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De campeão paulista de 2004 e finalista de 2007, o São Caetano quase caiu para a Série A3 do Paulistão e recentemente foi rebaixado para a Série D do Brasileirão

Nairo Ferreira de Souza, presidente do São Caetano
Reprodução
Nairo Ferreira de Souza, presidente do São Caetano

"Antes, o jogador chegava no São Caetano querendo comprar uma BMW ou colocar um tênis Nike no pé e brigava dia e noite no campo por isso. Hoje jogador chega, faz um bom contrato e senta em cima do salário". As palavras são do presidente Nairo Ferreira de Souza e retratam o purgatório vivido pelo São Caetano nos últimos anos. 

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Dez anos depois da tragédia que vitimou o zagueiro Serginho, o dirigente fala do péssimo momento do time do ABC. Em um período curto, o clube entrou em uma trajetória catastrófica, repleta de descensos. De campeão paulista de 2004 e finalista de 2007, o São Caetano quase caiu para a Série A3 do Paulistão e recentemente foi rebaixado para a Série D do Brasileirão.  

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Primeiramente, Nairo não vê o episódio da morte de Serginho como fator fundamental na queda do time do ABC. "Não tem nada a ver com a morte do Serginho o que tem acontecido nesses últimos dez anos. É lógico que nesses anos tivemos muitos acertos e erros. Muitos falam da morte do Serginho e outros falam da morte do ex-prefeito Tortorello. Não tem nada a ver. O futebol mudou muito". 

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A derrocada do São Caetano começou no Paulistão de 2013. Um time recheado de medalhões, como Rivaldo, Jóbson e Fábio Costa, ficou na penúltima colocação, com apenas duas vitórias e deixou de figurar na elite paulista, lugar que ocupava desde 2000.

O presidente busca a volta daquele time humilde, como o que surprendeu o Brasil em 2000. "Queremos aquele time modesto, com os pés no chão, para revelar jogadores desconhecidos do mercado brasileiro e eliminar os medalhões. Trouxemos alguns jogadores experientes e a coisa não aconteceu". Na mesma temporada, outro descenso, agora no Brasileirão da Série B. O São Caetano novamente ficou em penúltimo e a crise foi decretada. 

Em 2014 a crise só piorou. Com a intenção de voltar à elite do Paulistão, o São Caetano se salvou por pouco de cair para a A3. Mais tarde, na disputa da Série C, atrasos salariais causaram transtornos no elenco e jogadores até fizeram greves. O clube ocupou a zona de rebaixamento em grande parte do torneio e a mais recente queda não foi novidade. Em 2015, o São Caetano disputará a Série D. 

"Não tem mais aquele comprometimento que tinha o time de 1999, 2000 e nos outros anos. Em 2003 e 2004 tinha um time bem mesclado também, com Marcinho, Euller, Mineiro, Gilberto. Eram jogadores que queriam alguma coisa ainda no mercado. Vinham e faziam futebol. Hoje em dia você não encontra mais esse tipo de jogador", lamenta Nairo. 

Em péssima fase dentro e fora dos gramados, o São Caetano tentará trilhar novo caminho de acessos a partir de 2015. Para isso, trouxe o técnico Luis Carlos Martins, apelidado de "Rei do acesso". O novo treinador já começou a trabalhar com o clube e o paulista da Série A2 será seu primeiro desafio. 

Nos últimos anos, o São Caetano é constantemente lembrado por rebaixamentos e pela morte do zagueiro Serginho durante partida do Campeonato Brasileiro. Basta ver, a partir do ano que vem, se o clube do ABC poderá voltar a ser lembrado por suas vitórias nas quatro linhas. 

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