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Após novo rebaixamento, presidente recém-eleito busca desbloquear receitas do clube para aliviar problema financeiro

Botafogo vai disputar a Série B em 2015
AGIF / BOTAFOGO/ DIVULGAÇÃO
Botafogo vai disputar a Série B em 2015

"Tem que mudar muita coisa. Temos a nova diretoria que entrou, que vai analisar, sentar, conversar. Vai ter que tentar entender tudo que foi feito. Não é só parte de campo, é a administrativa, de estrutura. Tem muita coisa para ser arrumada. Pela falta de dinheiro desgastou-se num todo, não só no futebol. Acho que houve falência de vários departamentos e há necessidade de reestruturar o clube". 

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As palavras foram ditas por Vágner Mancini, técnico do Botafogo, logo após a derrota por 2 a 0 para o Santos neste domingo, pela 37ª rodada do Campeonato Brasileiro. O resultado acabou decretando a queda do time carioca para a segunda divisão, 12 anos depois do primeiro rebaixamento. As mudanças clamadas pelo treinador para que o clube consiga se reerguer passam por alguns pontos-chave, que podem ajudar em um eventual processo de redenção em 2015.

A primeira delas diz respeito à nova administração. Apoiado por ídolos como Carlos Alberto Torres e Amarildo, Carlos Eduardo Pereira foi eleito na última semana o presidente do Botafogo pelos próximos três anos. 

Carlos Eduardo Pereira: para novo presidente do Botafogo, 2015 já começou
Luciano Belford/SSPress
Carlos Eduardo Pereira: para novo presidente do Botafogo, 2015 já começou

Nesta segunda-feira, no dia seguinte ao rebaixamento, o novo mandatário botafoguense disse que o planejamento para 2015 já começou. Segundo ele, a administração vai se reunir com Vágner Mancini e com o ex-zagueiro Wilson Gottardo, diretor de futebol do clube, para discutir o que foi feito nesta temporada e avaliá-los.

Mais importante que a permanência ou não dos dois neste momento é a situação financeira. Os problemas do Botafogo se agravaram bastante depois de deixar de fazer parte do Ato Trabalhista, acordo que permite o parcelamento das dívidas trabalhistas, e teve as receitas bloqueadas. 

"O ano de 2015 precisa começar com a resolução dos problemas fiscais", comentou Pereira. "Se não conseguirmos resolver as questões junto a procuradoria da Fazenda Nacional e com o Ato Trabalhista, acaba prejudicando o andamento do clube. O Botafogo possui receitas relevantes bloqueadas pela receita, não conseguiremos resolver o Ato esse ano, mas o nosso jurídico está prensando uma forma de proteger o Botafogo e o funcionamento do clube. É inconstitucional que um clube tenha 100% de receitas bloqueadas. Desta forma, não conseguiremos honrar nossos compromissos".

Cobertura do Engenhão representava risco aos torcedores que iam ao estádio
Uanderson Fernandes / Agência O Dia
Cobertura do Engenhão representava risco aos torcedores que iam ao estádio

O que também atrapalhou bastante as finanças foi a impossibilidade de contar com o Engenhão. O estádio recebeu um jogo pela última vez em março de 2013, quando foi interditado pela prefeitura do Rio de Janeiro por problemas na cobertura , que corria até o risco de cair dependendo de velocidade de vento e temperatura. 

"Com relação ao Engenhão, nós tivemos com o prefeito Eduardo Paes, que nos posicionou que as empresas prometeram entregar o estádio em novembro e adiaram para março. Mas ele fará esforços para que o estádio seja liberado em janeiro para que possa jogar o Campeonato Carioca. O Engenhão tem potencial para gerar diversas outras receitas. É o Estádio Olímpico de 2016", declarou o presidente.

Diante de um cenário tão complicado, Pereira pediu a compreensão dos torcedores. "Peço a ajuda de todos os botafoguenses para que possamos voltar a deixar o clube forte. Vamos trabalhar com o este objetivo", declarou.

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