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Jogador também relembrou lesões que o tiraram de combate e, agora com edema na coxa esquerda, está em recuperação

Valdivia atendeu à imprensa na tarde desta terça-feira e tentou passar a limpo todas as polêmicas em que esteve envolvido ao longo da temporada. O camisa 10 do Palmeiras deu entrevista por mais de uma hora, e, ao ser questionado sobre a ausência em jogos decisivos do time no Campeonato Brasileiro, defendeu-se fazendo críticas à diretoria do clube paulista, que está em período eleitoral.

"Pelo que Paulo (Nobre, presidente) e (o candidato à presidência Wlademir) Pescarmona estão falando, querem formar um time forte em 2015. Mas todo ano o papo é o mesmo. Falam que vão montar um time forte, um time que vai disputar títulos, com jogadores fortes... Não é a questão de trazer Messi, Cristiano Ronaldo. Mas precisamos ter elenco. Não dá para um único jogador ter a responsabilidade", apontou.

Valdivia concedeu longa entrevista coletiva nesta quinta no Palmeiras
Luís Moura/Gazeta Press
Valdivia concedeu longa entrevista coletiva nesta quinta no Palmeiras

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"Não cansa de jeito nenhum (ser o protagonista). Gosto quando sou cobrado, quando tenho responsabilidade. É muito diferente de falar que o clube precisou e o jogador não estava. Mas eu faço uma pergunta: quando o Palmeiras não precisou de mim? Quando o Palmeiras teve uma chance em que o treinador chegou e falou: essa semana você não precisa jogar?", completou Valdivia.

O meia relembrou episódios na temporada em que precisou entrar em campo mesmo no sacrifício, como no último domingo, em que participou do primeiro tempo contra o Coritiba, não rendeu, saiu no intervalo, e viu a equipe ser derrota por 2 a 0 no Couto Pereira. Valdivia também ressaltou que não se importa com as cobranças, mas pede que o profissional não seja confundido com o pessoal.

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"Na semifinal do Campeonato Paulista, meu tornozelo estava do tamanho de uma melancia, e eu tive de jogar sem condição nenhuma. Eu poderia ter ficado fora de jogos, mas fui e joguei. Cobrar, pode cobrar, não tem problema, é o trabalho de vocês, da torcida, mas quando é pessoal já muda, ter responsabilidade cada um tem a sua", completou o chileno.

A relação de amor e ódio entre Valdivia e Palmeiras ganhará mais um capítulo ao longo das duas semanas seguintes, com a luta contra o rebaixamento no Campeonato Brasileiro. Ainda sem condições físicas de estar em campo, o camisa 10 promete tratamento intenso para enfrentar o Internacional, em Porto Alegre, na noite deste sábado.

"Vamos tratar na semana, a gente já começou, acredito que não foi nada demais, até agora não fizeram exame nenhum, mas senti um incômodo e espero que não seja muita coisa. E se não for contra Internacional, que seja contra o Atlético-PR", ponderou o meia chileno, já projetando a última rodada, quando o Palmeiras terá pela frente o Atlético-PR, no reformado Palestra Itália.

Sem dívida

Jogador mais cobrado pelo Palmeiras na luta contra o rebaixamento, não só pela faixa de capitão que carrega, mas também por ser o jogador mais bem pago, Valdivia rebateu as críticas relacionadas a seu salário. 

"Ninguém pode colocar o dedo na minha cara e dizer que a culpa é minha. Eu faço de tudo para ficar dentro de campo. Mas parece que só o Valdivia que precisa treinar e jogar, tudo isso porque falam sempre que eu sou bem pago. Duvido que alguém da diretoria chegue aqui e fale que eu ganho 500 mil reais, ou 600, como falam na televisão, e na outra semana, acham que o Paulo Nobre foi bondoso e aumentou para 700 mil. Eu faço um pedido para você investigar o quanto Valdivia ganha, não chega nem aos 400, nem aos 300 mil. Então, essa questão de você é muito bem pago e tem de jogar: sou muito bem pago, mas não porque cheguei de graça", disse o jogador chileno.

O palmeirense ainda se lembrou de quando chegou ao clube do Palestra Itália, ainda desconhecido pela maioria, alegando que, se hoje recebe um bom salário, foi por méritos próprios. "Cheguei em 2006 e meu salário era 30 mil reais, fui o melhor do Palmeiras por três anos seguidos, não fiz pedido de aumento de salario, e duvido que alguém venha aqui e fale o contrario."

Questionado se havia alguma dívida com a torcida, por ter atuado em apenas 16 jogos dos 36 disputados no Campeonato Brasileiro, Vadivia se apoiou em uma "cola", anteriormente preparada por esperar perguntas relacionadas ao tema. O camisa 10 detalhou os motivos de cada jogo em que não pôde defender o Palmeiras.

"Não me sinto em dívida, não, e vinha preparado para sua pergunta. O Palmeiras jogou 36, joguei 16, fiquei fora 20, mas apenas sete por lesão, seis vezes por causa da seleção, por suspensão duas vezes, e por causa da venda para o exterior, em que não era mais jogador do Palmeiras, fiquei cinco vezes fora", rebateu Valdivia, voltando a dizer que a responsabilidade é de todos.

"Ninguém pode falar que a culpa é minha, por isso não me sinto em dívida com a torcida do Palmeiras, até porque a torcida do Palmeiras tem mostrado o quanto eu fui importante nesta reta final. Quem está aqui dentro sabe o que estou fazendo para estar dentro de campo. É difícil se expressar, porque só o Valdivia tem a obrigação de se cuidar, treinar. A obrigação do Valdivia é ser muito bem pago", concluiu.

* Com Gazeta.

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