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Presidente emprestou R$ 103 milhões ao clube, mas não aprova atitude. Ele assegura que entregará ao próximo dirigente um clube mais forte financeiramente

Em 2012, em entrevista ao jornal Lance! , Paulo Nobre afirmou "No meu plano de governo não está colocar dinheiro de dirigente. Estamos abertos a investidores, mas meu dinheiro não". O tempo passou, ele foi eleito e fez aquilo que reprovava: injetou dinheiro do próprio bolso para, segundo ele, não deixar a "engrenagem parar". O presidente do Palmeiras , porém, não se orgulha da atitude.

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Paulo Nobre na festa centenária do Palmeiras
Fernando Dantas/Gazeta Press
Paulo Nobre na festa centenária do Palmeiras

"O dinheiro mais barato que encontrei foi, no primeiro momento, fazendo operações no mercado financeiro em meu nome e repassando ao clube. Depois, mais barato ainda, é o clube devendo direto para mim. Consegui uma operação superfactível para o Palmeiras me pagar em longo prazo. Não me orgulho disso, mas foi um caminho mais viável, o único para a roda não parar de rodar", reconheceu Nobre na festa do aniversário do clube.

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Paulo Nobre já emprestou R$ 103 milhões ao Palmeiras. Na próxima segunda-feira, dia 1 de setembro, conselheiros votarão pela aprovação ou não de um plano para a quitação do empréstimo. A tendência é que o documento seja aceito. Nobre propôs o pagamento da dívida no prazo de 10 a 15 anos, sob juros baixos, revertendo 10% da renda mensal do clube a um fundo específico.

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Enquanto associados questionam aonde o valor milionário foi aplicado, o dirigente relembra as finanças comprometidas pelo ex-presidente Arnaldo Tirone. "Dirigente colocar dinheiro do próprio bolso no clube é a contramão de tudo o que penso. Nunca foi meu objetivo e não me orgulho nem um pouco de ter colocado meu dinheiro nessa situação no Palmeiras. Porém, quando peguei o ano de 2013, havia apenas 25% das receitas, porque 75% já tinham sido adiantadas e gastas. E tinha de pagar luz, água e salário dos funcionários", justificou-se.

Nobre, que ainda não confirmou se concorrerá às próximas eleições, assegura que deixará o clube mais sustentável ao próximo presidente. "Tenho certeza absoluta de que o ano de 2015 terá muito menos dinheiro adiantado do que em 2013 e 2014. Para quem não sabe, foi feita uma operação em 2010 que gastou todo o dinheiro do Campeonato Paulista de 2011, 2012, 2013, 2014 e 2015. Foram cinco anos adiantados e já gastos. Fora isso, não tem nada adiantado, e acredito em um Palmeiras mais saudável financeiramente no ano que vem. O que mais me orgulha é entregar ao próximo presidente um Palmeiras melhor do que pegamos", concliu.

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