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Três pessoas tentaram se matar nos últimos quatro meses no Morenão, em Campo Grande. Câmeras e grades nas torres de iluminação devem inibir novas ocorrências

O Estádio Universitário Pedro Pedrossian, conhecido como Morenão, em Campo Grande
Divulgação
O Estádio Universitário Pedro Pedrossian, conhecido como Morenão, em Campo Grande

Interditado desde outubro do ano passado a pedido do Ministério Público estadual para melhorias estruturais, o Estádio Universitário Pedro Pedrossian, conhecido como Morenão, em Campo Grande (MS), virou palco de uma situação preocupante na cidade. Nos últimos quatro meses, três pessoas escalaram as torres de iluminação, com 43 metros de altura, com a intenção de se jogar e tirar a própria vida. Até então, segundo os administradores, não havia registro de tentativas de suicídio no local. A ação do Corpo de Bombeiros diante do ato de desespero desses cidadãos evitou tragédias.

O Morenão está sob responsabilidade da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), mas não integra o campus, onde há um esquema de segurança mais intenso por conta da circulação de alunos e professores. As quatro torres onde ficam os refletores estão na área externa do estádio, sem qualquer proteção ou vigilância. Ou seja, o potencial suicida não encontra barreiras para escalá-la.

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"Isso nos traz preocupação. Somos responsáveis pela segurança das pessoas aqui dentro", disse ao iG Esporte o professor João Jair Sartorello, administrador do Morenão. Uma das três pessoas que escalaram os refletores, Sandra Mara Siqueira dos Santos, de 39 anos, tentou se suicidar de novo em outro ponto da cidade, a caixa d'água de um supermercado, e acabou se matando. "Era uma pessoa, segundo ela mesma, depressiva. Depois acabou se jogando de outro lugar e morreu, ainda bem que não foi na universidade. Os outros dois estavam desempregados, desesperados, com família e filho pequeno, mas o Corpo de Bombeiros agiu rápido e evitou que eles se jogassem."

A principal medida contra os suicidas é colocar grades para impedir que as torres sejam escaladas. De acordo com Sartorello, o pedido já foi feito à UFMS, e depende de liberação de verba para a implantação. Desde o ano passado, as áreas administradas pela instituição vêm recebendo um novo sistema de monitoramento por imagens. "A universidade tem um plano de segurança estratégico para colocar 210 câmeras em todo o campus, e já estamos na segunda fase. Já foram instaladas 48, e estão colocando mais 93, um dos locais é o estádio, fica pronto no fim de janeiro. A última fase estará funcionando até fevereiro. Câmera de segurança não impede suicídio ou assalto. Para evitar que as pessoas subam, nós vamos colocar uma barreira de contenção, colocar grades. Está no nosso plano de desenvolvimento institucional. Com as grades, a pessoa não vai ter acesso à torre."

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Até que as barreiras sejam instaladas, as imagens devem auxiliar a segurança da região para monitorar possíveis suicidas. "Com as câmeras é possível identificar em tempo real se alguém subir e temos postos de vigilância a 20 metros do estádio. Se isso acontecer, o vigilante entra em ação", contou Sartorello.

Obsoleto

Inaugurado em março de 1971 e com capacidade para 44.200 pessoas, o Morenão era usado exclusivamente para o futebol. O estádio apresenta problemas estruturais, e por recomendação do Ministério Público deixou de ser palco de shows e outras atividades culturais. O último jogo que sediou ocorreu em setembro de 2014.

Em outubro passado, quando o MP pediu a interdição, o laudo sobre o estádio apontava, entre outras irregularidades, rachaduras no concreto, oxidação nas ferragens e infiltrações nas arquibancadas, além de pedir a troca do gramado. Uma reportagem do jornal "Correio de Corumbá", do último dia 17, relata grande presença de morcegos no Morenão, e as fezes liberadas pelos animais nas cadeiras deixam o ambiente insuportável por conta do mau cheiro. 

"Como o MP encaminhou a recomendação, nós estamos atendendo na medida do possível, o estádio não está deixado de lado. Tem a parte de estrutura, que precisa de uma firma especializada, com toda a segurança para evitar acidentes, mas a universidade não deixou de lado. Estamos fazendo o possível para melhorar a estrutura, mas tudo depende de liberação de recursos", defendeu-se Sartorello, sem dar, no entanto, prazo para que o Morenão esteja apto para reabrir as portas - e menos vulnerável aos suicidas.

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