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Buriram United é líder do campeonato nacional e comandado por Alexandre Gama, ex-Flu e Duque de Caxias. Em entrevista ao iG, técnico ressalta a paixão dos torcedores do país e a falta de mercado dos técnicos brasileiros no exterior

Alexandre Gama é treinador do Buriram United
Divulgação
Alexandre Gama é treinador do Buriram United

A Tailândia é o roteiro preferido para quem gosta de praias de águas cristalinas, grandes templos e comida apimentada. Mas o que pouca gente sabe é que o país também tem se tornado a casa dos brasileiros. E tudo isso por causa do futebol.

Pode parecer estranho, mas no país do Muay Thai o futebol é quem está roubando a cena. A prova disso é a comoção do Buriram United, líder do Campeonato Tailandês. Comandado por um brasileiro, o técnico Alexandre Gama, a equipe tem apenas quatro derrotas em 32 jogos e a surpreendente média de público de 22 mil pessoas. A estrutura foi o que impressionou o treinador e contribuiu para que ele aceitasse o convite.

O time possui dois centros de treinamentos de excelência, um em Buriram e outro em Bangcoc e um estádio com capacidade para mais de 27 mil torcedores. O Thunder Castle, que também recebe eventos, foi inspirado no Stamford Bridge, do Chelsea (ING). Em campo, o jogador espanhol Carmelo González é a estrela do elenco, que ainda conta com o brasileiro Lúcio Maranhão, ex-ASA, e agora Rafael Coelho, contratado na quinta-feira.

Thunder Castle, estádio do Buriram United
Divulgação
Thunder Castle, estádio do Buriram United

“Eu recebi uma lista dos jogadores e vídeos antes da assinatura do contrato. Peguei muitas informações na internet e, quando eu assumi o time, o trabalho ficou fácil. O time chega a colocar 35 mil pessoas no estádio, independente se o jogo for dentro ou fora de casa. Gostam muito do futebol por aqui”, disse Gama, que está há três meses na Tailândia e também já passou pelos Emirados Árabes e seleção da Coreia do Sul, em entrevista ao iG .

Apesar de a economia passar por um momento de reconstrução com o golpe militar, em maio, a maioria dos clubes mantém altos investimentos através das receitas de seus donos milionários e patrocínios. No caso do Buriram United, a maior parte do dinheiro vem da empresa multinacional Coca-Cola e outros 16 parceiros, entre eles a montadora Yamaha.

Alexandre Gama com seus auxiliares em uma praia da Tailândia
Reprodução
Alexandre Gama com seus auxiliares em uma praia da Tailândia

E se o idioma tem sido apontado pelos técnicos brasileiros como barreira para trabalhar no exterior , Alexandre Gama faz a teoria cair por terra. Além de ter rodado clubes asiáticos, no Buriram, o treinador conta com um intérprete e garante não tem problemas para passar instruções aos atletas. Para ele, os técnicos brasileiros têm perdido mercado.

“Quem pensa que a língua é um entrave não está querendo evoluir. Trabalhar em clubes de outros país faz com que você conheça outras línguas, níveis diferentes de campeonatos...Faz a gente evoluir e isso é importante. O brasileiro já vem há algum tempo perdendo espaço fora do país. No exterior, estão pedindo qualificação dos treinadores, e não Brasil não tem isso. Estou há mais de dez anos na profissão, e cada dia mais estão cobrando essa questão . Quem está no mercado vai continuar, mas quem não está vai ter dificuldades”, analisou.

Para ele, o problema está na mentalidade. “O problema é que no Brasil não deixam as pessoas trabalharem. Enquanto outros falam que ex-jogador não pode ser técnico. Eu fui ex-jogador, fiz faculdade e cursos. Eu sou a favor do ex-atleta ser treinador, mas desde que comece por baixo e entenda o trabalho que precisa ser feito para chegar ao profissional. Sou contra começar no profissional. São necessários cursos que qualifiquem os níveis dos treinadores”, sugeriu.

Pouco reconhecido no Brasil, mesmo tendo trabalho no Fluminense (na base) e Duque de Caxias, Alexandre Gama é a prova que a atualização constante é importante na construção de um treinador. E que trabalhar e aprender em países com menos prestígio no futebol não é demérito para ninguém. 

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