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Ex-secretário geral da entidade, francês estava afastado desde setembro de 2015 e foi oficialmente desligado nesta quarta

Valcke foi demitido da Fifa após escândalo em venda de ingressos para a Copa do Brasil
Reprodução/Twitter
Valcke foi demitido da Fifa após escândalo em venda de ingressos para a Copa do Brasil

Ex-secretário geral da Fifa, Jérôme Valcke está demitido. A entidade afirmou nesta quarta-feira que não aguardará decisão final dos órgãos judiciais e decidiu desligar oficialmente o francês, que organizou a Copa do Mundo de 2014.

A organização indicou em comunicado que a demissão de Valcke foi decidida por seu Comitê de Emergência no sábado e apontou que suas funções de número dois da Fifa seguirão sendo exercidas pelo alemão Markus Kattner, responsável financeiro, e que já ocupava este posto desde a suspensão do francês, em setembro de 2015.

"A relação laboral entre a Fifa e Valcke também foi extinta", indicou a organização.

A denúncia que culminou nas acusações ao francês foi feita em 2015 por cerca de dez jornais do mundo todo, onde foi revelado que o francês firmou acordos para receber parte dos lucros da revenda de ingressos para a última Copa. No esquema, ele teria embolsado cerca de 2 milhões de euros (R$ 8,6 milhões). 

Antes mesmo da decisão final, o Comitê de Ética da Fifa já havia pedido a suspensão do cartola por nove anos. Ele é denunciado por "oferecer e receber presentes e outros benefícios". Fora o afastamento, Valcke ainda pagaria uma multa de US$ 100 mil e poderia ficar sem entrar em um estádio até 2025.

Valcke foi um dos mais críticos durante as obras para a Copa do Mundo do Brasil. Ele chegou a dizer que o país precisava levar um "chute no traseiro" por conta dos atrasos. Ex-número 2 da Fifa, em 2006 ele fez com que a entidade fosse condenada por uma multinacional e pagasse US$ 90 milhões. Ele chegou a ser afastado, mas em 2007 retornou ao posto. 

A empresa JB Marketing, do israelense Benny Alon, que trabalha desde 1990 com vendas de ingressos para as Copas revelou o sumiço de 8,3 mil entradas para a competição, que seriam vendidos por eles.

O juíz Hans-Joachim Eckert será o responsável por avaliar as denúncias de violação de regras de conduta, lealdade, confidencialidade, conflito de interesses, obrigação de colaborar e oferecer e aceitar presentes e outros benefícios e dar a pena ao ex-dirigente.

De acordo com o jornal suíço Tages Anzeiger, Valcke ainda obrigou a entidade a pagar para alugar um apartamento de luxo no Rio de Janeiro, em 2013, pertecente a Ronaldo, por US$ 150 mil. Mesmo com as recomendações contrárias da entidade, o francês insistiu na ideia e a obrigou a pagar pelo aluguel. Vale lembrar que o ex-jogador fazia parte do Comitê Organizador Local, presidido do José Maria Marin, preso em maio do ano passado.

Segundo o jornal, o francês teria ainda utilizado um jato privado da Fifa em viagens de família, como uma ida ao Taj Mahal, na Índia, em 2012. Além disso, Valcke ajudou o filho Sébastien na conclusão de acordos com a Fifa. Em um desses contratos, Sébastien teria ficado com cerca de US$ 50 mil de um acordo de US$ 700 mil feito com a empresa EON Reality, responsável pelos hologramas da entidade. Um desses hologramas foi usado na Fan Fest do Rio de Janeiro, durante a Copa do Mundo de 2014, em um stand. A "comissão" teria sido pelo filho ter aproximado a empresa da Fifa.