
Quem acompanha uma partida de futebol pode encontrar nas arquibancadas bandeiras, camisas, faixas e instrumentos ligados a diferentes torcidas organizadas . Nos últimos anos, porém, um grupo com uma proposta diferente passou a marcar presença em eventos esportivos : a Torcida Guerreiros de Cristo (TGC), associação criada em Curitiba que não é ligada a um clube específico e utiliza a estrutura tradicional das torcidas para realizar ações de evangelização .
A ideia começou em 2014, quando torcedores dos três principais clubes de Curitiba - Athletico Paranaense, Coritiba e Paraná Clube - voltaram a se aproximar e passaram a conviver em um mesmo grupo. Segundo Jean Carlo Piuco, líder da TGC, depois de um período de encontros e orações surgiu a ideia de criar uma torcida voltada ao evangelismo. “ A gente teve esse entendimento que poderia estar fazendo, iniciando algo novo, algo diferente, algo talvez até pioneiro aqui no Brasil em relação ao evangelismo ”, contou ao iG .

Torcida sem clube
Nos primeiros anos, a TGC começou a reunir pessoas que já tinham experiência com arquibancadas e passou a utilizar instrumentos, bandeiras e cânticos nas ações. A proposta, segundo Piuco, era levar o evangelismo para um ambiente que já fazia parte da vida dos integrantes. “ A gente iniciou ali com os primeiros instrumentos, com as primeiras bandeiras, e começamos a sair às ruas para proclamar o evangelho de Jesus Cristo através de cânticos, de uma bateria ”, explicou.
Com o passar dos anos, a estrutura também mudou. A associação foi formalizada e deixou de estar ligada a uma única igreja, passando a se apresentar como uma instituição interdenominacional. De acordo com o líder, a mudança permitiu que pessoas de diferentes congregações participassem do projeto. “ Hoje sim somos uma associação com o CNPJ de alguns anos, uma instituição interdenominacional, para eclesiástica. Então a gente não congrega mais em uma única igreja como era no início ”, afirmou.
A associação está registrada em Curitiba como Associação Cultural Torcida Guerreiros de Cristo, com Jean Carlo Piuco como presidente. O grupo também mantém atividades relacionadas à música e à percussão. Em 2026, a Prefeitura de Curitiba publicou uma justificativa para a celebração de um termo de fomento de R$ 40 mil destinado ao projeto Bateria Guerreiros de Cristo, que prevê o ensino e a prática de instrumentos de percussão para crianças e adolescentes.
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Evangelização dentro das arquibancadas
A atuação nos estádios é uma das principais características da TGC. O grupo utiliza a linguagem visual e sonora das torcidas organizadas, mas afirma que seu objetivo não é defender um clube ou participar da rivalidade entre equipes. Em entrevista, Piuco explicou que a intenção é conversar diretamente com torcedores e levar a mensagem cristã para esse ambiente.
“ Nosso objetivo nunca foi atrapalhar a ideologia de torcida organizada, nunca foi de apontar para erros dos seres humanos, que são os torcedores, iguais a qualquer outro. Nós nos colocamos na mesma condição deles ”, afirmou. Segundo o líder, a torcida procura se aproximar de pessoas que fazem parte desse universo e que, na visão do grupo, muitas vezes são associadas principalmente aos episódios de violência envolvendo torcidas organizadas.
A presença da TGC também ultrapassa os jogos de futebol. O grupo participa de eventos religiosos e culturais em Curitiba, levando a bateria e a identidade visual da torcida para diferentes espaços. Em 2025, por exemplo, a associação participou de um projeto financiado pelo município voltado ao desenvolvimento espiritual, social e cultural por meio da música cristã e da prática de percussão.
“Ainda não chegamos ao nosso objetivo”
Para Piuco, a torcida conseguiu cumprir parte do que havia sido planejado em 2014, mas ainda está distante da meta estabelecida pelos integrantes. Ele afirma que a intenção é ampliar a presença da TGC para outros estados brasileiros e levar o trabalho para diferentes torcidas.
A TGC, portanto, mantém uma proposta diferente dentro do cenário das torcidas brasileiras. Sem representar um clube, o grupo utiliza elementos tradicionalmente associados às arquibancadas para desenvolver uma atuação religiosa e social. Criada a partir da aproximação entre torcedores de diferentes equipes de Curitiba, a associação busca agora ampliar esse trabalho para outras regiões do país.