Messi
    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.