
A principal novidade do futebol em 2025 aconteceu entre junho e julho, nos Estados Unidos: o novo formato do Mundial de Clubes.
De olho no gigante mercado de times e no enorme sucesso da Liga dos Campeões da Europa, muito aproveitado pela Uefa, a Fifa alterou o modelo de disputa de seu principal torneio de equipes.
Antes disputado anualmente entre os campeões das seis confederações afiliadas, o Mundial de Clubes passou a ser realizado de quatro em quatro anos, agora contando com 32 representantes e seguindo o formato tradicional da Copa do Mundo de seleções.
O grande sucesso do futebol brasileiro fez com que o país superasse o limite de duas vagas, devido aos quatro títulos consecutivos de Libertadores, e se tornasse a nação com mais enviados: Palmeiras, Flamengo, Fluminense e Botafogo.

Fase de grupos
Desde o anúncio da mudança, torcedores brasileiros criaram uma empolgação, que ficou ainda maior com o sorteio dos grupos.
A definição das chaves gerou diversos confrontos impensáveis entre clubes do Brasil e gigantes europeus: Palmeiras x Porto, Fluminense x Borussia Dortmund, Flamengo x Chelsea, Botafogo x PSG e Botafogo x Atlético de Madrid.
O primeiro confronto entre América do Sul e Europa aconteceu logo no segundo dia de competição, com o Verdão encarando o time português. Apesar de ser considerado um dos piores times da história dos Dragões, o duelo mostrou que os representantes brasileiros podiam encarar os rivais do principal centro do futebol moderno. O Palmeiras criou diversas chances, gerou muito perigo, mas não conseguiu tirar o empate sem gols.
Mesmo com a boa estreia, o Alviverde teve a pior primeira fase de todos os brasileiros, avançando após buscar um empate no final do duelo contra o Inter Miami, de Lionel Messi e Luis Suárez.
A segunda disputa entre europeus e sul-americanos foi na partida entre Fluminense e Borussia Dortmund. Com temporadas recentes superiores ao Porto e enfrentando o que era considerado o brasileiro mais fraco, os alemães entraram em campo com um grande favoritismo, que não foi confirmado em campo. O Tricolor das Laranjeiras amassou a equipe aurinegra, e só não saiu com três pontos devido à atuação histórica do goleiro suíço Gregor Kobel.
O time comandado na ocasião por Renato Portaluppi assustou no restante da primeira fase, vencendo o Ulsan, da Coreia do Sul, de virada, e obtendo um necessário empate na última rodada contra o Mamelodi Sundowns, da África do Sul, para se classificar com a vice-liderança.
A maior surpresa envolvendo brasileiro aconteceu com o Botafogo. Sorteado no "grupo da morte", o Glorioso estreou com uma vitória apertada sobre o Seattle Sounders, nada animadora para o segundo confronto, contra o PSG, atual campeão europeu. Após atropelar o Atleti na estreia, o Paris parecia ir para outro confortável triunfo, que não se confirmou após o time de Renato Paiva segurar o forte ataque francês e, com um contra-ataque fulminante finalizado por Igor Jesus, derrotar o adversário.
O Fogão encerrou sua participação na fase de grupos contra o Atlético de Madrid, perdeu por 1 a 0 com um gol de Antoine Griezmann, marcado já na reta final do duelo, mas ainda sim avançou com a segunda colocação do grupo.
O Flamengo teve a melhor fase de grupos de todos os brasileiros. Em um grupo acessível, contra Chelsea, Espérance e LAFC, o Rubro-Negro estreou com uma tranquila vitória sobre os africanos e já se classificou como líder na segunda rodada, após virar, com grande atuação, sobre o time inglês. Sem nenhum objetivo na última rodada, os cariocas ficaram no empate contra os estadunidenses.
Apesar da grande campanha, o time de Filipe Luís deu azar. Com a primeira posição, imaginava-se que a equipe escaparia do Bayern nas oitavas de final. No entanto, os alemães perderam para o Benfica e ficaram com a segunda posição de sua chave.
Fora dos brasileiros, algumas surpresas aconteceram na fase inicial. Após boas atuações contra Benfica e Bayern, o Boca Juniors encerrou sua participação no Mundial com um vexatório empate diante do Auckland City, time semi-profissional da Nova Zelândia.
O River Plate, outro representante argentino da competição, também decepcionou. Os "Millonarios" estrearam bem, superando o Urawa Red Diamonds, mas empatou com o Monterrey e perdeu o quentíssimo confronto direto contra a Inter de Milão.
Apenas três europeus não avançaram na primeira edição do novo modelo do Mundial: Porto, Atlético de Madrid e RB Salzburg.
Oitavas de final
A estreia do mata-mata do Mundial de Clubes de 2025 obrigatoriamente derrubaria o primeiro brasileiro da competição, pois Botafogo e Palmeiras se enfrentariam em Nova Iorque. O péssimo jogo, muito afetado pelo extremo calor na metrópole, foi decidido por Paulinho, na prorrogação. A estrelada contratação alviverde fez grande jogada individual e bateu no cantinho, superando John.
Na sequência, Benfica e Chelsea disputaram uma partida maluca, que ficou paralisada por horas devido ao mau tempo em Charlotte. Os ingleses venciam por 1 a 0 aos 40 minutos do segundo tempo, momento da interrupção, mas sofreram o empate no breve retorno do duelo, no pênalti de Angel Di María. Apesar de voltar ao confronto e forçar a prorrogação, os "Encarnados" levaram três gols no tempo extra e foram eliminados.
Agora com força total, o PSG não tomou conhecimento de Messi, Suárez ou qualquer outro jogador em Atlanta, goleando o Inter Miami por 4 a 0 e avançando.
No mesmo dia, o Flamengo mediu forças contra o Bayern de Munique, mas viu que ainda estava atrás dos alemães. O Rubro-Negro até teve bons trechos durante o encontro, mas não conseguiu se recuperar do desastroso início em Miami, com dois gols nos primeiros 10 minutos, perdendo por 4 a 2.
Seu rival, o Fluminense, era outro clube que possuia uma montanha para escalar: a Inter de Milão, atual vice-campeã italiana e europeia. O Tricolor começou com tudo, com Germán Cano aproveitando vacilo adversário e abrindo o placar aos três minutos. Em meio à gigante pressão, Hércules fez o segundo nos acréscimos e confirmou a heroica classificação.
Imaginava-se que o rival da equipe das Laranjeiras nas quartas de final seria o poderoso Manchester City, mas, no melhor jogo da competição, que contou com muito espaço e uma atuação fantástica do goleiro marroquino Yassine Bounou, o time de Pep Guardiola foi eliminado pelo Al-Hilal, da Arábia Saudita.
Praticando um futebol decepcionante, a Juventus não chegou nem a incomodar o Real Madrid, no primeiro torneio sob o comando de Xabi Alonso, perdendo por 1 a 0 e se despedindo de seu primeiro Mundial de Clubes organizado pela Fifa.
Para fechar a primeira fase dos mata-matas, o Borussia Dortmund contou com o inspirado atacante Serhou Guirassy, que balançou as redes duas vezes, para despachar Sergio Ramos e o Monterrey do torneio.
Quartas de final
Contra o Al-Hilal e não o Manchester City, o Fluminense voltou a jogar bem e abriu a fase de quartas de final derrotando os sauditas. Os gols da classificação tricolor foram marcados por Martinelli e Hércules, enquanto Marcos Leonardo, herói do triunfo sobre os ingleses, marcou o único gol de seu time.
Outro brasileiro vivo, o Palmeiras enfrentou o Chelsea em um jogo recheado de histórias. Os Blues são os responsáveis por acabar com a maior chance do inédito título mundial palestrino, quando venceram a final do torneio em 2022, na prorrogação. Outro fator que esquentou o duelo foi a venda de Estêvão aos londrinos. A joia iria para a Inglaterra logo após o término da competição, marcou um golaço na reta final para deixar tudo igual, mas viu uma falha de Weverton, no cruzamento desviado de Malo Gusto, eliminar o Verdão.
Após despachar o Flamengo, o Bayern disputou uma "final antecipada" nas quartas de final, contra o PSG. O jogo foi marcado pela horrível lesão no tornozelo de Jamal Musiala, em dividida com Gianluigi Donnarumma, e terminou com uma vitória francesa por 2 a 0.
Por fim, Real Madrid e Borussia Dortmund fizeram a reedição da final da Liga dos Campeões da Europa de 2023/24. Os alemães não jogaram bem, mas, com dois gols nos acréscimos, pararam em uma defesa histórica de Courtois que manteve o placar em 3 a 2 e colocou os espanhóis na próxima etapa.
Semifinais
Após três eliminações melancólicas, o Fluminense era a última esperança brasileira do torneio, e enfrentava o Chelsea, que iniciou a competição fora do grupo dos favoritos, na semifinal.
O Tricolor não jogou mal, mas sofreu da infalível "Lei do Ex". João Pedro, que reforçou os Blues durante o torneio e foi revelado em Xerém, castigou sua ex-equipe com dois golaços, sacramentando a vitória por 2 a 0 e a vaga do clube inglês na final.
Do outro lado da chave, o PSG desmentiu a ideia da "força da camisa", seguiu embalado e atropelou o Real Madrid com uma goleada por 4 a 0, construída majoritariamente ainda no primeiro tempo.
Final
Após atropelar o estrelado Real Madrid, o Paris Saint-Germain chegou à final com um imenso favoritismo sobre o Chelsea, equipe que cresceu conforme a competição atingia suas últimas etapas.
Apesar de ser o "patinho feio" no confronto, o clube inglês surpreendeu a todos ainda no primeiro tempo, quando construiu uma confortável vantagem de três gols, que se manteve até o juiz Alireza Faghani encerrar o Mundial de Clubes.
Dois momentos viralizaram após o apito final do árbitro australiano. Ainda com ambos os times em campo, Luis Enrique, técnico do PSG, ficou irritado com algo e desferiu um soco no rosto de João Pedro.
Já no momento da entrega da taça, a presença de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos e amigo de Gianni Infantino, comandante da Fifa, incomodou alguns jogadores do Chelsea, principalmente Reece James, que levantou o troféu ao lado do político.
"Eu achei que ele deixaria o palco após me entregar a taça, mas ele queria ficar", revelou o capitão dos Blues em entrevista dada na zona mista do MetLife Stadium, em Nova Jérsei.