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Uma das partidas mais emocionantes do futebol brasileiro, Batalha dos Aflitos teve heróis improváveis e virou até filme

Anderson reclama com Djalma Beltrami após marcação do pênalti
Divulgação/Grêmio
Anderson reclama com Djalma Beltrami após marcação do pênalti

Um dos jogos mais épicos da história do futebol brasileiro, a partida entre Náutico  e Grêmio , valendo o acesso à Série A do Campeonato Brasileiro de 2006, completa dez anos nesta quinta-feira. Conhecida como A Batalha dos Aflitos, em referência ao local em que foi disputada, no Recife, a partida contou com momentos de dramaticidade e brilhantismo e acabou com a glória tricolor sobre as lágrimas do adversário.

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O Grêmio entrou em campo precisando de pelo menos um empate para garantir o acesso à Série A. Em uma partida equilibrada, o Náutico teve as melhores chances, chegando a disperdiçar uma cobrança de pênalti na primeira etapa. Já nos acréscimos da partida, o árbitro Djalma Beltrami marcou novo pênalti para a equipe de pernambuco depois de toque no braço de Nunes dentro da área. Após 25 minutos de reclamações, quatro expulsões e ameaças da equipe gremista abandonar o campo, o goleiro Galatto defendeu a cobrança de Ademar e evitou a derrota. Com o acesso praticamente garantido, Anderson aproveitou o contra-ataque seguinte e marcou o gol que, além de sacramentar a vaga na elite, garantiu o título da Série B aos gaúchos.

Nesta data de tamanha alegria do torcedor gremista, o iG conta algumas das histórias daquela partida para o Grêmio e seus personagens.

1) O sucesso de Mano Menezes

Mano Menezes foi o técnico gremista na Batalha dos Aflitos
SÉRGIO BARZAGHI/GAZETA PRESS
Mano Menezes foi o técnico gremista na Batalha dos Aflitos

Luiz Antônio Venker Menezes, o Mano, começou a se destacar no futebol treinando o Caxias, em 2005. Foi contratado pelo Grêmio para tentar trazer o time gaúcho de volta à elite do futebol nacional.

Depois de uma campanha inconstante nas duas primeiras fases, o técnico chegou à fase final do torneio pressionado pelos resultados. Em uma campanha de cinco jogos, com duas vitórias e três empates, a equipe entrou em campo nos Aflitos precisando de uma vitória contra a equipe do Náutico para sonhar com o retorno à Série A.

Com a histórica vitória, Mano Menezes se manteve no cargo e continuou sua história no Grêmio até 2008, ano em que conquistou mais dois títulos gaúchos e levou o Tricolor à final da Copa Libertadores. Voltou à Série B para ajudar o  Corinthians no seu retorno à elite e chegou até a seleção brasileira, pela qual conquistou a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012.

2) O brilho e a derrocada de Anderson

Anderson foi o herói gremista na Batalha dos Aflitos
Divulgação/Grêmio
Anderson foi o herói gremista na Batalha dos Aflitos

Com apenas 17 anos, Anderson era reserva daquele time dirigido por Mano Menezes. Na partida decisiva, entrou em campo aos 15 minutos do segundo tempo, sofria na marcação da equipe pernambucana e não conseguia criar. Depois de toda a confusão do pênalti perdido por Ademar, o meia aproveitou uma desatenção da zaga do Náutico e articulou a jogada do gol decisivo, aos 61 minutos do segundo tempo.

O gol projetou o jovem ao mundo. Após a partida, ele se transferiu para o  Porto , pelo qual foi bicampeão português e campeão da Taça de Portugal. Contratado pelo Manchester United , se tornou um reserva importante da equipe de Alex Ferguson em diversos títulos, destacando as conquistas da Liga dos Campeões  e do Mundial de Clubes de 2008.

Sem espaço após a saída do histórico treinador, Anderson foi emprestado para a Fiorentina, pela qual não teve destaque, antes de se transferir para o grande rival do Grêmio, o Internacional , pelo qual conquistou o Campeonato Gaúcho de 2015.

3) O "primeiro pênalti"

O principal lance da Bataha dos Aflitos ocorreu quando Ademar partiu para cobrar o pênalti defendido pelo goleiro Galatto. Poucos se lembram, porém, que ainda no primeiro tempo o Náutico teve outra chance de abrir o placar.

Aos 33 minutos do primeiro tempo, Paulo Matos recebeu passe de Kuki dentro na área. O zagueiro Domingos tentou o desarme, mas acabou derrubando o jogador e Djalma Beltrami marcou pênalti. Bruno Carvalho partiu para a cobrança e acertou a trave gremista, dando início à saga de milagres e emoções que envolveram a partida.

4) Do banco ao título: Galatto

Galatto defende cobrança de pênalti e vira herói nos Aflitos
Divulgação/Grêmio
Galatto defende cobrança de pênalti e vira herói nos Aflitos

Um dos grandes heróis da Batalha dos Aflitos não começou a temporada como o grande homem de confiança de Mano Menezes.

Galatto era reserva do goleiro Márcio, promessa revelada pelo  São Paulo , que apesar de ser o titular durante o rebaixamento manteve-se como o dono do gol gremista. Durante o campeonato, ele se machucou e foi devolvido ao clube paulista para se recuperar. Galatto venceu a disputa com Marcelo Grohe (atual titular do Grêmio) e se tornou o titular para fazer história. O goleiro passou ainda por Atlético-PR e pelo futebol europeu. Atualmente, é goleiro do Juventude.

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5) Coisa de cinema

Mano Menezes e Anderson participam do documentário que conta a história do jogo
Divulgação/Grêmio
Mano Menezes e Anderson participam do documentário que conta a história do jogo

Um bom filme possui em seu roteiro um drama inicial, um climax de tensão e um final feliz, além de heróis e vilões.

Desta forma, nada mais justo que a história da Batalha dos Aflitos ganhasse as telas de cinema. O jogo se tornou um documentário chamado "Inacreditável - A Batalha dos Aflitos", dirigido por Beto Souza e lançado em 2007.

Com depoimento dos principais membros do título gremista e de torcedores ilustres, como Luiz Felipe Scolari, o documentário conta de forma detalhada todo o ano do time, culminando com o épico desfecho vitorioso. O filme foi o vencedor do Prêmio Cinefoot 2010 como melhor filme de longa metragem, sendo exibido também em diversos festivais com temática esportiva ao redor do mundo.

Confira o trailer do documentário "Inacreditável - A Batalha dos Aflitos":

No mesmo ano de 2007, o Náutico lançou o Documentário "Batalha dos Aflitos II - A volta por cima", que contava a história do retorno da equipe à Série A no ano de 2006 começando na derrota para o Grêmio e terminando depois de novo jogo dramático em seu estádio que garantiria o acesso à elite.

6) O nascimento do Imortal

Torcida gremista apelidou o time de imortal após a Batalha dos Aflitos
Divulgação/Grêmio
Torcida gremista apelidou o time de imortal após a Batalha dos Aflitos

A vitória nos Aflitos deu início a uma fama que virou motivo de orgulho gremistas e de muitas piadas dos rivais. Considerando que a equipe estava praticamente morta na partida (e a permanência na Série B poderia significar um prejuízo financeiro que geraria falência do clube) e que o gol de Anderson evitou o pior, a torcida passou a dizer que o Grêmio era Imortal.

A fama se consolidou com a campanha no Campeonato Brasileiro de 2006 no qual, recém-promovido a série A, conseguiu a vaga na Libertadores.

E no torneio continental a equipe de Mano Menezes conseguiu, no mata-mata, reverter resultados contra São Paulo e Defensor Sporting, além de conseguir um gol decisivo contra o Santos na semifinal, o que só aumentou a fama.Na final acabou derrotado pelo Boca Juniors com duas derrotas.

O rivais usam as derrotas da equipe (a própria final da Libertadores 2007, por exemplo) para dizer que o "Imortal morreu".

Veja os principais lances de Náutico 0 x 1 Grêmio, em 2005:


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