Tamanho do texto

Clube catarinense e também o mineiro já avisaram que não vão para o duelo

A CBF avisou que não vai cancelar a partida entre Chapecoense e Atlético-MG, marcada para o próximo domingo, dia 11 de dezembro, válida pela última rodada do Campeonato Brasileiro. Mesmo com a tragédia do clube catarinense que matou 71 pessoas após a queda do avião na Colômbia, o diretor de competições da entidade, Manoel Flores, afirmou em entrevista ao "Sportv" que esta possibilidade não está prevista no Regulamento Geral de Competições.

E mais:  Atlético-MG anuncia que não irá enfrentar Chapecoense e perderá por W.O.

O documento da CBF diz, no artigo 19, que um jogo pode ser suspenso por "fato extraordinário que represente uma situação de comoção incompatível com a realização ou continuidade da partida". A morte de quase toda delegação da Chape seria um fato extraordinário, mas o artigo 21 prevê o seguinte: "As partidas não iniciadas por quaisquer dos motivos identificados no artigo 19, serão complementadas no dia seguinte às 15h, no mesmo local".

Atlético-MG e Chapecoense não vão se enfrentar, apesar do pedido da CBF
Divulgação
Atlético-MG e Chapecoense não vão se enfrentar, apesar do pedido da CBF

Ou seja, mesmo que a partida não seja iniciada, teria que ser jogada no dia seguinte. Seguindo o regulamento, Chapecoense e Atlético teriam que entrar em campo na segunda-feira, o que não é viável.

"É uma semana muito difícil para nós. Estamos aqui cuidando de trâmites de envio de corpos, estamos todos envolvidos neste drama que nos abate muito. Com relação à partida entre Chapecoense e Atlético-MG, não há um dispositivo no regulamento que permita o cancelamento da partida. O espírito do artigo 19 é que, havendo suspensão, essa partida seria realizada em uma data posterior. O regulamento é bem específico no artigo 21", comentou Manoel Flores.

Veja:  Para CBF, Chape tem que jogar última rodada do Brasileirão com atletas da base

"O Atlético está justificando um possível não-comparecimento à partida. O W.O., tratado no artigo 53, se caracteriza no não-comparecimento do clube à partida, acarretando a perda de três pontos e no placar de 3 a 0 contra. A gente entende que é isso que o Atlético decidiu. Obviamente, todo o protocolo da partida precisa ser feito, para seguir a parte protocolar, técnica, podendo até haver um W.O. duplo. Mas não há dispositivo para o cancelamento da partida", finalizou o dirigente da CBF.

E é isso mesmo que vai acontecer, já que a Chapecoense também avisou que não joga. "Não vai ter jogo. Já nos juntamos do que sobrou da comissão, jogadores, foi unânime, não vamos jogar", disse Vitor Hugo Nascimento, chefe do departamento de desempenho do time catarinense. A tendência é que o trio de arbitragem esteja no local para efetivar o W.O. duplo.

Veja imagens da tragédia com a Chapecoense na Colômbia:


"Nem que seja com a base"

Com a decisão de não viajar à cidade de Chapecó, o clube mineiro contraria a decisão da CBF, que havia dito, em conversa com o presidente interino da Chape, Ivan Tozzo, que o duelo deveria acontecer nem que fosse com os jogadores da base do clube catarinense e que seria uma 'grande festa'. 

Ouça:  Áudio mostra piloto da Chapecoense desesperado e pedindo para pousar

"Conversei com o presidente da CBF (Marco Polo Del Nero) sobre a partida contra o Atlético-MG. Ele disse: ‘Este jogo tem que acontecer. Tem que ser uma grande festa'. Respondi: ‘Não temos 11 jogadores'. Ele disse: "Tem sim. Vocês têm categoria de base, os jogadores que ficaram. Não importa. Tem que fazer uma grande festa. Chapecó e a Chapecoense merecem'", disse Tozzo.

    Leia tudo sobre: Futebol