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Ele fazia dupla de zaga no São Caetano com o jogador, que faleceu há dez anos após parada cardiorrespiratória em campo

Os jogadores do São Caetano, que estavam no elenco em 2004, jamais vão tirar o dia 27 de outubro na memória. Na data, em uma partida contra o São Paulo, no Morumbi, o zagueiro Serginho sofreu uma parada cardiorrespiratória, com 15 minutos do segundo tempo, e faleceu. As lembranças de quem acompanhou o drama vivido em campo pelo atleta ainda estão vivas.

"Eu estava perto dele, e minha primeira impressão foi que ele sentiu uma dor muscular. Apenas depois, quando a gente chegou mais perto, que deparamos com o fato e entramos em desespero. Aí vimos que a coisa era séria, chamamos a ambulância, os médicos, mas infelizmente nada pôde ser feito para salvá-lo. Nunca pensamos que algo assim poderia acontecer, ainda mais com um atleta de vigor físico impressionante", recordou Dininho, em entrevista à Rádio Gazeta AM.

Após dez anos, contradições e silêncio marcam morte de Serginho

O ex-zagueiro era um dos jogadores mais ligados a Serginho. Ainda assim, após 10 anos, afirma que não teve ciência de que o seu companheiro apresentava um problema cardíaco - apesar de o São Caetano alegar que não havia risco, exames antes da tragédia apontavam uma pequena arritmia no atleta.

"Eu era uma pessoa muito próxima a ele, sempre saía com ele para jantar, e ele nunca disse isso para mim. Fiquei sabendo depois, apenas com a declaração do Silvio (Luiz). Foi uma coisa muito escondida de nós atletas, eu não sabia de nada, e era muito próximo a ele", completou o ex-jogador.

Dez anos depois, personagens-chave recontam morte de Serginho minuto a minuto

Após a tragédia, Paulo Forte, médico do São Caetano, chegou a ser apontado como o culpado pela morte, e, assim como o presidente Nairo Ferreira, chegou a ser afastado do futebol pelo Superior Tribunal de Justiça. Dininho, no entanto, que acompanhou os bastidores do clube na ocasião, exime os representantes do Azulão de qualquer culpa no caso.

"O São Caetano tinha médicos e dirigentes que visam principalmente o lado humano. O doutor Paulo (Forte) foi uma pessoa que sempre me ajudou, e de repente vi diversas acusações que não faziam sentido contra ele. Não podemos achar culpado hoje, já aconteceu, mas isso seve de exemplo negativo, aconteceu com uma pessoa que tínhamos muita afinidade, então desejo que nunca mais aconteça no futebol", ressaltou o ex-defensor.

Morte de Serginho aumentou segurança, mas nem desfibrilador salvaria atleta

Ao ser questionado sobre a postura que adotaria se soubesse de algum problema, Dininho não tem dúvidas. "Sabendo da gravidade da doença dele eu acredito que o ideal seria ter afastado ele. Lógico que tem a situação do atleta, pois é muito difícil deixar de fazer o que mais gosta e ser obrigado a parar. No meu lugar, eu com certeza optaria por parar, pois eu acredito que a vida nossa vale mais do que qualquer coisa", finalizou.

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