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Presidente licenciado da Uefa é acusado de participação em esquemas de corrupção da Fifa e está suspenso por 90 dias

EFE

Michel Platini pode ser proibido de trabalhar em qualquer atividade relacionada ao futebol
Getty Images
Michel Platini pode ser proibido de trabalhar em qualquer atividade relacionada ao futebol

A câmara de investigação do Comitê de Ética da Fifa pedirá a expulsão vitalícia do presidente da Uefa, Michel Platini, por corrupção, informaram à Agência Efe os advogados do ex-jogador francês.

A decisão do Comitê de Ética da entidade, presidido pelo alemão Hans-Joachim Eckert, será oficialmente anunciada em dezembro.

Caso o Comitê siga a recomendação dos investigadores, será o fim da trajetória de Platini no futebol, em um momento em que o atual presidente da Uefa, suspenso provisoriamente até 5 de janeiro, almeja a candidatura à presidência da Fifa nas eleições de 26 de fevereiro.

A sentença da câmara de investigação, presidida por Vanessa Allard, de Trinidad e Tobago, é "absurda e delirante" e "descredita definitivamente a Fifa", disse o advogado de Platini, Thomas Clay.

De acordo com a defesa, a câmara de investigação do Comitê de Ética, que apura o pagamento de 1,8 milhão de euros da Fifa a Platini em 2011, pediu na semana passada a maior pena possível.

Veículos da imprensa especulavam sanções de até seis anos, o que também impediria a candidatura de Platini para a Fifa, mas, segundo os advogados do francês, a punição pedida vai muito mais longe.

A expulsão vitalícia só foi ditada duas vezes pelas instâncias da Fifa: contra o americano Chuck Blazer, ex-integrante do Comitê Executivo e ex-secretário-geral da Concacaf, e contra o ex-presidente da Concacaf Jack Warner, de Trinidad e Tobago.

Ambos estão envolvidos em um caso de cobrança de propina e lavagem de dinheiro avaliado em aproximadamente 150 milhões de euros.

"A desproporção do pedido desacredita o trabalho judicial da senhora Allard, que não é sério", afirmou Clay. O assessor jurídico de Platini considerou que a câmara de investigação não se baseou em provas e, em particular, que a sentença está sustentada na hipótese de que não existia contrato entre Platini e a Fifa, o que, segundo ele, "é totalmente falso".

O advogado lembrou que no direito suíço o contrato verbal é legal e que no caso atual tanto o contratado quanto o contratante reconhecem sua existência, o que torna dispensável a necessidade de um contrato escrito. Ele ainda acrescentou que havia uma vinculação trabalhista entre seu cliente e a entidade máxima do futebol mundial.

Os advogados de Platini apelaram à Corte Arbitral do Esporte na última sexta-feira contra a suspensão provisória. Clay revelou ter fé na entidade por vê-la como "a única instância esportiva que emprega argumentos jurídicos".

"Há muita gente que quer que Platini dirija a Fifa e não será a senhora Allard quem vai impedir. Platini pode ser um dirigente formidável, tem o carisma para isso. Por isso há esta caçada contra ele", denunciou.

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