Tamanho do texto

Clube contou com gol do volante e atuação perfeita do goleiro para vencer o Liverpool e conquistar o Mundial de 2005

Rogério ergue a taça de campeão Mundial pelo São Paulo
Divulgação/São Paulo FC
Rogério ergue a taça de campeão Mundial pelo São Paulo

Uma noite que nenhum torcedor do São Paulo  jamais se esquecerá completa dez anos nesta sexta-feira. No dia 18 de dezembro de 2005, a equipe entrou no gramado do Estádio Internacional de Yokohama e, em noite mágica de Rogério Ceni e Mineiro, conquistou o tricampeonato mundial ao vencer o Liverpool por 1 a 0.

O São Paulo se garantiu no Mundial após conquistar a Copa Libertadores daquele ano, em final na qual venceu o Atlético-PR e se sagrou tricampeão do torneio depois de 12 anos sem conquistar títulos internacionais.

Leia também: São Paulo anuncia Edgardo Bauza como novo técnico da equipe

O torneio começou para o São Paulo em 14 de dezembro, quando enfrentou o Al-Ittihad, da Arábia Saudita. Para Rogério Ceni, o jogo contra os árabes foi psicologicamente mais complicado do que a partida diante dos ingleses.

"Perder para os árabes seria uma tragédia. Não pela derrota em si, pois o Al-Ittihad era um bom time, base da seleção da Arábia Saudita, mas pelo fato de perder na semifinal e para um time não europeu e isso fez com que a gente entrasse mais preocupado", disse o capitão.

Leia: Ataíde divulga gravação em que Aidar oferece comissão por compra de zagueiro

Ao fim da partida, vitória por 3 a 2 com dois gols de Amoroso e um de Rogério Ceni, classificando-se para a final da competição e apenas esperando o adversário, que sairia do confronto entre Deportivo Saprissa, da Costa Rica, e Liverpool, da Inglaterra.

"Tinha jogador do São Paulo torcendo pelo Saprissa e eu disse: 'Vocês acham que eles vão ganhar? E vocês querem ser campeões em cima do Saprissa? Ninguém vai dar valor e nem lembrar do título se isso acontecer'. Nós tinhamos de enfrentar o Liverpool, tinhamos de ganhar do Liverpool", afirmou Rogério Ceni

O desejo do goleiro se confirmou e a equipe inglesa treinada por Rafa Benitez venceu com tranquilidade com dois gols de Peter Crouch e um do capitão Steven Gerrard.

A partir de então, o que se viu foi o favoritismo do Liverpool tratar o São Paulo como um mero espectador da partida. Não era para menos, a equipe havia vencido a Liga dos Campeões depois de uma partida incrível contra o Milan, em que superou os italianos nos pênaltis depois de sair perdendo por 3 a 0, e, nas últimas 11 partidas que antecederam o Mundial, a equipe do goleiro Pep Reina sequer havia sofrido gols.

Neste momento surgiu uma declaração que para o São Paulo virou motivação. Capitão do Liverpool, Gerrard afirmou que, olhando o momento que vivia, sentia que o time inglês era imbatível.

Durante a semana em que o São Paulo passou no Japão, o ambiente sofreu algumas turbulências. A primeira foi a divulgação de um pré-contrato do atacante Amoroso com o FC Tokyo e depois uma suposta insatisfação com a premiação prometida pelo título. Para manter a equipe unida, o elenco passou a se fechar e não dar entrevistas. Seguiam em busca de um título que colocaria fim a qualquer polêmica.

Em campo, o São Paulo repetiu a escalação do jogo contra o Al-Ittihad e enfrentaria um Liverpool diferente, que não contaria com Peter Crouch, artilheiro do time na competição, com 2,03m de altura, que ficou no banco por opção de Rafa Benitez.

A partida começou com a cara que o Liverpool queria, com uma pressão muito forte em cima da defesa. Mas foi no primeiro ataque que a sorte do time brasileiro começou a mudar. Depois do cruzamento de Gerrard, Morientes cabeceou a bola pela linha de fundo. Neste momento um torcedor brasileiro invadiu o campo e começou a provocar os jogadores do São Paulo. A parada, que durou quase cinco minutos, esfriou o time inglês e permitiu que o jogo ficasse equilibrado.

O São Paulo entrou então no jogo e teve chances de abrir o placar com Amoroso, Aloísio e Cicinho, mas foi aos 27 minutos da primeira etapa que surgiu um dos mais improváveis heróis que o futebol poderia proporcionar.

Mineiro marcou o gol do título mundial de 2005
Koichi Kamoshida/Getty Images
Mineiro marcou o gol do título mundial de 2005

Fabão cruzou o meio de campo com a bola dominada, fez o lançamento longo para Aloísio na intermediária. O atacante dominou no peito e fez o passe de trivela para Mineiro, que, na cara do goleiro Reina, apenas fez o deslocamento e abriu o placar para o São Paulo.

Carlos Luciano da Silva é Mineiro no apelido, mas gaúcho no nascimento e foi um dos grandes nomes defensivos do São Paulo na temporada de 2005. Como chegava pouco ao ataque, poucos poderiam imaginar que seria do volante o gol que daria o título ao São Paulo. Muito menos o time inglês, que foi surpreendido com o jogador aparecendo livre no meio da defesa.

Em desvantagem no placar, o Liverpool passou a dominar as ações do jogo, sem deixar que os brasileiros ficassem com a posse de bola e, a partir daí, Rogério Ceni se tornaria o grande herói do título.

No total, foram 21 chutes a gol do Liverpool, pelo menos oito que demandaram a participação do goleiro, que teve uma das melhores atuações da carreira. A principal das defesas aconteceu aos seis minutos do segundo tempo, quando Gerrard teve falta para cobrar ponta da área e, depois de cobrança perfeita, Rogério fez a defesa e evitou o gol.

O São Paulo sofreu grande pressão e chegou a ser vazado três vezes em gols de Luis Garcia, Hyppia e Sinama Pongole, mas o assistente Hector Vergara anulou as três oportunidades, duas por impedimento e uma por saída da bola durante o cruzamento.

Ao fim da partida, o São Paulo confirmou o resultado e se tornou tricampeão do mundo. Rogério Ceni, com um gol e uma ótima atuação na decisão, foi eleito o melhor jogador do torneio. Amoroso, com dois gols, foi o Chuteira de Ouro. Gerrard foi eleito o segundo melhor jogador do torneio, enquanto Cristhian Bolaños, do Saprissa, ficou como terceiro colocado. Rafa Benitez e os jogadores do Liverpool ainda protestaram contra a arbitragem da final, que anulou três gols da equipe.

Gerrard foi o segundo melhor jogador do Mundial de 2005
Shaun Botterill/Getty Images
Gerrard foi o segundo melhor jogador do Mundial de 2005


Uma noite em que o São Paulo lutou contra uma das melhores equipes da Europa e, contrariando todas as estatísticas, venceu o seu terceiro título mundial, o primeiro desde que a Fifa passou a organizar o torneio. Mais do que isso, naquela noite um Mineiro, de apenas 1,69m, venceu os gigantes e se tornou ídolo enquanto Rogério, que já era ídolo, transcendeu o status de jogador para se tornar um mito dentro da história do clube.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.