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"Essa medida já foi tentada outras vezes. E não é eficaz porque hoje a maior incidência acontece fora dos estádios"

Estadão Conteúdo

Clássicos em São Paulo terão torcida única neste ano
Divulgação
Clássicos em São Paulo terão torcida única neste ano


Um dos maiores especialistas do país em violência no futebol, o sociólogo Mauricio Murad criticou a decisão da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) de proibir torcidas diferentes nos clássicos do estado . Até o dia 31 de dezembro, as grandes partidas do futebol estadual terão que ser disputados com torcida única.

"Essa medida já foi tentada outras vezes. E não é eficaz porque hoje a maior incidência, mais de 80% dos conflitos, acontecem fora dos estádios. Isso assina embaixo a falência da segurança pública, punindo o justo pelo pecador", criticou Murad. "É a solução 'esparadrapo': cobre e não resolve o problema. É mais uma medida de desespero das autoridades em querer dar uma resposta."

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A decisão da Secretaria de Segurança Pública é uma resposta aos conflitos entre torcedores de Palmeiras e Corinthians, no domingo, antes e depois do clássico disputado no Pacaembu, válido pelo Paulistão. Foram registrados confrontos em quatro locais diferentes. Um idoso que não participava de uma das brigas, em São Miguel, na zona leste da capital, foi atingido por uma bala e morreu. Mais de 50 torcedores foram detidos e, depois, liberados.

Para Murad, autor do livro "Para entender: A violência no futebol", lançado em 2012, há diversas explicações para os conflitos de torcidas no Brasil. "Há explicações sociais, a violência em geral no Brasil cresceu muito. Agora há razões dentro do próprio futebol. Na multidão, os indivíduos têm a sensação que estão escondidos. Exatamente por isso precisam ser acompanhados e estudados, e as forças de segurança têm que ter um treinamento específico. Há um mal preparo das tropas nesse sentido", aponta.

"Somos os campeões mundiais em mortes de torcedores comprovadamente por conflitos de torcidas organizadas. Tivemos 71 mortes comprovadas em 2012, 2013 e 2014. Em 2015 tivemos 24 mortes, sendo quatro em processo de investigação. Em 2016, que mal começou, tivemos cinco óbitos comprovados. São números que assustam e as medidas tomadas são muito tímidas", afirmou o professor aposentado da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ).