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"Não podemos conceber que um empresário de futebol no Brasil tenha um faturamento anual maior do que clubes como Corinthians e Flamengo", disse ministro

Convidado para prestigiar o primeiro evento teste do novo estádio do Palmeiras, a Allianz Parque, o ministro dos Esportes Aldo Rebelo disse apoiar a decisão da Fifa contra a participação dos empresários no futebol, proferida na última sexta-feira, em solenidade que contou com as presenças de Joseph Blatter, presidente da entidade, e Michel Platini, presidente da Uefa.

Para Aldo, a Fifa tomou uma atitude correta em defesa dos clubes e do futebol mundial. "Não podemos conceber que um empresário de futebol no Brasil tenha um faturamento anual maior do que clubes como Corinthians e Flamengo, que tem as maiores receitas do país. Isso é uma anomalia que precisava ser corrigida, porque essas pessoas estão ganhando dinheiro às custas do futebol e os clubes estão sendo fragilizados", apontou o ministro.

Aproveitando para parabenizar o francês Michel Platini, presidente da Uefa, pela luta em prol da implantação de tal medida, Aldo corroborou com a sentença da maior entidade do futebol mundial. "A Fifa tomou a decisão pensando em preservar o interesse dos clubes. No Brasil, a lei Pelé contribuiu para isso, porque abriu o futebol para o que há de pior no mercado", advertiu Rebelo.

O ministro admitiu, inclusive, que o futebol brasileiro é dependente deste modelo de relação dentro do esporte. "Os clubes brasileiros são dependentes deste modelo. Lá no governo, nós pensamos em tomar uma iniciativa para restringir os direitos econômicos dos empresários, para que eles tivessem que partilhar com os clubes a divisão dos direitos econômicos. Porém, alguns clubes me procuraram para dizer que não dava para formar um time sem a participação dos empresários, outros me disseram que haveria uma fuga muito grande de jogadores para a Europa", comentou exemplificando a ligação dos clubes com os investidores.

Focando no fortalecimento dos clubes, Aldo Rebelo acredita que, a longo prazo, é possível ter um futebol com uma base mais sólida. "A Fifa propõe um período de transição e devemos ter como perspectiva o fortalecimento dos clubes, para que criem os próprios fundos de investimento como os empresários criaram", falou. "Se os clubes aproveitarem melhor as receitas, não gastarem o que não podem e não anteciparem as receitas, acredito que possamos reconstruir o futebol brasileiro em bases econômicas mais responsáveis", prosseguiu o ministro.

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