Sérgio Rodrigues falou sobre a saída do zagueiro Léo e os problemas financeiros que o clube vem enfrentando
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Sérgio Rodrigues falou sobre a saída do zagueiro Léo e os problemas financeiros que o clube vem enfrentando

A panela de pressão no Cruzeiro está cada vez mais quente. No campo, o time só tem duas vitórias em 11 jogos na Série B. Nos bastidores,  o cenário só piora. A reportagem teve acesso a um áudio de uma reunião, feita há alguns dias, entre o presidente do clube, Sérgio Santos Rodrigues, e alguns torcedores. Durante a conversa, o dirigente fala sobre a saída do zagueiro Léo e os problemas financeiros que o clube vem enfrentando.

Depois de 11 anos de Cruzeiro, o zagueiro rescindiu com o clube recentemente. Segundo o dirigente, a saída do jogador se deu por ele querer jogar, enquanto os médicos do clube diziam que ele não tinha condição.

"Os médicos nossos falaram: 'eu não dou laudo para ele jogar, eu não tenho coragem de deixar o Léo voltar pro campo'. Aí ele falou que queria voltar pro campo, e eu falei ‘então vamos ter que rescindir, porque você quer voltar para o campo e o médico não quer deixar. Mas, eu não vou divulgar isso, porque senão, ninguém te contrata, é um acordo de cavalheiros. Beleza?’ ‘Beleza’", disse o presidente.

(Veja na galeria abaixo fotos do Cruzeiro)

Na conversa, Sérgio relevou uma discussão entre Léo e Charlinho, médico do clube. Segundo o mandatário, o zagueiro afirmava que poderia voltar a campo após tratamento feito externamente. Ainda de acordo com o dirigente, foi constatado que o menisco do atleta estava fora do lugar, mesmo assim, ele insistia em voltar.

"Ai beleza, ele vem e machuca, chega no fim do ano e ele fala: quero treinar fora, quero recuperar fora. Aí eu falei: Léo, nosso fisioterapeuta é da seleção brasileira, e nossos dois médicos têm fila para operar com eles no particular, você vai mexer fora? ‘Vou’. Beleza, custou seu, tá aqui a autorização, vai. Tem várias mensagens dele e do Daniel [Superintendente Médico do Cruzeiro], ‘Léo manda o relatório, Léo, como que tá aí?'. E ele só mandava foto dele na esteira. Léo volta: ‘vou jogar’. Ai exame. ‘Léo, seu menisco está fora do lugar.’ ‘Não, porque Deus vai me fazer jogar’. Juro por Deus. Ai o Charlinho olhou na cara dele e disse: Se tem uma coisa que você não tá tendo é Deus no coração. Foi desse jeito", revelou.

O dirigente também criticou o ex-presidente Itair, o qual em tom de ironia chamou de "grande" e reclamou sobre o aumento de salário dado ao, até então, zagueiro do clube. Os vencimentos do jogador passaram de R$180 mil para R$430 mil, além de ter pago R$ 1 milhão ao empresário do atleta, André Cury.

Quem também foi alvo do dirigente foi Pedro Lourenço, ou como também é conhecido "Pedrinho do BH", dono da rede de supermercados BH e um dos maiores investidores do clube. Segundo Sérgio, Pedrinho foi o responsável por trazer Ney Franco e só por conta dele o TransferBan (mecanismo da FIFA que impede contratações por falta de pagamentos) foi pago.

"Graças ao Ney Franco a gente pagou o TransferBan, porque o Pedrinho só pagou porque era ele, que foi técnico dos meninos do Pedrinho", afirma o dirigente.

Sérgio ainda falou sobre as dificuldades financeiras que o clube está passando. De acordo com ele, quando Felipão chegou ao clube, pediu quatro contratações que só não foram feitas, por conta da falta de dinheiro. Após o campeonato mineiro, Pedrinho também quis trazer Alexandre Mattos, um treinador de renome e pediu novos jogadores ao dirigente, que pediu dinheiro ao empresário.

“Ele falou que tem que contratar, eu falei me dá o dinheiro. O grande problema é fazer futebol sem dinheiro. Eu falei: contrata você. Escolhe, fala quem você quer. Por exemplo, o negócio do Felipão, ele me pediu o Bigode (William, do Palmeiras), Deyverson, Junior Santos e Thiago Santos, os quatro juntos davam R$3 milhões. Se alguém pagar, eu trago. Eu tinha eles todos na mão para trazer. Só que não tem dinheiro para pagar, essa é a grande dificuldade. Eu sei que a gente precisa de reforço, a gente está correndo atrás pra caramba.”

Sergio Rodrigues também foi questionado na reunião com os torcedores sobre a situação de Marcelo Moreno:

Você viu?

- Torcedor: Ele mete gol ‘desembolado’.

- Presidente do Cruzeiro: Lá né? (Referindo-se à seleção boliviana). Por que aqui você acha que ele ‘tava’ bem?

- Presidente do Cruzeiro: Você pega ano passado, quando o Sóbis chegou e jogou no lugar dele, meteu 6 gols.

- Torcedor: Mas o estilo de jogo do Sóbis é totalmente diferente do dele.

- Presidente do Cruzeiro: mas você quer que jogue por ele? (Referindo-se a Moreno)

- Presidente do Cruzeiro: é porque lá (na Seleção) ele é o maior artilheiro de todos, lá ele é o Messi do time.

- Torcedor: você acha que o Marcelo Moreno não presta para ser o camisa 9 do Cruzeiro?

- Presidente do Cruzeiro: Eu acho que ele é um custo caro para ser o nosso reserva, ele não é nosso titular. Eu acho que pelo que já demonstrou o Bissoli é mais jogador do que ele... hoje!

-Torcedor: Quantos jogos que o Bissoli tem aí?

-Presidente do Cruzeiro: 3

-Torcedor do Cruzeiro: 3 jogos? E você acha que 3 jogos já é o suficiente para demonstrar alguma coisa?

-Presidente do Cruzeiro: Ele (Bissoli) tem um gol e uma assistência e participa muito mais do jogo

-Torcedor: Que isso...

A reportagem procurou a assessoria do Presidente Sérgio Rodrigues, mas, até a publicação da matéria, nenhum posicionamento foi enviado ao Jornal O Dia. Caso aconteça, a nota será atualizada.

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