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Desde 2003, ano em que o Campeonato Brasileiro assumiu o formato de pontos corridos, os vencedores da Copa do Brasil têm enfrentado muita dificuldade para jogar pela América

Zé Roberto ergue a taça.
Marcos Bezerra/Futura Press
Zé Roberto ergue a taça. "O Palmerias é grande, bate no peito", ele repete


Desde que o Campeonato Brasileiro  assumiu o formato de pontos corridos em 2003, há uma corrente que nunca sossegou. Que acredita que o melhor caminho para se definir um campeão nacional seria o dos mata-matas. Ignoram, ao mesmo tempo, que a Copa do Brasil  já é toda disputada no sistema eliminatório, com jogos lá e cá, supostamente dando conta desse tipo de emoção. 

Agora, se o mata-mata é a melhor forma de se medir a qualidade de uma equipe, o retrospecto dos campeões copeiros na Libertadores do ano seguinte é um péssimo sinal. Desde que o Brasileirão estabilizou seu regulamento geral, esses times vêm acumulando fiasco atrás de fiasco na hora de enfrentar concorrência continental. É contra essse pálido aproveitamento que o Palmeiras , recém-coroado após uma final realmente emocionante contra o Santos, vai lutar.

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De 2004 para cá, em 12 edições, há apenas duas exceções de boas campanhas pela América. O Santos de 2010-11, ainda com a duplinha Neymar-Ganso, foi o único que conseguiu, digamos, validar seu título em ambas as esferas. Já o Fluminense de 2008-09, com Fred no comando do ataque e um elenco turbinando pelo dinheiro de sua antiga parceira, chegou à final, mas acabou barrado no baile pela LDU equatoriana. 

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De resto, não só não houve nenhum finalista latino-americano oriundo da Copa do Brasil, como a esmagadora maioria desse contingente caiu de modo precoce pela Libertadores. Seis equipes morreram nas oitavas de final: o Cruzeiro de 2003-04 (também campeão brasileiro, diga-se), o Flamengo de 2006-07, o Sport de 2008-09, o Corinthians de 2009-10, o Palmeiras de 2012-13 e o Atlético-MG de 2014-15. 

Além disso, as zebraças Santo André (2004-05) e Paulista de Jundiaí (2005-06) e o Flamengo de 2013-14 não passaram nem mesmo da fase de grupos. 

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EFE
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O Vasco 2011-12 de Ricardo Gomes e Cristóvão Borges foi até as quartas de final, depois de ficar em segundo na fase de grupos e seria eliminado pelo Corinthians num confronto duríssimo, em que um centímetro a menos de luva do goleiro Cássio talvez . pudesse ter feito toda a diferença para os cruz-maltinos. Foi realmente no mínimo detalhe em que o goleiro fez aquela defesa inesquecível diante de Diego Souza no Pacaembu. Por outro lado, um melhor rendimento na primeira fase talvez tivesse simplesmente tirado os vascaínos da chave dos eventuais campeões. 

Também não importa a composição da Copa do Brasil ou o período em que ela tenha terminado. Vamos lembrar que, por cortesia da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), o torneio passou por uma série de modificações desde a sua concepção em 1989. Na fase recente, paralela aos pontos corridos, a competição teve um salto de 64 times para 87 em 2013, ano em que, enfim, a entidade liberou que os participantes da Libertadores do mesmo ano também a disputassem. 

De 2003 a 2012, a data de encerramento do torneio de mata-mata alternou entre junho e agosto. Com um pouco mais ou menos de um semestre até o início da Libertadores, era tempo suficiente para que os elencos vencedores fossem desmanchados, passando por duas janelas de transferência do mercado europeu, por exemplo. De 2013 para cá, porém, com "força máxima", esse contexto não foi alterado. 

Outro dado intrigante é o fato de o campeão da Copa do Brasil já ter sido eliminado em quatro ocasiões por um time conterrâneo que tenha feito boa campanha no Brasileirão. O Sport perdeu para o Palmeiras em 2009, o Corinthians, para o Flamengo 2011, o Vasco, para o Corinthians em 2012, e o Atlético-MG, para o Internacional neste ano.


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