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Vitória diante do Criciúma e refresco na parte de baixo da tabela podem alavancar a equipe, segundo o treinador

Dorival Júnior, técnico do Palmeiras
Miguel Schincariol/Getty Images
Dorival Júnior, técnico do Palmeiras

As vaias da torcida no intervalo mostraram que o Palmeiras não jogou bem nesta noite, mas a festa no Pacaembu com a vitória sobre o Criciúma mostra que todos entendem a necessidade do time, ainda próximo da zona de rebaixamento do Brasileiro. Dorival Júnior admite a má atuação. Ressalta, porém, que há pouco para se exigir neste momento e, por isso, valoriza a confiança do resultado.

"É muito difícil exigir algo em um momento como esse. Não foi nada plástico, bonito, vistoso. Mas, hoje, o resultado é muito mais importante", declarou o técnico. "Foi o primeiro passo. É mínimo, pequeno, mas importante. Só vamos ganhar uma confiança maior com mais pontos. Sei que não será fácil. A equipe precisa de muitos ajustes e se encontrar dentro do campeonato. Essa confiança vai voltar em algum momento, espero que não tarde para que tenhamos um novo Palmeiras em campo."

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Neste sentido, o trabalho do treinador é psicológico. Dorival treinou o time para marcar a saída de bola adversária, mas viu a equipe atuar com todos os jogadores atrás do meio-campo no primeiro tempo. O argumento é o cansaço, decorrente da atuação com um a menos no domingo desde os 17 minutos do segundo tempo, contra o Atlético-PR, na Arena da Baixada. Nesta quarta-feira, a recompensa pelo esforço veio com três pontos.

"Emocionalmente, é muito difícil encontrar um equilíbrio. Por isso esse resultado tem um valor muito grande. Não foi um jogo bonito, foi truncado, feio tecnicamente falando, mas muito brigado e disputado. Talvez esse tenha sido o ponto positivo. A luta de domingo foi compensada com uma vitória que será fundamental no alcance de um equilíbrio na sequência da competição", afirmou, respirando aliviado.

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"Precisamos de um reequilíbrio emocional o mais rápido possível. Esse jogo seria chave para isso. Um resultado negativo colocaria por terra o início de uma possibilidade de recuperação. Temos que reconhecer, ainda é muito difícil. O Palmeiras ainda vai ter de trabalhar muito para que alcancemos uma condição regular no campeonato", continuou o treinador.

Dorival é bem sincero e, preocupado em manter o apoio que a torcida mostrou enquanto o jogo acontecia, admite que ainda não dá para, realmente, se aliviar. "O Palmeiras precisa reencontrar um caminho dentro da competição. Não adianta chegar aqui e iludir o torcedor. Vamos melhorar e muito, mas precisamos ter paciência para enfrentar algumas situações inusitadas em razão do momento, que não é bom, é um momento de risco", avisou, preparado para as cobranças.

"Não existe partida tranquila. Temos que alcançar uma recuperação, continuar insistindo e trabalhando. Não vamos contar história e mentira para o torcedor. O futebol apresentado neste momento é bem abaixo do que gostaríamos, mas tem que ser assim. Em muitos momentos, ficaremos devendo. Por isso, o apoio do torcedor será fundamental para a recuperação da equipe", indicou.

Em defesa de Leandro

Em um dos raros momentos em que a torcida não apoiou o Palmeiras enquanto a bola rolou, um forte coro de "Fora, Leandro" apareceu no Pacaembu, consequência de mais uma má atuação do atacante que, diante do Criciúma, perdeu chance clara e ainda criou grande oportunidade ao rival com passe errado. Em defesa do jogador, Dorival Júnior pede paciência, mas o próprio atleta não admite que tem decepcionado.

A sequência como titular é, para Leandro, uma prova de que sua fase não é tão ruim. "Em uma partida ou outra, posso não ter jogado do jeito que a torcida espera, mas, desde a época do Gareca, não tenho jogado tão mal assim. Se eu não estivesse fazendo o que o treinador queria, sem dúvidas o Gareca não teria me colocado tantas vezes como titular", declarou.

É a reação de um atleta que, diante dos gritos de "Fora, Leandro", limitou-se a dizer que a cobrança é "normal". Mas sua melhora depende de sua postura, segundo Dorival. "Não podemos abrir mão de um atleta com o potencial dele. Temos a obrigação de tentar uma recuperação, e isso passa diretamente pela postura dele. Um jogador não desaprende. Confio nesse garoto e vai render muito. Peço paciência ao torcedor, mesmo sabendo que ele foi vaiado em muitos momentos", falou o técnico.

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