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Time pernambuco deixou a elite nacional em 2006 e chegou a jogar a Série D. Neste sábado, entra em campo por uma vitória contra o Mogi Mirim para selar retorno ao Brasileirão

Grafite foi um dos pilares da reação do Santa Cruz na Série B
Antonio Melcop/Santa Cruz
Grafite foi um dos pilares da reação do Santa Cruz na Série B

O Santa Cruz  entra em campo neste sábado, às 17h30 (de Brasília), no Estádio Novelli Junior, em Itu, para enfrentar o Mogi Mirim  mirando os três pontos que garantem o acesso à Série A do Campeonato Brasileiro em 2016. Bragantino, Náutico, Sampaio Corrêa, Paysandu e Bahia torcem contra para seguirem com chances de classificação.

Esta é a primeira chance real que a equipe de Pernambuco tem de retornar à elite desde o rebaixamento, em 2006. A partir de então, o Santa Cruz sofreu no limbo do futebol nacional com rebaixamentos consecutivos e derrotas, mas viu a força do amor, pouco a pouco, reerguer o clube.

Veja a classificação, tabela de jogos, artilharia e notícias da Série B do Brasileirão

O Santa Cruz entrou na Série A do Campeonato Brasileiro de 2006 credenciada pela boa campanha realizada no ano anterior, quando ficou com o vice-campeonato da Segunda Divisão. O técnico Giba chegou no início da temporada e conseguiu levar o time ao vice-campeonato do Pernambucano, perdendo a final para o Sport . Depois de quatro partidas sem vitórias, o treinador foi substituído pelo veterano Valdir Espinosa, que não conseguiu evitar o rebaixamento e assistiu ao time passar a maior parte do campeonato na última colocação, em uma campanha final de 28 pontos em 38 jogos.

Com a chance de colocar tudo em seu lugar, o ano de 2007 também se mostrou péssimo para o clube, que não disputou o título pernambucano e com outra péssima campanha acabou rebaixado à Série C, com 42 pontos em 38 jogos. Quis o destino que o Santa Cruz entrasse para a história em 2008 de uma maneira triste ao realizar nova campanha abaixo do esperado, sendo relegada para a Série D, se tornando a primeira equipe na história com três rebaixamentos consecutivos no Brasileiro. Permaneceu na Quarta Divisão até 2011, quando a história começou a virar em favor do tricolor pernambucano.

Leia: Santa Cruz bate Botafogo, adia título e acessos da Série B estão quase definidos

De cara, voltou a decidir o Campeonato Pernambucano depois de cinco anos enfrentando, novamente, o Sport. Na decisão, o time comandado pelo ex-lateral Zé Teodoro colocou 62.243 pessoas no Arruda e, apesar de perder por 1 a 0, conseguiu o título estadual pela 25ª vez.

Depois de ser eliminada pelo São Paulo  na Copa do Brasil, a equipe pernambucana focou todas as atenções para a Série D. Em 17 jogos conseguiu sete vitórias, seis empates e quatro derrotas, ficando com o vice-campeonato, logo atrás do Tupi, garantindo o acesso.

Foi na Série D que a paixão do torcedor do Santa Cruz se mostrou uma importante aliada. Mesmo na faixa mais inferior do futebol brasileiro, o time pernambucano conseguiu a melhor média de público de todas as divisões do futebol nacional e levou quase 40 mil torcedores por partida.

Depois de conquistar mais duas vezes o Campeonato Pernambucano, ambos em cima do Sport, o Santa Cruz conseguiu nova redenção no futebol nacional, desta vez ao conquistar a Série C de 2013, com 15 vitórias, cinco empates e seis derrotas em 26 jogos, obtendo a melhor média de público do torneio: 26.578 torcedores por jogo, muito graças à partida das quartas de final, na qual 57.273 espectadores foram ao Arruda para assistir à vitória sobre o Betim.

A temporada seguinte marcaria o centenário do clube, que depois de temporadas de glórias consecutivas passou em branco, ficando em quarto no campeonato estadual e nono na Série B, o que geraria uma temporada de 2015 com muitas desconfianças do torcedor coral que, apesar disso, seguia apoiando a equipe.

Sob comando do ex-meia e agora técnico Ricardinho, campeão mundial com a seleção brasileira em 2002, o Santa Cruz reencontrou o rumo no Campeonato Pernambucano e, apesar de uma campanha irregular, ficou com a taça ao vencer o Salgueiro, no Arruda, por 1 a 0, gol marcado por Anderson Aquino. A conquista do 28º estadual seria o presságio do que viria pela frente na temporada.

Marcelo Martelotte é o técnico do Santa Cruz
Antonio Melcop/Santa Cruz
Marcelo Martelotte é o técnico do Santa Cruz

Depois de sete jogos em que conseguiu apenas uma vitória, Ricardinho foi demitido e em seu lugar entraria Marcelo Martelotte. A troca de treinador foi o primeiro fator responsável pela virada do Santa Cruz na competição. É a terceira passagem de Marcelo pela equipe, com duas conquistas de estadual. Como goleiro, faturou o Campeonato Pernambucano de 1993 e como técnico levou a equipe ao título de 2003.

A reestréia de Martelotte aconteceu no empate por 3 a 3 contra o Ceará , que manteve a equipe na zona de rebaixamento. A partir de então, embalou uma sequência de cinco vitórias, um empate e duas derrotas que tiraram o time da 18ª posição direto para a 11ª colocação. Foi então que entrou em campo um fator que chegaria para escrever a história do Santa Cruz no campeonato: a volta do atacante Grafite.

Edinaldo Batista Libânio, o Grafite, começou a carreira no interior do futebol paulista, passando por Matonense e Ferroviária, mas foi pelo Santa Cruz que o atacante ganhou projeção nacional, com 16 gols marcados entre 2001 e 2002. Depois de passar por Grêmio  e Goiás , chegou ao São Paulo, pelo qual venceu a Libertadores e o Mundial de Clubes de 2005, chegando até a seleção brasileira.

Em 2006, Grafite deu início à vida fora do país. Passou por Le Mans, Wolfsburg, Al-Ahli e Al-Sadd antes de acertar seu retorno ao Santa Cruz. O atacante tinha propostas de continuar no futebol árabe e também de clubes da Primeira Divisão, mas optou pelo clube que o revelou para o mundo.

"O Santa Cruz foi o começo da minha carreira, é o clube que me revelou para o futebol brasileiro, o clube em que tive muitas alegrias mesmo não jogando muito tempo", disse o atacante. "Depois de dez anos fora do país, achei que era a hora de voltar e o Santa Cruz me apresentou um projeto muito bom, que vai dar resultados bons para o clube e para mim. Foi uma grande escolha e acho que escolhi certo ao voltar pro Santa Cruz, para Recife, e espero poder repetir o sucesso que tive em outros clubes", completou. Em sua apresentação, cerca de 7 mil torcedores compareceram ao Arruda.

Grafite voltou ao Santa Cruz e foi recebido com festa
Antonio Melcop/Santa Cruz
Grafite voltou ao Santa Cruz e foi recebido com festa

Grafite reestreou em partida contra o Botafogo , que até então havia liderado o campeonato, jogando no Arruda. Diante de 43.220 mil torcedores, o maior do campeonato, a equipe venceu por 1 a 0 com gol do atacante.

A torcida, novamente, teve papel determinante na campanha, uma vez que o clube possui a terceira melhor média de público da Série B e a 13ª de todas as divisões. O Santa Cruz leva vantagem sobre 11 clubes da Série A no levantamento de torcedores e está a frente dos três clubes que lideram a segunda divisão. Ainda, tem média de público maior que seis dos sete clubes que disputam diretamente com a equipe a vaga na primeira divisão, perdendo apenas para o Bahia .

Na volta dos atletas depois do jogo contra o Botafogo, que aproximou de vez a equipe da classificação à Série A, a força da torcida ficou clara e cerca de mil torcedores compareceram ao aeroporto para recepcionar os jogadores. Veja o vídeo:

Com Martelotte, Grafite e a força da torcida, estava desenhada a reação. Foram 12 vitórias, três empates e cinco derrotas que deixaram o Santa Cruz próximo do acesso. Precisando de apenas uma vitória, a equipe entra em campo diante do já rebaixado Mogi Mirim com a esperança de deixar para atrás os anos tristes e, principalmente, mostrar que o amor é capaz de erguer um dos mais tradicionais clubes do futebol brasileiro.

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