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Sem convencer nos dois primeiros jogos, Brasil tem missão de resgatar bom futebol contra rival desfalcada em Buenos Aires

Neymar em treino da seleção brasileira na Arena Corinthians
André Mourão/MoWA Press
Neymar em treino da seleção brasileira na Arena Corinthians

O Brasil não se considera favorito contra a Argentina na partida desta quinta-feira, 22h, em Buenos Aires. Mas só a seleção de Dunga tem força máxima no confronto de rivais que não vêm nada bem para o duelo pela terceira rodada das eliminatórias para a Copa do Mundo de 2014. Dunga tem Neymar. Gerardo Martino, o técnico argentino, não tem Messi, Aguero e Tevez.

A Argentina joga pressionada depois de uma derrota em casa para o Equador e um empate fora contra o Paraguai. Nos dois jogos não marcou nenhum gol. O Brasil, que perdeu para o Chile e venceu a Venezuela pode ao menos ter um respiro. Mas com Neymar, Dunga, que tem o cargo ameaçado pelos maus resultados em jogos oficiais em 2015, vê a chance de ter uma sobrevida se afundar o rival continental na sua crise. 

"Nunca foi fácil jogar uma eliminatória e a tendência é que as dificuldades aumentem. Pressão e cobrança na seleção brasileira sempre existiram. Mas falam muito em continuidade de trabalho, em sequência, mas quando os resultados não vêm, não se fala do trabalho, não se tem paciência. Só pra ver o quanto é importante o resultado na seleção brasileira", disse Dunga na véspera da partida. 

Dunga conversa com Daniel Alves após treino da seleção brasileira em Itaquera
André Mourão/MoWA Press
Dunga conversa com Daniel Alves após treino da seleção brasileira em Itaquera

O treinador sabe que a paciência dos dirigentes da CBF em relação ao seu trabalho pode acabar a qualquer momento. Uma informação do jornalista Raul Quadros, um dos mais experientes da imprensa esportiva brasileira, dá conta de que Tite será o técnico da seleção no início de 2016. Dunga ouviu isso e sabe que se seu time não apresentar um futebol convincente contra a Argentina e contra o Peru, na próxima terça-feira em Salvador, sua continuidade no cargo estará seriamente ameaçada. E ele contesta essa ideia.


"Falamos de trabalho a longo prazo, aí em dois jogos quer que resolvamos os problemas de antes. Não somos mágicos. Tem que ter repetição, trabalho. O torcedor tem que entender que os jogadores chegaram de viagem na segunda, na terça, treinamos na terça. É uma dificuldade muito grande superar isso", comentou Dunga.

Os dois treinos da seleção brasileira em São Paulo foram feitos com portões fechados durante as atividades que poderiam dar alguma pista sobre o time que entrará em campo. Mas a tendência é de que Dunga teste um ataque mais leve com Douglas Costa, Oscar, Willian e Neymar para surpreender a Argentina no contra-ataque, assim como fez o Equador na partida de estreia do rival brasileiro desta quinta. 

Vídeo Fox Sports: Dunga minimiza desfalques da Argentina e descarta favoritismo

Argentina em crise
Se a situação de Dunga na seleção do Brasil está complicada, a de Tata Martino na da Argentina é pior. Além dos desfalques no ataque já citados, o técnico tem problemas na defesa. Não vai contar com o lateral-direito Zabaleta e o zagueiro Garay, dois titulares que ajudariam muito a parar Neymar, que foi treinado por Martino em seu primeiro ano no Barcelona. "Neymar evoluiu muito. Com certeza é um dos jogadores que estão acima da média no futebo mundial e o Brasil vai ganhar muito com sua volta", disse. 

A seleção argentina que buscará sua primeira vitória nas eliminatórias para a Copa de 2018 deve entrar em campo com Romero; Roncaglia, Funes Mori, Otamendi e Rojo; Mascherano, Banega e Biglia; Lavezzi, Di María e Higuaín. 

Rivalidade
Para Dunga, a Argentina tentará jogar mais duro para tentar minimizar a ausência de jogadores importantes. Mas isso sem ser desleal. O técnico avalia que o profissionalismo vai prevalecer. 

"A gente tem conversado que tem essa rivalidade, mas o jogador brasileiro sabe fazer uma coisa, que é jogar futebol. Tem que estar concentrado e jogar futebol. Tem a pressão da torcida, eles passam por um momento delicado. Mas o futebol tem evoluído, como você falou, agora tem mais respeito. Antes era guerra, agora tem o respeito profissional", comentou o técnico que há um ano, no último encontro com os argentinos em amistoso em Pequim, saiu do sério e fez gestos obscenos para os rivais

Dunga faz gesto polêmico em provocação a auxiliares da seleção argentina
Reprodução/SporTV
Dunga faz gesto polêmico em provocação a auxiliares da seleção argentina


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