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Ex-jogador falou sobre a morte de Danilo, em 2019, e também comentou outros assuntos, como a excelente fase do Flamengo

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Reprodução
Filho de Cafu, Danilo (à direita) morreu após sofrer uma parada cardíaca

Antes de se tornar recordista de partidas pela seleção brasileira (149 jogos), Cafu precisou deixar para trás a frustração pela reprovação em nove peneiras até ser aceito e virar profissional no São Paulo. O desafio atual do multicampeão lateral-direito agora é na vida pessoal. Em 4 de setembro, seu filho Danilo, de 30 anos, morreu após passar mal num campo de futebol.

Cafu é membro da Academia Laureus, o Oscar do Esporte, que premia atletas de desempenho destacado e exemplos de superação do esporte. O conhecimento de causa ajuda o ex-capitão no momento atual, que também passa pelo fechamento da Fundação Cafu.

Já votou no Laureus? Para quem você daria o prêmio?
Ainda não. Tem muito nome bacana em condições de ganhar, vai ser disputado.

O Flamengo de 2019 é digno de Laureus?
Sem sombra de dúvida. Fecharia com chave de ouro se conquistasse o Mundial. Vendo de fora, é um time coeso, que joga em conjunto. Não existe a disputa: “eu faço o gol” ou “eu sou o melhor”. Um toca a bola para o outro. Quando um está mais bem posicionado, procura o companheiro. Isso é digno de um grande time.

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Fifa/Facebook
Ex-jogador Cafu

A seleção nem tanto, apesar da Copa América, né?
Acho difícil. A sequência de amistosos que houve não foi muito bacana. Ganhou apenas da Coreia do Sul. Foram muitos altos e baixos, oscilou bastante. Nas Eliminatórias, a perspectiva é muito boa. O Brasil vai à Copa, não tenho dúvida. Vai ter um pouco trabalho, ganha, perde, mas no final se classifica. Esperamos fazer uma grande Copa do Mundo.

Você tem ido ao Catar várias vezes. Qual a chance de o torcedor do Flamengo repetir esse roteiro em 2020?
Se mantiver a base, com uma ou duas contratações, acho que tem condições de fazer como o São Paulo fez nos anos 1990, estando em dois Mundiais. Em 2021, o Mundial vai ser extremamente competitivo. Nem sabemos ainda como vai ser a fórmula de classificação sul-americana.

Como vai a discussão na Fifa?
Eu faço parte do comitê de stakeholders. O único problema é o sistema de classificação. Está meio confuso em relação a isso, principalmente envolvendo os sul-americanos. Teremos a próxima reunião no começo do ano para definir isso.

No Laureus, há um prêmio de retorno do ano, a virada do ano. O quanto exemplos esportivos podem contribuir para amenizar dores pessoais como a que você enfrentou com a perda do seu filho?
Pegamos exemplos de pessoas que de uma hora para outra explodiram no esporte, saíram do mundo em que estavam e se tornaram muito conhecidos. Atletas com esse perfil, eu indicaria ao Laureus por tudo o que passaram. A esperança existe e basta dar uma oportunidade para que a vida seja transformada. Vou me apegando a isso, vou levando, para poder superar tudo também.

Qual tem sido seu time hoje em dia na vida pessoal, no suporte psicológico?
A família está dando um apoio bacana. Eu dou apoio à família. Tem Wellington e a Michele, meus filhos, Gabriel e Yasmin, que são meus netos, estamos dando força um para o outro. Sempre fomos muito unidos, e isso faz com que a gente supere. Fiquei surpreso pelo carinho, pela atenção e dedicação das mensagens de todo mundo. Muitos deles conheciam meu filho. Outros, não. E meu filho, todo mundo gostava dele. Esse era um ponto positivo. Em todos os lugares que eu ia, eu o levava e ele fazia as mesmas amizades que eu. O mundo do futebol passou a mensagem, e eu fiquei muito feliz.

Você é embaixador de muitas causas. O quanto isso tem preenchido o seu dia a dia, que eu imagino que continue sendo nada fácil pelo tamanho da sua perda?
Está sendo importantíssimo. Preencher esse espaço é de extrema importância. Estou viajando, em atividades, visito muitas crianças em hospitais. Isso me ajuda a manter a cabeça cheia.

Você sempre foi uma pessoa de sorriso largo. As pessoas não estavam acostumadas a te ver triste.
A mensagem que eu passo é: verdade, estou sofrendo bastante. Mas Deus está me confortando e dando força para eu superar tudo isso. Estou me apegando às coisas que eu sempre gostei de fazer, nas coisas que meu filho fazia. É o que vai confortando a ausência. O choro vai ser para sempre, não tem jeito. Mas o sorriso vai voltar. Vou voltar a dar o sorriso que as pessoas conhecem

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