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Cada vez mais atrativos, mercados exóticos do futebol usam brasileiros em busca de crescimento e fortalecimento das ligas

Diogo foi o primeiro não tailandês eleito MVP da Thai Premier League
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Diogo foi o primeiro não tailandês eleito MVP da Thai Premier League

O futebol brasileiro sempre foi produto de exportação para os principais mercados do mundo. Rivaldo, Ronaldo, Romário, Kaká e Ronaldinho Gaúcho brilharam na Espanha e Itália. Neymar é o mais recente exemplo do sucesso brasileiro no exterior. O futebol inglês e holandês também já tiveram seus exemplos de jogadores que fizeram história em suas ligas. Acostumados com as principais ligas, os brasileiros descobriram nos últimos anos novos mercados que tem virado opção para os atletas do país.

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Com ofertas salariais que fogem do padrão, países sem grande tradição futebolistica se tornaram atrativos para os jogadores do Brasil que, por sua vez, ajudam a elevar o nível das ligas e auxiliam no seu crescimento e fortalecimento.

Ainda desconhecida do público brasileiro, a Liga Tailandesa é uma das que passaram a investir no seu crescimento com a aposta em jogadores brasileiros. Com passagens pela Portuguesa, Santos , Flamengo  e Palmeiras , além de Olympiakos da Grécia, o atacante Diogo foi o principal nome da última temporada da Thai Premier League atuando pelo campeão Buriram United. Artilheiro do torneio com 33 gols em 32 jogos, Diogo foi também o seu MVP, sendo o primeiro não tailandês a obter tal mérito. Para o atacante, a experiência Asiática surpreende de forma positiva.

Diogo fez 33 gols em 32 jogos na liga
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Diogo fez 33 gols em 32 jogos na liga

"A experiência está sendo muito boa, mais até do que eu esperava vindo pra um país diferente. Ainda não é do nivel do futebol brasileiro ou europeu, mas me surpreendi de forma positiva com organização e com a competitividade que eles tem por aqui, além da boa estrutura", afirmou Diogo.

O fortalecimento das grandes ligas, acaba gerando um aumento do público. A média do Buriram na competição foi de 22.000 torcedores por partida. O futebol tomou tamanho espaço que já consegue concorrer com o Muay-Thai, principal esporte do país.

"Hoje, pelo que o pessoal aqui da Tailândia fala, o futebol já superou o Muay-Thai como preferência do público. Existe uma grande paixão pelo esporte. Os jogos da seleção estão sempre com grande público e as partidas da liga local também", disse o atacante.

Se o dinheiro compensa, muitas vezes a adaptação a um novo país, principalmente de uma cultura tão diferente do Brasil, pode ser muito dificil. Na Tailândia, Diogo sofreu um pouco, mas destacou o povo local como um fator que facilitou sua mudança.

"A adaptação está sendo muito boa, o povo tailandês é muito receptivo e isso facilita. Por aqui eu como muito o que tava acostumado no Brasil e eu gosto da comida apimentada como a que tem por aqui. O idioma é complicado, mas a gente conta com tradutor e também com outros jogadores brasileiros para ajudar", completou o jogador que busca hoje mais um título para o Burriam, com a disputa da final da FA Cup da Tailândia, contra o Muang Thong, maior rival de sua equipe.

Se o mercado Tailandês ainda é pouco conhecido dos brasileiros, o chinês, que antes era opção rara, tem se tornado um pote de ouro para os jogadores do país. Nos últimos anos atletas como Ricardo Goulart, Renê Junior, Paulinho, Diego Tardelli, Aloísio, Robinho e mais recentemente Jadson e Luis Fabiano decidiram se aventurar no país.

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Hoje o futebol chinês conta com 28 brasileiros, ficando à frente dos Campeonatos Inglês e Alemão na quantidade de jogadores do país. Essa lista deve aumentar, uma vez que ainda pode contar com Elias, Vagner Love e Lucas Lima, que são alvos de ofertas..

A China também se mostra atrativa para os treinadores brasileiros. Cuca e Felipão se aventuraram por lá nos últimos anos. Mano Menezes e Vanderlei Luxemburgo terão a experiência a partir da próxima temporada.

"Na Índia não dá pra sair na rua por conta do assédio", conta Reinaldo

Reinaldo foi um dos destaques da Superliga Indiana
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Reinaldo foi um dos destaques da Superliga Indiana

Também sem tradição, mas com grandes nomes, o futebol indiano também entrou no mapa do esporte nos últimos anos, principalmente após a criação da Superliga Indiana de Futebol. Na última temporada, a final disputada entre Chennaiyin FC e FC Goa reuniu nomes como Leonardo Moura, Elano, Lúcio e Reinaldo numa disputa pelo título. Os treinadores eram Marco Materazzi, no campeão Chennaiyin , e Zico, no derrotado Goa.

Um dos principais destaques da equipe vice-campeã, Reinaldo, experiente atacante que acumula passagens pelo Flamengo, São Paulo , Santos e PSG , destacou a experiência no futebol local como uma das melhores da carreira.

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"Experiência foi a melhor possível, eu aprendi muito com povo indiano. Vi uma nova cultura, um povo que, apesar de muita pobreza, está sempre sorrindo. Profissionalmente aprendi muito com Zico, um cara excepcional como treinador e como ser humano. Sem dúvida saí da Índia um profissional melhor e uma pessoa melhor", disse o atacante. "A estrutura também é muito boa. Tem campos que são verdadeiros tapetes, hotéis cinco estrelas. Claro que tem que crescer muito ainda para atingir o nível da Europa, mas pessoas com Zico, Materazzi, Lúcio e Roberto Carlos fizeram esse ano a liga ser mais conhecida mundialmente", completou.

O crescimento do futebol na Índia se refletiu no público presente nos estádios e também no reconhecimento dos jogadores que são assediados pelo povo nas ruas do país.

"Todo jogo em nosso estádio tem por volta de 40 mil pessoas e a média de público na liga é de 35 mil. Na Índia é igual ao Brasil, você não pode sair na rua por causa do assédio que é enorme. Quando perde também não pode sair pois o torcedor corneta muito (risos)", contou o atacante.

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