Marcos Braz
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Marcos Braz

De uma das cabines do Maracanã, onde o Flamengo volta a jogar hoje, contra o Cuiabá, às 20h30, o vice de futebol Marcos Braz tem assistido às cobranças da torcida rubro-negra, que vão além do técnico e dos jogadores, e chegam com força à diretoria em meio à péssima campanha no Brasileiro — a uma posição da zona de rebaixamento.

Com um currículo vencedor a frente do futebol do clube, o dirigente resiste à pressão externa e interna por mudanças e uma maior profissionalização da pasta. Após se recuperar de um problema de saúde recentemente, chamou para si a responsabilidade de mais uma troca de treinador, demitiu Paulo Sousa e contratou Dorival Júnior, em um esforço para que o Flamengo retome a boa fase.

Aos mais próximos, Marcos Braz já indicou que não vai abandonar o barco em um momento ruim do clube. Com eleições no Brasil no fim do ano, o vice de futebol tem pretensões de se candidatar a deputado federal, mas precisa de um momento mais oportuno para se eleger. Ele segue a agenda como vereador pelo PL no Rio de Janeiro e por enquanto não dá sinais de que vai deixar o cargo no clube.

Internamente, o prestígio junto ao presidente Rodolfo Landim se deve principalmente ao papel que Marcos Braz ainda desempenha. Ainda que haja relatos de desgaste no comando do futebol, o dirigente é quem responde diretamente pela pasta junto ao mercado e no trato com jogadores, agentes e funcionários do futebol do Flamengo . Braz mantém influência no dia a dia mesmo quando está um pouco mais afastado, como ocorreu em viagens recentes por questões de saúde.

Na demissão de Paulo Sousa, coube ao vice de futebol decidir interromper o trabalho, assim como foi ele quem bateu o martelo no começo do ano que o português seria contratado e não haveria mais espera por Jorge Jesus. "Quem manda no clube é o Marcos Braz . Esquece o resto", disse uma fonte do mercado à reportagem. Na prática, apesar de funções de diretor, gerente e supervisor abaixo do vice de futebol, é de Braz a palavra final.

Entre os atletas e membros da diretoria, os sinais de desgaste durante a má fase foram claros. Marcos Braz foi questionado internamente por aparecer menos em público, defender menos o trabalho, os jogadores e o técnico, e se viu criticado também por conselheiros e torcedores, com direito a faixas no Maracanã, protesto na Gávea e no aeroporto.

O cenário gerou movimentação política no  Flamengo para que opções fossem cogitadas, mas tirar Braz não é tarefa fácil. O dirigente tem boa entrada com alas da oposição e a guerra fria com vice-presidentes da gestão Landim é administrável. Um rompimento abrupto poderia gerar uma cisão incontrolável no governo, na visão de muitos.

Com capacidade de mobilização, Marcos Braz ainda dita os rumos do futebol do Flamengo para que Landim não se envolva tanto e não seja ele o alvo principal. Recentemente, o presidente se apresentou para estar com o elenco nas partidas, mas a partir da primeira derrota voltou a se "esconder". Terceirizou para Braz e outros homens de confiança, como Diogo Lemos, do Conselhinho do Futebol, o papel de seguir com o trabalho e fazer as correções que forem necessárias sem mexer na estrutura.

Nesse contexto, o Flamengo interrompeu mais um projeto com um treinador diferente, para o qual dava respaldo, e renovou a comissão técnica momentos antes de entrar na janela de contratações. Com dinheiro para ir ao mercado, os reforços pedidos desde janeiro por Paulo Sousa devem enfim começar a chegar, e a reformulação pretendida junto ao técnico português ganhar a assinatura da diretoria, que tentou esticar a corda para fazer os investimentos e agora se vê sem saída.

Com gelo no sangue, Marcos Braz atravessa a má fase do Flamengo sem aparecer nem para apresentar Dorival Júnior, no aguardo de um momento mais apropriado para se expor. E ele virá em breve, com as movimentações junto ao diretor Bruno Spindel pelos reforços que o elenco precisa, e para decisões que envolvam também a saída de jogadores, como Andreas Pereira, que não deve ter a compra confirmada, e outros em fim de contrato, como Isla, Diego, Rodinei e Diego Alves.

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