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Pela primeira vez, chapa Santos Vivo - antes apolítica - lançou candidato para as eleições deste ano. Veja as propostas

José Carlos Peres será o primeiro candidato da Santos Vivo à presidência do clube
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José Carlos Peres será o primeiro candidato da Santos Vivo à presidência do clube

Pela primeira vez, a Santos Vivo terá um representante nas eleições do Santos. Primeiro entre os presidenciáveis a ter o nome divulgado, José Carlos Peres está na briga pela cadeira de Odílio Rodrigues. Antes apolítico, o grupo passou por uma reformulação no seu estatuto para que pudesse lançar um candidato neste pleito. Peres hoje é gestor do G4 Aliança Paulista - que reúne os quatro grandes clubes de São Paulo - e foi responsável por colocar o jovem atacante Gabriel nas categorias de base do clube. Em entrevista ao iG , o candidato fala sobre a nova proposta para a composição do Conselho Deliberativo, fim da reeleição e mudanças no departamento de futebol. Confira abaixo na íntegra.

Você é o responsável pela criação da ONG Santos Vivo em 2001, que se manteve inativa e retomou às atividades há quatro anos. A novidade é que o grupo nunca lançou um candidato. Por que decidiu fazer isso agora? E por que o seu nome foi o escolhido?
Esclarecendo de que a ONG ficou inativa de 2006 a 2010, retornando às atividades em seguida. Na origem, a ONG era apolítica de acordo com seu estatuto. Houve uma alteração no documento nessa nova reunião por entendermos, em assembleia, que o momento do clube assim exigia. Vivíamos um momento de instabilidade política com claros sinais de crise de governabilidade. Houve uma forte mobilização na ONG e juntos concluíram que não haveria forma de participação efetiva se não fosse pela via política.

A ONG se precipitou em divulgar o nome de seu presidenciável (no caso você) antes das chapas concorrentes?
Não. Na realidade relutei em aceitar o imenso desafio, mas a partir do momento que defini não havia mais porque voltar atrás e, afinal não havia o que esconder. Além disso, percebemos que meu nome estava sendo usado de forma leviana por outras correntes tentando me associar a este ou aquele nome ou grupo. Foi por isso que decidi antecipadamente dizer que seria candidato e candidato de um grupo novo, a Santos Vivo.

Qual é a sua relação com o ex-presidente Marcelo Teixeira?
Sempre nos tratamos com muito respeito e cordialidade. Gosto dele, trata-se de um santista apaixonado e que como presidente do Santos cometeu erros e acertos como todos. Tive a oportunidade de trabalhar com ele como superintendente do clube na Capital entre 2006 a 2009. A última vez que o vi foi em 2011 no lançamento do meu livro sobre a unificação dos títulos brasileiros.

Vamos arregaçar as mangas e trabalhar muito", diz Peres sobre as dívidas

O que os concorrentes alegam é que ONG sempre pregou que tinha um caráter fiscalizador e isento e que não teria interesse em lançar candidato. Isso é verdade?
O fato é que a ONG era apolítica e deixou de ser por alteração estatutária. Assim, pudemos fazer o que julgamos melhor para o clube e aprovamos a criação a Chapa Santos Vivo. É simples.

Sei que vocês foram, inicialmente, a favor ao Comitê de Gestão, mas agora são contra ao modelo. Se eleito, o que você fará com o Conselho de Gestão? Deseja promover o retorno do presidencialismo?
A ONG jamais se posicionou em relação ao Comitê de Gestão quando da aprovação do novo estatuto, até porque estava inativa nesse período. O que vimos é que o processo mostrou-se equivocado, inadequado às necessidades do futebol. Se formos eleitos, o Comitê passará a ser Conselho de Administração com finalidades importantes como o Planejamento Estratégico e Financeiro, sem entretanto, interferir na administração cotidiana. O clube, com o apoio dos conselheiros, efetivamente voltará ao presidencialismo.

Caso você assuma o Santos, entrará na presidência com uma dívida considerável a ser administrada. De que forma vai garantir a governabilidade do clube sem comprometer as gestões próximas?
Arregaçando as mangas e trabalhando muito. A renegociação das dívidas, a geração de receitas novas, uma profunda auditoria são atitudes prioritárias. Já temos uma equipe gabaritada trabalhando nisso.

José Carlos Peres em campanha
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José Carlos Peres em campanha

Atualmente o clube acertou um patrocinador máster, mas desde a saída de Neymar tem tido dificuldades para firmar este tipo de parceria. Qual é o seu plano para garantir esse tipo de receita?
Primeiro é uma mudança cultural. Não temos mais a relação simplista entre exposição e patrocínio (e precisamos resolver nossa questão de baixa exposição). As marcas querem mais, precisam de mais e o clube tem de estar pronto a oferecer mais. Ativação, parceria, engajamento. Associar uma marca à marca do Santos oferece uma gama muito diversificada de possibilidades, todas mal exploradas atualmente. Ainda sobre a grandeza de nossa marca, isso suscita muitas possibilidades de ações menores, específicas, pontuais. Isso também é importante e também é mal explorado. 20 ações de 1 milhão valem 20 milhões...Além do que, precisamos também ter uma política aguda de licenciamento, lembrando que o relatório da última auditoria aponta que o clube não tem bem certeza de quanto fatura com isso hoje em dia.

Em uma dos seus compromissos, você garante que acabará com a reeleição no clube. De que maneira fará isso? Para essa mudança estatutária que pretende fazer convocará o Conselho Deliberativo e a Assembleia Geral de associados?

Não garanti que acabarei com a reeleição, mesmo porque esta é uma ação que depende de outros poderes. O que posso efetivamente garantir é que não concorrerei à reeleição em hipótese alguma. Entendo que ela é um mal que acaba resultando em outros males. Assim, encaminharemos ao Conselho a proposta de alteração estatutária que de acordo com o estatuto terá de ser confirmada em Assembleia Geral.

Você propõe também a "eliminação da clausula de barreira de 20% dos votos válidos para a composição do Conselho Deliberativo". De qual formato CD será composto então?
De forma verdadeiramente democrática. Por que 20 e não 18 ou 22%?. Se uma chapa tiver 5% dos votos, tem de ter 5% das vagas, por exemplo. Não é mais justo? É o que proporemos ao CD.

Para as categorias de base, vocês defendem mudanças na Lei Pelé. Além disso, o que mais será feito para que as promessas do clube sejam valorizadas?
Esta é apenas uma das mudanças que proporemos para uma justa Lei Pelé. É
preciso melhorar muito a infraestrutura da base. Pretendemos em parcerias públicas e privadas e leis de incentivo, modernizar e ter um CT para a base com alojamentos modernos e confortáveis, e departamentos integrados. É preciso proteger nossa base dos empresários que se acostumaram a circular livremente pelo clube, os famosos e conhecidos pescadores de aquário. Isso vai acabar.

Seria leviano falar sobre jogador, sobretudo um renomado como Damião"

O voto a distância foi vetado neste pleito por não ter a base de dados confiável. Você é a favor ou contra? E se você assumir, como fará para garantir essa segurança?
O voto à distância é um ideal a ser perseguido, pois acreditamos no direito de qualquer sócio do clube, onde quer que ele esteja, possa participar da vida política do clube. Mas é preciso, antes disso, garantir que a votação seja segura, confiável e imune a questionamentos. Encaminharemos esse assunto ao CD para ampla discussão, ouvindo inclusive especialistas e as forças políticas do clube, A transição para esse tipo de votação deverá ser feita com transparência, às claras e com aprovação de todos.

De que forma, pretende viabilizar o projeto de modernização da Vila Belmiro? E o Pacaembu?
É até difícil falar desses assuntos quando observamos a situação financeira do clube. A Vila Belmiro será sim reformada, inclusive para abrigar os festejos pelo seu centenário. Temos que acolher melhor nossos sócios e torcedores. Sobre o Pacaembu, será uma discussão que proporemos ao CD. Por seu vulto e importância, partilharemos essa decisão com os sócios do clube. Entretanto, antes de discutir estádios, o que nos preocupa é a frequência de nosso público. Ai trabalharemos prioritariamente, mesmo porque não adianta investir em estádios se não investirmos no relacionamento com nossos torcedores para que volte a ocupá-los com conforto e segurança.

Caso eleito, também, você pegará um time já montado e com um jogador que ainda precisa ser pago que é o Leandro Damião. Qual será a conduta tomada por vocês para pagar o fundo investidor e que análise vocês fazem da contratação do atacante?
O negócio (empréstimo de valor altíssimo com juros em euros) foi ruim e isso não tem nada a ver com a qualidade do profissional que merece todo nosso respeito. Tenho certeza, inclusive, torço muito para que ele recupere seu melhor futebol e faça muitos gols. Seria leviano de minha parte falar de qualquer jogador, especialmente de um jogador renomado como o Leandro Damião. Vamos analisar não somente esse caso, mas muitos outros. Isso caberá à comissão técnica e não nos furtaremos a decidir o que for melhor para o clube.

Ao falar do time, é impossível não falar de Neymar. A cada dia nas revelações surgem sobre a venda do atacante para o Barcelona. Como vocês veem o negócio? Consideram que o Santos foi prejudicado? O que pretendem fazer para esclarecer essa transação?
Um negócio desse porte não ficaria à margem das discussões e especulações do dia a dia, em qualquer clube de futebol. Vamos analisar com bastante cuidado e critério todos os aspectos envolvidos. Há investigações nacionais e internacionais Sobre a transação, faremos todo o necessário para preservar os interesses do clube. Se o Santos FC foi lesado por qualquer das partes, tenham a certeza de que iremos atrás dos nossos direitos. Não temos rabo preso com ninguém, a não ser compromissos éticos e morais com o sócio e o torcedor. E diante das declarações do pai e empresário do jogador de que recebeu dinheiro do Barcelona antecipadamente e sem conhecimento do clube, não tenham dúvidas de que se eleitos e se o fato estiver comprovado, em janeiro iremos a Fifa denunciar o clube catalão por aliciamento, exigindo assim o pagamento integral da multa estabelecida no contrato entre Santos e Neymar e todas as indenizações decorrentes disso. Infelizmente, o “projeto Neymar” não foi concluído. A ideia amplamente divulgada era a de termos o garoto como nosso jogador durante a Copa, perderíamos os direitos econômicos mas ganharíamos muito em patrocínios,exposição internacional, aumento de torcida etc. Isto, na prática, não ocorreu. O clube não foi capaz de levar a cabo este projeto e, ao desistir no meio do caminho, também não fez uma boa “negociação”. Uma pena.

O atual presidente Odílio Rodrigues afirma ter profissionalizado todos os departamentos do clube. Vocês pretendem seguir com os funcionários que lá estão hoje? E quanto aos cargos estatuários, vocês são a favor ou contra?
Afirmar é uma coisa. Precisamos enxergar essa profissionalização. Um departamento que não funcione não está profissionalizado, porque esse conceito deve levar em conta eficiência. Há também um certo apreço por terceirizações de coisas muito importantes como o programa de sócios, a comunicação, entre outros. Isso tudo será revisto. Iremos fazer um profundo estudo dentro do clube, para avaliar o que está adequado e suficiente, o que não funciona e o que representa desperdício. O custeio de um clube não pode comprometer a sua razão de existir, que é o espetáculo de futebol. Vamos manter os bons funcionários e até valorizá-los,porém é certo que o organograma precisará passar por adequações.

Para encerrar, deixe o seu recado ao torcedor santista
Primeiro peço que vote. Independente do candidato, não é possível que tenhamos apenas 3 ou 4 mil eleitores em meio a dezenas de milhares de sócios. O sócio do Santos tem um poder muito grande nas mãos, e nesta eleição a nosso ver histórica e decisiva para o destino do nosso clube, portanto será importante o exercício do voto. Essa será a primeira eleição da história democrática do clube, com vários candidatos à presidência do clube. Não é só dizer sim ou não a atual gestão, até porque, há várias candidaturas que a representam, “saídas da mesma costela”. Trata-se de momento único no qual o sócio optará por um caminho para o clube nos próximos anos. Se optar pelo caminho da mudança, acredito que o nosso projeto é o melhor para o clube. Continuo afirmando que, se você deseja resultados diferentes, não pode fazer as mesmas coisas que já fez. Nosso projeto é profissional, e as pessoas que compõem nosso grupo político são sérias e capazes de implementá-lo. Nossos princípios já foram divulgados e não estamos ao sabor de composições oportunistas para ganhar as eleições. Propomos uma verdadeira mudança no clube. O associado pode acreditar. Nosso Programa de gestão está inserido no site da Campanha. Agradeço à oportunidade de compartilhar parte de nossas ideias.

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