Tamanho do texto

Jérôme Champagne é um dos candidatos na eleição da Fifa e atendeu o iG com exclusividade. Veja o que pensa um dos homens que podem mudar os rumos do futebol mundial

Jérôme Champagne é um dos candidatos à presidência da Fifa
Getty Images
Jérôme Champagne é um dos candidatos à presidência da Fifa

Um dos sete pré-candidatos à presidência da Fifa fala português, morou no Brasil entre 1995 e 1997 e conhece bem os problemas do futebol brasileiro. É amigo de Pelé e ganhou o apoio de Zico, preterido da disputa. Ele é o francês Jérôme Champagne, de 56 anos, e que tenta voltar à Fifa, onde trabalhou por 11 anos entre 1999 e 2010. 

Sem intermédio de assessores de imprensa, Champagne agendou pelo seu email pessoal a entrevista por telefone que concedeu ao iG no último dia 5 de novembro. A conversa durou cerca de 40 minutos e passou por questões chave do processo de reforma pelo qual a combalida Fifa vem passando. Ele já havia tentado ser candidato na eleição de maio deste ano, mas não conseguiu apoio. Agora está confiante.

Ex-braço de direito de Joseph Blatter, presidente afastado do cargo, ele defendeu o legado que deixou na entidade citando seus feitos, propôs uma maior democratização do futebol e evitou criticar seus concorrentes ao cargo (mesmo assim cutucou Michel Platini). Tema polêmico desde o início da crise da Fifa, a escolha das sedes das duas próximas Copas também foi elogiada pelo candidato. 

Leia a entrevista com Jérôme Champagne

iG: Qual é o tamanho do desafio de quem assumir a Fifa em fevereiro do ano que vem?
Champagne: É um grande desafio. É complexo, mas também excitante. A Fifa passa por uma crise difícil, uma crise de reputação, de credibilidade. Mas a Fifa já passou por crises muito fortes. No ano 2001 as empresas de marketing que vendiam os direitos de TV da Fifa, como a ISL, quebraram em abril. Nessa época a Fifa não tinha recursos, não tinha uma solidez financeira. Hoje a crise é muito grave, uma crise de imagem, de credibilidade, mas a Fifa continua. A Copa do Mundo de futebol feminino em julho no Canadá foi um êxito, um sucesso fantástico. A Copa do Mundo de futebol de praia em Portugal também. Agora tivemos a Copa do Mundo sub 17 no Chile. As competições funcionam bem. Os programas de desenvolvimento continuam e hoje as reservas financeiras da Fifa são de 1,5 bilhão de dólares. É uma crise forte, mas as bases fundamentais da Fifa são fortes e eu, como uma pessoa que trabalhou na Fifa, sei exatamente o que temos de conservar, o que tem de continuar sendo bem feito e o que temos de mudar na reforma.

E quais são as mudanças que o senhor propõe?
Hoje os governos e empresas tem uma imagem desgastada. Há uma decepção geral. E a Fifa tem que se modernizar. Criar um grupo de gestão de futebol profissional, lançar um programa, por exemplo, de recorte de 5% de todas as receitas para o desenvolvimento do futebol nos continentes que não pode ser tocado, recompor o Comitê Executivo da Fifa fazendo um equilíbrio entre os continentes além de ter representantes dos jogadores, dos clubes e das ligas. Ao mesmo tempo tem que impor padrões maiores de ética e de responsabilidade. Temos muito o que fazer, mas é um desafio muito excitante.

O senhor trabalhou por 11 anos na Fifa. Em algum momento desconfiou que poderia haver gente trabalhando com o senhor envolvida em atividades suspeitas?
Posso dizer sem nenhuma dúvida que há uma diferença entre suspeitas e realidade. Você sabe muito bem a história do “voo da muamba”, o voo que trouxe a delegação da seleção brasileira da Copa de 1994. Morei no Brasil entre 1995 e 1997 e todos falavam do voo da muamba. Mas foi preciso um processo de 14 anos para se saber toda a verdade. Então há sempre um grande espaço entre o que se suspeita e o que se sabe. (Ricardo Teixeira só foi condenado pelo 'voo da muamba' em 2009) . Eu saí da Fifa em junho de 2010. Em 2012, 2013 li na imprensa que as contas da Concacaf eram contas particulares do (Jack) Warner (ex-presidente da entidade e um dos envolvidos no atual caso de corrupção da Fifa) . Quem sabia? Antes disso, ninguém sabia. Então é um trabalho complicado. Se sabe muito mais depois. Não é possível saber de tudo lá dentro.

Em 2003, Champagne comandou sorteio dos grupos das eliminatórias para a Copa do Mundo de 2006. Michael Schumacher participou
Arne Dedert/EFE
Em 2003, Champagne comandou sorteio dos grupos das eliminatórias para a Copa do Mundo de 2006. Michael Schumacher participou

Então o senhor suspeitava de alguns dirigentes naquela época e agora se comprovou?
Por exemplo, não tenho problema nenhum com isso. Em 2008 a Fifa organizou um congresso em Sidney, na Austrália. Na volta, todos os dirigentes africanos, ao invés de voltar direto para seus países, passaram por Kuala Lumpur, na Malásia, que é a sede da Federação Asiática de Futebol (AFC). Disseram que eram visitas protocolares para estreitar relações. Cinco anos depois, investigações comprovaram que o presidente (da AFC) Bin Hamman estava dando dinheiro a eles. Ninguém sabia disso se não eles mesmos. (Hamman foi banido da Fifa em 2011)

O senhor consegue garantir que os membros da sua diretoria serão limpos?
Primeiramente, uma coisa muito importante mudou nos últimos anos. Antes, a Fifa não poderia iniciar uma investigação sem a aprovação do secretário-geral. Então por essa razão, quase nenhuma investigação foi feita antes de 2012. Nesse ano, o presidente Blatter apresentou três reformas no congresso da Fifa em Budapeste, e uma delas é que o comitê de ética da Fifa tem independência total e poder iniciar ele mesmo qualquer investigação sem aprovação superior qualquer. Isso foi um terremoto. E depois disso você viu o que aconteceu. Com essa independência a quantidade de pessoas julgadas, suspensas. O sistema hoje é totalmente diferente. Temos um mundo mais consciente da necessidade de lutar contra a corrupção. Então não tenho nenhum medo. No futuro a Fifa vai ter um comportamento bem melhor pelo papel que já tem hoje o comitê de ética da Fifa.

O senhor tem algum receio de perder votos por ter trabalhado na gestão de Blatter?
Não entendo sua pergunta, mas vou responder. Eu trabalhei por 11 anos na Fifa e tenho muito orgulho do que eu fiz. Vou dar dois exemplos. Você viu que um jogador francês (Anthony Martial) se transferiu do Monaco para o Manchester United por uma soma de quase 80 milhões de euros. Esse jovem, por causa dessa transferência, permitiu que um pequeno clube francês da sétima divisão (Les Ulis, onde iniciou a carreira) recebesse quase meio milhão de euros. Isso aconteceu porque em 2000 e 2001, em negociação com as ligas europeias, lançamos um mecanismo de solidariedade em que quase 5% das transferências internacionais devem ser destinadas aos clubes que formaram o jogador entre 12 e 21 anos. Tenho orgulho disso. Vou contar outro exemplo. Um país lusófono, como Cabo Verde. Estive lá quando a confederação cabo-verdiana não tinha nada e a Fifa investiu em estádios, centros técnicos, sede da confederação, deu dinheiro para que a federação pudesse pagar o avião dos jogadores que jogavam nas ligas profissionais da Europa para jogar com a seleção nacional, os “Tubarões Azuis”. Em 56 anos, entre a fundação da Copa Africana de Nações, em 1957 até 2013, nunca os “Tubarões Azuis” se classificaram. Se classificaram em 2013, quando até avançaram para as quartas de final. Agora em 2015 lideraram as eliminatórias e já estão na edição de 2017. Cabo Verde é um ótimo exemplo do investimento acompanhado dos resultados. É certo que temos de melhorar em todos os países e controlar melhor como esse orçamento da Fifa é distribuído e gasto. Mas o resultado é forte. Então, por todos os anos em que trabalhei na Fifa eu não tenho nenhuma vergonha. Tenho muito orgulho do trabalho que fiz durante 11 anos. E isso eu vejo como uma vantagem. Depois de eu ter saído da Fifa em 2010 eu sei exatamente o que podemos conservar e o que podemos ampliar e o que temos de mudar e reformar.

Lei da solidariedade: Venda de Martial ao Manchester United rendeu frutos ao time que o formou
Shaun Botterill/Getty Images
Lei da solidariedade: Venda de Martial ao Manchester United rendeu frutos ao time que o formou

O senhor fica feliz em poder voltar à Fifa sem alguns membros dela que estão suspensos ou banidos?
Veja bem, esse não é um problema pessoal. Isso é uma campanha. Deve ser uma campanha aberta, democrática, em que não confrontamos pessoas, mas sim visões, plataformas e  programas. O desafio da Fifa em reconstruir sua imagem, o desafio de mudar o futebol mundial que cresceu com a globalização, mas com muitas desigualdades entre os continentes. Tudo isso faz com que a Fifa necessite de um debate aberto, não um debate de pessoas. Eu não fico contente com os problemas que algumas pessoas da Fifa têm. Eu fico só motivado pelo trabalho de reconstruir, difundir ideias e trabalho pela reconstrução. Isso é importante. Os problemas pessoais devem ficar nos processos jurídicos na Fifa e na justiça suíça e não vou comentá-los.

O senhor fala em reservar 90% das receitas da Fifa para a ajuda de federações mais pobres. Como fazer isso?
Alguns na Europa pensam que uma federação de um país que é só uma ilha, um arquipélago, na Oceania ou no Caribe, precisa de menos dinheiro porque são de uma pequena ilha, mas é exatamente o contrário. Por serem pequenos necessitam mais. Eles não tem empresas que podem ajudar o futebol, não tem governos com recursos, e uma indústria do turismo voltada só para o exterior. Por exemplo a federação da Oceania, onde está Papua Nova Guiné. A equipe nacional desse país, um grande país, pode jogar só dois jogos amistosos todos os anos porque não tem como pagar avião. Há mais de 100 das 209 federações da Fifa nessa situação. Isso sim é um desafio para o presidente da Fifa. Hoje eu moro na Suíça. No meu condomínio em Zurique temos seis campos de futebol. Cinco naturais e um artificial. Cito isso só para dizer que só no meu prédio no subúrbio de Zurique há mais campos de futebol de qualidade do que em toda a República Democrática do Congo, o maior país da África, com 70 milhões de habitantes, com clubes importantes como o Mazembe. Essa desigualdade é que não pode continuar. A distribuição de dinheiro da Fifa deve ser completamente diferente. Temos que fazer mais. Por isso tenho uma plataforma para continuar o que já foi bem feito por mim, pessoalmente, e amplificar a construção de campos artificiais para quem precisa mais.

PSG coleciona títulos na França e deve seguir assim. Para Champagne, a Fifa deve agir
Divulgação/C.Gavelle/PSG
PSG coleciona títulos na França e deve seguir assim. Para Champagne, a Fifa deve agir

Com essa plataforma, pensando que a maioria das federações que votam para presidente da Fifa são mais pobres, o senhor acha que esses países podem ajuda-lo a vencer a eleição?
Claro que sim. Mas não quero criar a ideia da Europa contra o resto do mundo. Não é isso. A Europa mesmo tem problemas muito fortes. No dia 9 de novembro se celebra o aniversário de 26 anos da queda do muro de Berlim. Nessa época a Europa era dividida, mas o futebol era mais homogêneo. Era possível que um clube como o Steaua Bucareste, em 1986, ou o Estrela Vermelha, de Belgrado, em 1991, ganhassem a Liga dos Campeões. Era possível o Ajax ser campeão da Europa, como em 1995. Você acha que isso hoje é possível?

Não é.
Então, o problema não é Europa contra o resto do mundo, ou alguns países contra outros. No meu país, a França. Todos já sabem que o campeão um ano após o outro será o Paris Saint Germain, que tem orçamento que é o dobro do segundo maior clube. A disputa no Campeonato Francês é a cada ano pelo clube que vai chegar em segundo. Não é questão de ricos contra pobres, mas sim tratar a desigualdade dentro de cada país, cada continente. A globalização oferece muitas oportunidades, mas os ricos estão cada vez mais ricos e os clubes médios estão mais enfraquecidos. É um problema não só do futebol, mas da nossa sociedade.

Mas como a Fifa pode interferir na gestão dos clubes e diminuir a atuação de milionários, da China, árabes, russos, como os que atuam no PSG?
Como já disse, primeiramente quero ampliar os programas de desenvolvimento. Depois temos de reconhecer que temos um problema de desigualdade. Que seja uma família, uma empresa privada, um país, se essas entidades não reconhecerem a existência do problema, esse problema nunca vai ser resolvido. A luta contra a desigualdade deve ser o centro das políticas da Fifa. E os grandes clubes da Europa devem se reconhecer como parte desse problema. Na Espanha, depois de muitos anos, os direitos de TV vão ser vendidos de forma coletiva. Não é possível que um grande clube como o Real Madrid ou o Barcelona ganhe 150 milhões de euros e um clube como o Almería ganhe apenas 15 milhões. Isso não é possível. Há muitas maneiras de combater a desigualdade: regulamentação, aumentar a parcela dos clubes formadores para incentivar a formação de mais jovens e discutir com as grandes ligas europeias e a Uefa esse problema. Outro problema. As TVs da Índia pagam 40 milhões por ano para transmitir a Liga Inglesa. Mas não há qualquer investimento no futebol indiano. É hora de discutir esse tema. Não tenho soluções para tudo, não tenho jeitinho para resolver tudo, mas há um problema reconhecido e estou disposto as medidas necessárias para diminuir esse problema.

Dos sete pré-candidatos, o senhor se vê mais preparado que os outros?
Primeiramente temos que esperar a publicação dos candidatos finais. Temos que esperar. Depois, não comento outros candidatos. A campanha não começou. O que posso dizer é que hoje somos só seis. Um dos sete está suspenso (Michel Platini). Sou o único que trabalhou na Fifa. Todos os demais têm funções representativas que se reúnem quatro, cinco vezes no ano, mas que não conhecem o mecanismo de funcionamento da Fifa. Sou o único que conhece. Segundo, sou uma pessoa que já morou em quatro continentes. Sou um cidadão do mundo. Conheço muitos países e a complexidade do mundo. Não sou uma pessoa arrogante que pensa que sou o único capaz de comandar a Fifa. Mas estou convencido, que com minha experiência como diplomata de carreira, inclusive no Brasil, ou dentro do futebol como jornalista esportivo na France Football, dentro da Fifa e depois que deixei a Fifa como consultor de várias federações e clubes pelo mundo, isso me dá uma vantagem. Morei no Brasil, em Cuba, em Los Angeles, nos Emirados Árabes, em vários países da Europa e conheço muito bem a África e a Ásia. Sou um verdadeiro cidadão do mundo.

Champagne com Michel Platini, Joan Laporta, ex-presidente do Barcelona e o técnico Frank Rijkaard em 2005
Cesar Rangel/Getty Images
Champagne com Michel Platini, Joan Laporta, ex-presidente do Barcelona e o técnico Frank Rijkaard em 2005

O senhor acha então que é um retrocesso se a Fifa aceitar Platini depois das denúncias contra ele?
Sou uma pessoa que acredita que nas democracias não temos que discutir publicamente as decisões da justiça. Hoje há uma investigação da Justiça Federal da Suíça e também da Comissão de Ética. Não vou comentar isso.

Os patrocinadores da Fifa fazem pressão contra a direção da entidade desde o início dessa crise. O senhor tem algum compromisso com eles caso seja eleito?
Não tenho nenhum compromisso com eles para depois das eleições. Acompanho o que dizem os patrocinadores. E entendo suas críticas. Mas só depois de 26 de fevereiro, dia da eleição, é que poderemos fazer as reformas necessárias. Então os patrocinadores precisam ter paciência, ver o que vai passar e vamos discutir depois.

Em relação às Copas do Mundo de 2018 e 2022 que enfrentam críticas e questionamentos dentro da Fifa e na Justiça. O que o senhor pensa delas?
Primeiramente penso em proteger a reputação da Copa do Mundo. O mundo hoje é muito dividido, muito complicado. A gente está dividido em um mundo por passaportes, classes sociais, religiões, idiomas, sexo. São muitas divisões, segregação e racismo. E a Copa do Mundo é quase um momento único de comunhão universal. Você, eu, todos os demais podemos ser orgulhosos das nossas cores. Sem ódio, sem diferenças. O mundo precisa da Copa do Mundo. Sobre a Rússia, o leitor do seu site tem que saber que a Rússia entrou na Fifa em 1912. E acho muito bom (ser sede da Copa). Depois veio o futebol soviético, o futebol russo brindou a história do futebol. Eles têm uma história muito forte com jogadores como o goleiro Yashin, a rapidez do Blokhin. Então a mim me parece que é bom que a Copa do Mundo volte à Europa, mas à sua parte oriental. Em relação ao Catar 2022 também acho justo entregar a Copa do Mundo a um país árabe. Essa parte do mundo, com sua cultura, também merecia receber a Copa do Mundo. Mas hoje temos dois problemas. Temos o problema dos trabalhadores (NR: há graves denúncias de trabalhos escravos nas obras dos estádios). Isso não é aceitável. E também há uma investigação sobre o que aconteceu no dia 2 de dezembro de 2010 (dia do anúncio do Catar como sede). Então para mim é claro. As Copas do Mundo na Rússia e no Catar foram boas decisões. Porém temos que esperar o resultado final das investigações. Esse processo é totalmente normal.

Mas o senhor pensa em mudar a forma como as sedes das Copas são escolhidas?
Até 2012 a Copa do Mundo era eleita por um grupo de 25 pessoas do comitê executivo. Depois foi decidido que para 2026 os votos serão das 209 federações filiadas. Então eu acho que essa é uma mudança fortíssima, suficiente. Claro que é importante colocar na discussão a questão dos direitos humanos. Isso é muito importante. Temos que preparar melhor os critérios para quem for se candidatar para a Copa do Mundo de 2026. Concordo que tem que haver critérios mais claros.

E em relação ao Brasil? José Maria Marin está preso e o atual presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, não viaja para o exterior. O senhor lamenta que a federação do país com mais títulos mundiais esteja nessa situação?
Na democracia existe um princípio da presunção da inocência. E esse princípio vale para todos. Vale para as pessoas que você mencionou e vale para todos. Na ditadura militar as pessoas eram culpadas quando eram inocentes. Na democracia é o contrário. E temos muita sorte de viver numa democracia. Não se pode julgar uma pessoa só por suspeitas e declarações. Temos de esperar a Justiça dar o veredicto final. Jornais, opinião pública, jornalistas, não são tribunais.

O Zico tentou ser candidato, não conseguiu, mas declarou que te apoia. Como recebeu essa declaração?
Foi uma honra fantástica ler que tenho o apoio de um ex-jogador com tanta representação, tanta projeção como é o Zico. Uma honra e uma responsabilidade ter esse tipo de declaração. Você sabe que o Pelé me apoiou na minha primeira tentativa e voltou a apoiar uma vez mais? Isso para mim é fantástico.

Champagne e Pelé em sorteio dos grupos das eliminatórias da Copa de 2006
Franck Fife/Getty Images
Champagne e Pelé em sorteio dos grupos das eliminatórias da Copa de 2006


Sim, soube do apoio do Pelé. Como vocês se conheceram?
Quando morava no Brasil o presidente era Fernando Henrique Cardoso e nesse governo o senhor Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, era o ministro dos esportes. Então o conheci durante minhas funções oficiais na Embaixada da França em Brasília e também nas vezes que houve visitas oficiais de representantes franceses no Brasil. Foi através disso que tive o privilégio de conhecer o Pelé. Eu trabalhei na comissão organizadora da Copa da França em 1998 então tive condição de continuar a encontrar o Pelé, como no sorteio dos grupos da Copa em dezembro de 1997. Depois disso ele voltou à França, conhecemos as famílias respectivas e tudo isso e nos encontramos outras vezes. Tenho uma imensa admiração pelo Pelé.

O senhor acompanha as questões do futebol brasileiro, lê jornais brasileiros. Como vê o Bom Senso FC e a participação de jogadores nas decisões técnicas das federações?
Não vou mexer numa questão interna do futebol brasileiro e da CBF. O futebol brasileiro que conheço é fantástico. Mas atravessa um momento muito difícil. Tem o problema do calendário, que é conhecido, com os campeonatos estaduais no começo do ano e depois o Brasileiro entre maio e dezembro. E tem a Copa do Brasil, além de Libertadores e Sul-Americana. Tem também que mudar horário dos jogos para mais famílias irem aos jogos. Os problemas do futebol brasileiro eu conheço bem. Mas eu como candidato à presidência da Fifa não vou entrar nessa discussão. Mas na minha plataforma eu deixo claro que no século 21 a Fifa não pode ter um comitê executivo sem representantes dos jogadores e dos clubes.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.