Presidente do Corinthians é denunciado criminalmente pelo MP

Promotoria de São Paulo acusa Osmar Stabile de apropriação indébita e pede afastamento do dirigente da presidência do clube paulista

Osmar Stabile, presidente do Corinthians, é denunciado criminalmente pelo Ministério Público
Foto: Foto: Marcos Ribolli
Osmar Stabile, presidente do Corinthians, é denunciado criminalmente pelo Ministério Público

O presidente do Corinthians, Osmar Stabile, foi denunciado criminalmente pelo Ministério Público de São Paulo pelo crime de apropriação indébita . A acusação está relacionada ao uso de recursos do clube para pagamentos à Bear Security, empresa que, segundo a Promotoria, teria prestado serviços de segurança pessoal ao dirigente e seus familiares . A informação foi divulgada inicialmente pelo Meu Timão, que teve acesso à denúncia apresentada à Justiça.

Segundo o Ministério Público, o Corinthians realizou 16 pagamentos à Bear Security, que totalizaram R$ 721.194,66, entre julho de 2025 e agosto de 2026. Para a Promotoria, os valores teriam sido utilizados para bancar serviços que não estavam ligados exclusivamente às atividades institucionais do clube, mas também atendiam interesses particulares de Stabile e pessoas próximas a ele.

Procurado pelo iG, o Corinthians preferiu não falar sobre o caso. Por meio de uma nota oficial divulgada por sua defesa, Stabile se manifestou, afirmando que recebeu com estranheza o pedido de afastamento do cargo.

Veja abaixo a noita completa:

"Osmar Stabile, por meio de sua defesa, recebe com estranheza a denúncia apresentada pelo Promotor de Justiça Cássio Conserino, que tenta transformar em acusação criminal a contratação de uma equipe de segurança para o exercício da Presidência do Sport Club Corinthians Paulista.

A segurança não foi contratada para Osmar como pessoa, mas em razão do cargo. As ameaças, de conhecimento público, decorreram de sua atuação como presidente, atingiram sua família e motivaram manifestações de repúdio, inclusive da Federação Paulista de Futebol (FPF) e Confederação Brasileira de Futebol (CBF). O Ministério Público conhecia esses fatos, assim como sabia que a adoção de segurança para dirigentes ocorre em outros grandes clubes e já foi utilizada em gestões anteriores do Corinthians

Nesse contexto, causa também estranheza o pedido de afastamento formulado pelo Ministério Público, que será devidamente contestado nos autos.

Osmar Stabile permanece normalmente no exercício da presidência pois o pedido depende de decisão judicial.

A defesa, por sua vez, confia no Poder Judiciário e está segura de que ficará demonstrado que não houve qualquer apropriação de valores do clube."

Osmar Stabile
Foto: Reprodução/YouTube - Corinthians TV
Osmar Stabile


Entenda a acusação

A investigação busca esclarecer a finalidade dos pagamentos feitos pelo Corinthians à empresa de segurança. De acordo com o Ministério Público, a Bear Security teria sido utilizada para proteger Stabile e seus familiares, enquanto as despesas eram custeadas pelo clube. A Promotoria entende que a utilização dos recursos teria causado prejuízo aos cofres corintianos.

Outro ponto levantado na investigação é a situação da própria empresa. Segundo os documentos citados pelo Ministério Público, a Bear Security não possuía autorização da Polícia Federal para atuar como empresa de segurança privada. O caso poderá gerar uma apuração específica sobre a regularidade dos serviços prestados.

A contratação da empresa já vinha sendo questionada antes da denúncia. O Ministério Público havia solicitado informações ao Corinthians para entender como o acordo foi realizado e quais serviços foram efetivamente prestados. Em manifestações anteriores, o clube sustentou que a contratação passou pelos procedimentos internos e pelo sistema de compliance da instituição.

Foto: Rodrigo Coca/SCCP
Osmar Stabile


MP pede afastamento de Stabile

Além da denúncia criminal, o Ministério Público pediu à Justiça o afastamento de Osmar Stabile da presidência do Corinthians. A Promotoria também solicitou o bloqueio de bens do dirigente no valor de R$ 721.194,66, quantia correspondente aos pagamentos considerados irregulares na investigação.

Entre outras medidas, o MP pediu restrições de contato com pessoas relacionadas ao caso e limitações para viagens. Os pedidos ainda serão analisados pela Justiça e, portanto, Stabile não está automaticamente afastado do cargo. Da mesma forma, a denúncia não representa uma condenação, já que o processo ainda depende da análise judicial.

O caso aumenta a pressão sobre a atual gestão do Corinthians, que já enfrenta questionamentos políticos e internos. Agora, o futuro de Stabile no comando do clube deverá ser definido a partir dos próximos passos da Justiça e dos desdobramentos da investigação.