
Depois da operação de busca e apreensão na casa dos envolvidos no suposto esquema de venda clandestina de ingressos de camarote durante shows no estádio do Morumbis, o promotor de Justiça José Reinaldo Guimarães Carneiro afirmou que há provas suficientes que comprovam a arrecadação ilegal dentro do São Paulo.
Segundo Carneiro, que compõe a força-tarefa que investiga possíveis crimes financeiros dentro do clube, o prejuízo para a instituição foi maior e durou mais tempo do que os investigadores suspeitavam. Para ele, o Morumbis foi transformado em uma "gigantesca máquina de caça-níqueis". A declaração foi revelada pela CNN após as buscas.
"Nós já conseguimos fazer uma primeira avaliação e tomamos pé de coisas que obviamente confirmam, que nós já sabíamos, que o esquema de arrecadação em prejuízo do São Paulo Futebol Clube abrange um período de tempo muito maior e muito mais pessoas do que inicialmente a gente supunha estarem envolvidas nesse esquema. Em resumo, o Morumbis, o estádio do Morumbis foi transformado em uma gigantesca máquina de caça níveis", afirmou.
Camarote clandestino
A investigação ganhou mais um capítulo, na manhã desta quarta-feira (21), depois que a Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão na casa dos investigados. A informação foi divulgada inicialmente pelo Ge e confirmada pelo Portal iG.
Os alvos da operação foram Douglas Schwartzmann, ex-diretor adjunto das categorias de base; Mara Casares, esposa de Julio Casares, presidente afastado do cargo, que responde ao processo de impeachment no São Paulo; e a empresária Rita de Cassia Adriana Prado, que teria sido a intermediária da negociação ilegal e pivô do escândalo.
O caso foi revelado em dezembro do ano passado pelo Ge. A reportagem teve acesso a uma gravação que mostra uma conversa entre os três citados na investigação sobre um impasse ocorrido após um show da cantora Shakira no estádio.

O São Paulo se diz vítima da situação e disse que vai colaborar com as investigações. A reportagem do Portal iG não conseguiu contato com os advogados de Rita de Cássia Adriana Prado.
Defesa de Mara Casares
A Sra. Mara Suely Soares de Melo Casares, por meio de seus advogados
Rafael Maluf, Paula Stoco e Chiara de Siqueira, vem a público informar que foi surpreendida na data de hoje com o cumprimento de medida cautelar de busca e apreensão em sua residência.
Cumpre destacar que a Sra. Mara Suely Soares de Melo Casares sempre se
colocou à inteira disposição da Autoridade Policial para prestar os devidos
esclarecimentos acerca dos fatos perquiridos nos autos do aludido Inquérito Policial, jamais tendo sido intimada para qualquer ato que objetivasse a sua respectiva elucidação, mesmo com o constante contato presencial de seus advogados com a Autoridade Policial.
É inegável a postura colaborativa da Sra. Mara Suely Soares de Melo Casares com o deslinde das investigações, cujo teor é amplamente divulgado pelos meios de comunicação. Dessa forma, uma medida desta gravidade, cujos fatos são públicos, a torna desnecessária e inócua, restando como objetivo apenas e tão somente a exposição midiática e abusiva da Sra. Mara e de seus familiares.
A Sra. Mara Casares mantém a sua postura irrestrita de colaborar
amplamente para a elucidação dos fatos perquiridos, cuja lisura de seus atos será comprovada ao longo desta investigação policial. Por fim, a Defesa esclarece que ainda não teve acesso à íntegra da decisão proferida pelo Juízo da Vara das Garantias do Foro Central Criminal da Capital do
Estado de São Paulo, que determinou a medida de busca e apreensão.
Defesa de Douglas Schwartzmann
No final do ano passado, quando tomou ciência da investigação pela mídia, a Defesa se dirigiu a Delegacia e informou que o Sr. Douglas Schwartzmann estava à inteira disposição da Autoridade Policial para prestar esclarecimentos sobre os fatos.
Ato seguinte, no dia 9 de janeiro, a Defesa comunicou formalmente a Autoridade Policial que o Sr. Douglas faria uma viagem ao exterior na semana do dia 18 de janeiro, em razão de compromissos profissionais.
Inclusive, naquela oportunidade, apresentou-se cópia das passagens aéreas - ida e volta -, bem como a documentação comprobatória das atividades que faria no exterior.
Hoje, policiais civis se dirigiram a residência do Sr. Douglas e constataram o óbvio: ele não estava. À toda evidência que a busca realizada na presente data - justamente quando as Autoridades tinham prévia ciência que Douglas estaria fora do país - tem a finalidade única de constrangê-lo, uma vez que tal medida foi totalmente inócua.