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Em entrevista coletiva no dia após a queda, presidente do clube voltou a criticar Dinamite e eximiu jogadores por rebaixamento

Eurico Miranda deu explicações sobre a queda do Vasco para a Série B
Marcello Dias / Futura Press
Eurico Miranda deu explicações sobre a queda do Vasco para a Série B

Eurico Miranda apareceu abatido e com cara de poucos amigos para explicar o rebaixamento do Vasco para a Série B do Campeonato Brasileiro. Um dia depois do 0 a 0 com o Coritiba que decretou a terceira queda do time carioca em oito anos, o presidente do clube tomou o microfone para assumir sua responsabilidade e culpar Roberto Dinamite, seu antecessor, por ter deixado o clube em condição financeira muito ruim.

"Eu assumo toda a responsabilidade. Essa é uma mancha no meu currículo que não esperava ter, mas o Vasco continua e deverá ser respeitado", disse Eurico, que apesar de assumir sua culpa, não esqueceu de citar erros de arbitragem que comprometeram a campanha na sua visão.

"Ninguém foi mais prejudicado pela arbitragem do que o Vasco. Até no último jogo. Teve um pênalti que não foi marcado. E isso foi em função de que? Apesar de termos alertado, nenhuma providência foi tomada. E eu digo não para justificativa minha, pessoal. Não uso desses artifícios. Eu digo por causa de um grupo de jogadores que se dedicou, uma comissão que se dedicou, mas que não tiveram seu objetivo alcançado", disse.

Durante a campanha, Eurico citou privilégios ao times catarinenses (dois, Joinville e Avaí, foram rebaixados). Ele reclama principalmente de um pênalti não marcado em empate contra a Chapecoense no Maracanã. Com 41 pontos, o Vasco terminou dois pontos atrás do primeiro time fora da zona de rebaixamento, o Figueirense.

Roberto Dinamite também foi citado por Eurico. O ex-jogador presidiu o Vasco entre 2008 e 2014 e, segundo o atual presidente, deixou o clube em "terra arrasada".

"Esse cidadão que passou aqui, Roberto Dinamite, passou sete anos no Vasco, não recolheu um centavo de imposto, um centavo deFGTS e me deixou ao assumir com três meses de atraso de salário, não só dos jogadores, mas quadro funcional. A primeira coisa que tive de fazer foi pagar os impostos daquele último ano ara regularizar a situação junto à receita e tive de pagar 14 milhões de reais. Perdemos assim qualquer capacidade de investimento", disse Eurico.

"O Vasco foi vítima de um ex-jogador. Pode ter sido ídolo, mas que como gestor foi uma lástima. Há muitos ex-jogadores que viram críticos. Não vão receber nem 10% do que receberam como jogadores. E hoje falam uma série de baboseiras como se conhecessem tudo", disse Eurico, citando Edmundo e Juninho, ídolos do clube que atuam como comentaristas da Band e da Globo, respectivamente.

Jorginho fica
O presidente disse também que Jorginho será mantido como técnico da equipe. Ele e Zinho, seu auxiliar, foram responsáveis por dar ao Vasco a condição de chegar à última rodada com alguma chance de escapar do rebaixamento. O Vasco foi o nono melhor time do segundo turno, mas pagou o preço de ter somado apenas 13 pontos em 57 disputados no primeiro.

Eurico também afirmou que o atacante Nenê e o goleiro Martín Silva têm contrato até o final de 2016 e vão seguir no clube.

E a Sibéria?
O presidente também comentou sobre a frase que repercutiu no meio da campanha de 2015, quando disse que o Vasco fosse rebaixado, fugiria para a Sibéria. 

"Se o Vasco caísse eu ia morar na Sibéria para ficar longe. Isso não é frase de efeito. Iria para lá se eu não tivesse minha justificativa. Aí eu não ficava aqui um minuto. Não precisava ser a Sibéria. Mas alguns devem estar tristes. Tem gente que tem problema freudiano comigo e gostaria de me acompanhar na Sibéria. Mas eu podia falar Groenlândia ou qualquer lugar mais distante. Mas isso só iria acontecer se eu não tivesse as razões. Se eu não tivesse feito o máximo. A responsabilidade é minha. Mas não a culpa. A culpa já foi suficientemente explicada", disse, voltando a falar de Roberto Dinamite.

Doença
Desde a partida contra o Coritiba, notícias foram veiculadas sobre o estado de saúde de Eurico, que estaria lutando contra um tumor. O presidente do Vasco não negou que esteja doente, mas garantiu que não vai se afastar da presidência.

"Afirmam que estou fazendo tratamento. Que vou para os Estados Unidos. Posso não estar 100%, mas estou bem. Não há nada que impeça que eu continue a honrar o compromisso que assumi no ano passado. Aqueles que esperavam que poderia dar um tempo, me afastar... nenhuma chance. Vou carregar para mim e o Vasco, sem dúvida nenhuma, sem frase de efeito, o Vasco vai retornar para o lugar que é dele", completou.