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Extraditado pela Justiça da Suíça, o ex-presidente da CBF vai cumprir prisão domiciliar em apartamento na Trump Tower

A luxuosa Trump Tower, na Quinta Avenida, em Nova York
Getty Images
A luxuosa Trump Tower, na Quinta Avenida, em Nova York


Já que é para ficar encarcerado, que seja com estilo. Não faltarão mordomias para José Maria Marin na prisão domiciliar que cumprirá em Nova York. O ex-presidente da CBF, detido desde 27 de maio acusado de receber propinas de venda de direitos de TV de torneios realizados no Brasil e na América do Sul, é dono do apartamento 41D no 41º andar da Trump Tower, suntuoso conjunto comercial e residencial que fica na Quinta Avenida, um dos metros quadrados mais caros do mundo.

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Marin chegou a Nova York na terça-feira, extraditado pela Justiça da Suíça . Em investigação conduzida pelo FBI, ele foi detido em Zurique em maio com outros seis dirigentes ligados à Fifa, todos acusados de corrupção. Mesmo alegando inocência, o ex-presidente da CBF entrou em acordo com as autoridades norte-americanas, ao pedir prisão domiciliar em troca de "colaboração" - ele foi ouvido pela Corte Federal do Brooklyn poucas horas depois de desembarcar.

José Maria Marin, ex-presidente da CBF
Futura Press
José Maria Marin, ex-presidente da CBF

Muitas atrações esperam por Marin em seu cárcere privado. Unidades iguais às do brasileiro são as mais modestas, na falta de palavra mais adequada, da Trump Tower: tem 101 metros quadrados, divididos em uma suíte, sala, cozinha, banheiro, área de serviço e dois lavabos. O condomínio disponibiliza serviços como acesso exclusivo para moradores, academia de ginástica, camareira e manobrista. Há joalheria de luxo, lojas de roupas, restaurante, café e duas unidades da Trump Store, onde é possível comprar diversos produtos relacionados ao dono do local, o empresário Donald Trump, pré-candidato a presidente dos Estados Unidos.

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Os 26 primeiros andares da Trump Tower são de uso comercial. Do 27º até o 68º ficam os apartamentos residenciais. A maioria tem vista para o Central Park. Marin terá de curtir o belo visual do parque pela janela, já que poderá deixar o local apenas com autorização do FBI. Também ficará privado das diversas lojas de grife do entorno. A segurança de que cumprirá as ordens judiciais tem a garantia de um monitoramento eletrônico. 

Com sorte, o ex-presidente da CBF pode quebrar a rotina da prisão caseira tendo alguns momentos com um dos moradores mais ilustres da Trump Tower. Este ano, o português Cristiano Ronaldo, craque do Real Madrid  e eleito o melhor jogador do mundo na última eleição da Fifa, pagou US$ 18,5 milhões (R$ 69,5 milhões) por um apartamento de 233 metros quadrados. A compra do imóvel fez aumentar especulações de que ele poderia jogar nos Estados Unidos em breve. Outro astro com residência por lá é o ator Bruce Willis. Até 2012, uma das coberturas pertencia a Derek Jeter, ícone do beisebol norte-americano.

Apartamentos da Trump Tower contam com vista privilegiada para o Central Park
Reprodução
Apartamentos da Trump Tower contam com vista privilegiada para o Central Park


Marin adquiriu o apartamento em 1989, após deixar a presidência da Federação Paulista de Futebol. O preço de compra da época foi de US$ 900 mil. Atualmente, apartamentos do mesmo tamanho não saem por menos de US$ 2,5 milhões (R$ 9,4 mi na cotação atual).

A compra do local é nebulosa. O imóvel está registrado em nome da Swanfield Ltd, empresa sediada nas Ilhas Virgens Britânicas, um paraíso fiscal, e presidida por José Maria Marin. A propriedade nunca apareceu em declaração de bens do ex-presidente da CBF.

Coincidentemente, a Trump Tower também já foi endereço de outra pessoa ligada às suspeitas de corrupção no futebol. Principal delator do esquema investigado pelo FBI, Chuck Blazer, ex-dirigente de Concacaf e Fifa, chegou a alugar dois apartamentos no 49º andar do prédio. Um deles, que custava US$ 6 mil por mês, era usado para manter os gatos do cartola, que eram temperamentais e costumavam rasgar os estofados de sua residência oficial. Parte dos custos da moradia saía dos cofres da Concacaf.

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