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Alan Fialho, de 21 anos, está há duas temporadas na Polônia e acabou desconvocado da seleção do país por não ter fluência no idioma. "Esquecido", ele agora sonha com Gallo e Dunga

Já imaginou ser convocado para a seleção e horas depois ser dispensado porque não tem fluência no idioma do país? Pode parecer inusitado, mas foi exatamente isso que aconteceu com o jovem zagueiro Alan Fialho, de 21 anos. À época atuando pelo Legia Varsóvia, o brasileiro vinculado ao Fluminense  perdeu a chance de atuar pelo país que se naturalizou por não saber falar polonês. De férias em São Paulo, o jogador recebeu o iG Esporte em casa para relembrar o episódio e garantiu: a decepção abriu caminho para viver o sonho de chegar à seleção brasileira.

Alan Fialho, de 21 anos, pertence ao Fluminense, mas joga na Polônia
Gabriela Chabatura/ iG
Alan Fialho, de 21 anos, pertence ao Fluminense, mas joga na Polônia

Pouco conhecido no país onde nasceu, Alan Fialho tem se destacando nas últimas temporadas na Europa. Cedido pelo Fluminense desde o ano passado para o futebol polonês, o zagueiro se sentiu em casa no novo país - inclusive onde a avó nasceu e facilitou a retirada da cidadania - e não demorou muito para chamar a atenção de Jacek Zielinski, treinador da seleção sub-20. O desejo que estava perto de se concretizar tão logo se transformou em pesadelo.

"Um dia antes da convocação, já tinham me ligado avisando que eu estava convocado, e saiu na imprensa. Fiquei feliz e comemorei. No outro dia, quando eu estava indo para o hotel, me ligaram do clube (Legia) e falaram que era para eu me apresentar no clube e não na seleção porque precisavam falar comigo. Aí, eu descobri que o Boniek (Zbigniew, ex-jogador e presidente da federação polonesa) tinha dado uma entrevista dizendo que jogadores que não falavam polonês não poderiam mais ser convocados. E quando saiu a minha convocação, os jornalistas foram cobrá-lo e ele disse que tinha algum erro", contou em entrevista exclusiva.

Depois de o "erro" ser reparado, Alan ouviu a promessa de que teria outras oportunidades caso aprendesse a língua. Mais de um ano se passou, ele se transferiu para o Arka Gdynia, da pequena cidade portuária de Gdynia, aprendeu o polonês, tem inglês fluente, e até agora não voltou a ser lembrado. Decepção? Não para ele, que vê na dificuldade a oportunidade de defender a seleção brasileira.

"A seleção brasileira, pelas coisas que estão acontecendo, dá muito mais esperança. Seria o meu sonho. Teve jogador que estava na Bélgica e foi convocado para a seleção sub-21. São países que o pessoal não costuma olhar. E agora com (Alexandre) Gallo e Dunga, passaram a olhar para esses países que não estão no centro da Europa. Tudo isso dá esperança de ir para a seleção e, para mim, seria muito melhor", completou.

Alan Fialho está na Polônia há dois anos
Divulgação
Alan Fialho está na Polônia há dois anos

Longe da família há quase dois anos, Alan Fialho mora sozinho em um hotel da cidade e, apesar da pouca idade, aprendeu a amadurecer antes da hora. Entre as saídas para os treinos da equipe e restaurantes - já que ele não "sabe fritar um ovo na cozinha" -, o jovem promissor aproveita o tempo para fazer trabalhos de fortalecimento muscular e jogar videogame. Maneiras as quais ele encontrou de aliviar as saudades do Brasil.

"Eu tenho saudades, mas tento me concentrar o máximo lá. Eu sei que quando eu tiver férias, vou aproveitar com a família e amigos. Mas se eu for ficar pensando muito no Brasil enquanto eu estou lá, não faço nenhum dos dois direito. Quando eu volto, gosto de reencontrar os familiares e amigos, jogar basquete e futebol com todos eles, além de fazer tudo o que eu não posso fazer lá", disse ele relatando as saudades do tradicional churrasco brasileiro.

Comparado com Bruno Uvini por causa da aparência parecida, Alan Fialho ainda não sabe por quanto tempo permanecerá na Europa e nem se continuará na Polônia, já que as decisões dependem do Fluminense, dono dos direitos econômicos dele. A única certeza é a vontade de continuar atuando fora do Brasil.

"Para voltar para o Brasil não dá para voltar para qualquer lugar. Eu acho que voltar para cá para jogar em clubes grandes sempre vale a pena, mas eu acho que pelo fato de ser desconhecido, não ter jogado muito aqui, é um caminho mais difícil. Quero fazer um caminho mais sólido jogando na Europa para depois poder voltar para um time grande do Brasil", analisou.

"Eu acho que estou fazendo mercado. Muita gente tenta fazer carreira aqui e ir para a Europa, e eu estou fazendo o contrário. Quero fazer uma carreira consistente lá para quando eu quiser voltar ter essa opção. Eu tenho de confiar em mim", acrescentou.

Além do Fluminense, Alan Fialho já passou por outros clubes do Brasil, como São Paulo, Juventus, Grêmio Barueri e Audax. Conseguiu chamar a atenção do clube carioca quando atuava no Audax e disputou por duas vezes a Copa São Paulo de Futebol Júnior, torneio organizado pela FPF (Federação Paulista de Futebol). Amante do futebol do espanhol Puyol e do compatriota David Luiz, o zagueiro só deseja ser reconhecido como eles.

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