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Candidato da oposição elogia feitos dos últimos anos, mas promete dar fim a gastos fora do orçamento no futebol

Antonio Roque Citadini é candidato à presidência do Corinthians
Reprodução
Antonio Roque Citadini é candidato à presidência do Corinthians

Um dos candidatos à presidência do Corinthians  nas eleições de 7 de fevereiro é um velho conhecido no Parque São Jorge. Antônio Roque Citadini, ex-vice presidente de futebol na primeira metade dos anos 2000 e membro do conselho vitalício do clube, fez oposição ao grupo político que comanda o clube desde 2007 e tenta pela primeira vez assumir o cargo máximo na instituição. 

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Ele concorre ao cargo com Roberto de Andrade, candidato apoiado por Andrés Sanchez, ex-presidente entre 2007 e 2011, e com Ilmar Schiavenatto, outro opositor da atual gestão de Mário Gobbi. Na última quinta-feira, dia 15, ele ganhou o apoio de Paulo Garcia, candidato derrotado em 2012. Citadini abre a série de entrevistas com todos os candidatos que será publicada no iG Esporte até o dia da eleição. Nesta quinta-feira, a entrevista publicada será com Ilmar Schiavenato. 

iG Esporte: O senhor tem se mantido na oposição ao grupo que ocupa a presidência desde 2007 e agora se lança candidato. Na sua avaliação, quais foram os acertos e quais foram os erros mais graves do clube nos últimos anos? E como o senhor pretende acabar com esses erros?
Citadini:
Qualquer gestão apresenta erros e acertos. No caso do Corinthians a construção da Arena é um claro acerto. O clube aproveitou a realização da Copa e construiu uma bela Arena. Ficou com uma grande dívida- que irá pagar- mas permitiu que a cidade de São paulo não ficasse fora da Copa. Foi um grande gol do Timão. Os erros estão em todos os jornais, sites e blogs. O Corinthians perdeu a mão no Departamento de Futebol e debilitou as finanças do clube. Será um período duro para a recuperação do equilibrio nas finanças. Dividas salarias, fiscais e trabalhista estão em nível alto. E o clube terá que pagar.

O que te levou a tentar ser presidente nestas eleições?
Para ser presidente é preciso ter um conjunto de proposta e um forte apoio dos associados. Acho que minha chapa reuniu estes dois requisitos.

Acha que a oposição do clube perde força ao se dividir em dois candidatos?
A situação dividiu-se antes da oposição. O quadro desta eleição é diferente das anteriores.

Não utilizada pelo time profissional, Fazendinha será remodelada nos próximos anos
Divulgação
Não utilizada pelo time profissional, Fazendinha será remodelada nos próximos anos

Qual é o projeto da sua chapa para a Fazendinha? É possível lucrar com o espaço?
O clube deverá debater um projeto para a Fazendinha. Com o futebol fora do Parque São Jorge a transformação do clube será grande. Há vários projetos e todos deverão ser considerados.

A base tem ganhado títulos, mas são poucos os jogadores formados no Corinthians que fazem carreira no clube. Como evitar o fatiamento de jovens atletas como vêm ocorrendo? É possível fechar as portas para empresários na base?
A FIFA já proibiu o "fatiamento" dos jogadores. Agora é cumprir o que ela diz e todos os jogadores serão 100% do Corinthians.

Até que ponto o "racha" no grupo que colocou Mário Gobbi no poder pode favorecer a oposição nas eleições? O apoio de Luís Paulo Rosenberg à sua candidatura te surpreendeu?
O "racha" é enorme. Maior do que aparece na mídia . Sem dúvida enfraquece o atual grupo dirigente.

O Corinthians gastou muito em contratações em 2013 e 2014. Paga salários de jogadores que não vestem mais a camisa do clube. Qual sua opinião sobre essa situação? O que fazer para evitar que ela se prolongue ou deixar de ser prática comum no clube?
O Departamento de Futebol do clube perdeu a mão. Gastou o que tinha e o que não tinha. Pagou salários lunáticos, comissões pra todo lado ( compra, venda empresestimo ,renovação de contratos etc) e isso tudo debilitou o clube. Só clube com finanças em dia ganha título. Esta é a regra.

Conta do estádio será paga, assegura Citadini. Renda de bilheteria está comprometida
Divulgação/Portal da Copa
Conta do estádio será paga, assegura Citadini. Renda de bilheteria está comprometida

O estádio trouxe benefícios ao Corinthians, mas também um ônus. O clube perdeu as receitas de bilheteria para investimentos no futebol. Como pretende melhorar as receitas corintianas para não diminuir a capacidade de investimento do clube?
O estádio é um gol fantástico do Corinthians. As dívidas já eram conhecidas e deverão ser pagas.

Na gestão de Mário Gobbi as torcidas organizadas protagonizaram eventos que acabaram em punições ao time, que teve de jogar longe de São Paulo. O clube não cortou relações com esses grupos. Como o senhor pretende lidar com as organizadas?
A relação com a torcida deve ser cordial e igualitária. Todos os torcedores são iguais e terão os mesmo direito. Sem privilégios ou perseguições.

O senhor é favorável ao teto salarial no futebol? Se sim, como faria para se adequar até o fim do seu mandato?
O teto é o que o clube aguenta pagar. Quem pode mais paga mais. Não há outro caminho no profissionalismo.

Para finalizar, por que o senhor acha que pode vencer a eleição? E se não vencer? como vai atuar no mandato do vencedor do pleito?
Meu nome tem uma grande e profunda identidade com o clube. Não sou um desconhecido de ninguém. Os que me apoiam e mesmo os que não apoiam conhecem o que penso e como sou na hora de agir.

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