Bruno Henrique na partida contra o Santos no Maracanã
Fotos: Gilvan de Souza/Flamengo
Bruno Henrique na partida contra o Santos no Maracanã





O julgamento sobre a suposta participação de Bruno Henrique, do Flamengo, em um esquema de manipulação de resultado, envolvendo apostas esportivas, será retomado, neste quinta-feira (13), no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), no Rio de Janeiro. A audiênica está marcada para começar as 15h. A sessão foi suspensa na última segunda-feira, após pedido de vista de um dos auditores do STJD. 

O pleno do Tribunal julgava recursos tanto da acusação, quanto da defesa do jogador, que já havia sido condenado a 12 jogos de suspensão por forçar uma expulsão numa partida contra o Santos pelo  Brasileirão  de 2023 para, segundo a denúncia, favorecer familiares. 

Após o primeiro julgamento, a promotoria pediu aumento da pena do jogador. De acordo com a denúncia, ele pode pegar de 180 a 360 dias de suspensão. Contudo, o relator do caso, primeiro auditor a votar, decidiu pela absolvição do atacante. Na sequência, a sessão foi suspensa. 

Como foi a audiência

No começo da sessão, o pleno do  STJD rejeitou, por unanimidade, as alegações dos advogados do jogador sobre a possibilidade de prescrição do caso. Os auditores acompanharam o entendimento do procurador Eduardo Ximenes de que a tese não poderia ser aplicada. A defesa insistia no argumento de que houve perda do direito da Procuradoria de denunciar a infração disciplinar no tempo previsto do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD). 

O fato julgado aconteceu no dia primeiro de novembro de 2023. No entanto, o inquérito policial sobre o caso foi instaurado no dia 7 de maio de 2025. E a entrega da denúncia pela Procuradoria no dia 1 de agosto de 2025. 

Sobre o mérito da questão, o procurador enfatizou a materialidade das provas colhidas em mensagens trocadas pelos denunciados e sugeriu o aumento da pena ao jogador. A procuradoria pediu a condenação no artigo 243, do CBJD, que prevê multa de R$ 100,00 a R$ 100.000,00 e a suspensão de 180 a 360 dias. 

Em seguida, a defesa de Bruno Henrique alegou que a finalidade de forçar o cartão amarelo era um planejamento do Flamengo no intuito de antecipar uma suspensão do jogador, que estava pendurado e corria o risco de desfalcar o clube numa partida estratégica da competição daquele ano. 

O relator do caso, Sérgio Furtado Filho, entendeu que houve ausência de evidências manipulatórias e recomendou a absolvição do atleta no artigo 243-A (atuar, de forma contrária à ética desportiva, com o fim de influenciar o resultado de partida, prova ou equivalente) e manteve a condenação no artigo 191, implicando multa de R$ 100 mil. 

O primeiro auditor a iniciar o voto sobre sobre o mérito, Marco Aurélio Choy, pediu vista do processo. Em função disso, o julgamento precisou ser interrompido. 

Bruno Henrique comemora gol contra o Santos no Maracanã
Fotos: Gilvan de Souza/Flamengo
Bruno Henrique comemora gol contra o Santos no Maracanã


Reta final

O camisa 27 rubro-negro foi punido no começo do mês de setembro, mas vem atuando devido a um efeito suspensivo, enquanto aguardava o julgamento sobre o recurso da defesa. 

Na reta final da temporada, o jogador passou a ser peça fundamental na equipe de Filipe Luís. Com Pedro fora após fraturar o braço, BH tem sido o "camisa 9" do Flamengo, que disputa cabeça a cabeça o título do Brasileirão com o  Palmeiras. São 6 rodadas para o fim do campeonato nacional. 

A presidente do Palmeiras, Leila Pereira, se manifestou sobre o julgamento do caso Bruno Henrique e disse que a suspensão da audiência foi injusta. Em uma nota divulgada à imprensa, a mandatária alviverde criticou o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) na condução do processo sobre o atacante rival. 

A sentença do Tribunal não impede que Bruno Henrique dispute a grande final da Copa Libertadores, em Lima, no Peru, contra o rival paulista. 


Entenda o caso

O atacante foi condenado e suspenso pela 1ª Comissão Disciplinar por ter forçado um cartão amarelo contra o Santos, em jogo válido pelo Campeonato Brasileiro de 2023, beneficiando apostadores e pessoas de sua família. A suspensão foi proferida no dia 4 de setembro, entretanto, no dia 13 de setembro, o STJD concedeu efeito suspensivo após recurso de defesa do jogador.

Bruno Henrique foi enquadrado apenas no artigo 243-A (atuar, de forma contrária à ética desportiva, com o fim de influenciar o resultado de partida, prova ou equivalente), com suspensão de 12 partidas e aplicação de multa no valor de R$ 65 mil reais.

Em contrapartida, foi inocentado das outras três denúncias, nos artigos 243, 191, 184 e 65. Durante o julgamento o atleta alegou inocência em sua única declaração, feita de modo virtual. Além dele, seu irmão Wander Nunes Pinto Júnior e outros três amigos de Wander também foram denunciados. O jogador vem atuando pelo clube em função de um efeito suspensivo.  


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