Tamanho do texto

Zagueiro e capitão do Palmeiras deixou claro que há problemas dentro do grupo e evitou comentar sobre o trabalho de Gareca

Lucio
Cesar Greco/Ag Palmeiras/Divulgação
Lucio

Se os jogadores não demonstraram nenhum tipo de abatimento durante a disputa de rachão na manha desta sexta-feira, Lúcio não fez questão nenhuma de esconder a irritação com a situação do Palmeiras no Campeonato Brasileiro . Capitão do time, o zagueiro, durante entrevista coletiva, deu indícios de há diferença de pensamentos e prioridades dentro do grupo e pediu “caráter, hombridade e vergonha” de que estão lá.

“Não adianta somente eu pedir desculpas. O papel que temos desenvolvido é vergonhoso, temos de ter caráter e dedicação. Não adianta somente metade (do time) correr. A partir de agora todos os jogos são decisivos e nosso objetivo é bem claro: lutar para não ser rebaixado”, afirmou.

Leia:  Gareca não conversa com o elenco, e Palmeiras faz apenas um rachão antes do jogo

Lúcio volta ao time depois de cumprir suspensão na última rodada contra o Sport e, com isso, deve retomar a braçadeira de capitão – herdada por Wesley no Recife (PE). Um dos líderes do elenco, o defensor admite não ter o poder de forçar nada a ninguém com as palavras e ensinamentos nos vestiários.

“Todo jogador, primeiramente, precisa ter vergonha da situação. E cada um precisa fazer uma autoanálise e saber o que está fazendo de bom e ruim, o que pode ajudar o time sair dessa situação ruim. Estamos todos no mesmo barco”, completou.

No desembarque do time na quinta-feira, o diretor executivo José Carlos Brunoro afirmou que o Palmeiras estava “sofrendo com o emocional”. Lúcio considerou a declaração “normal” e não economizou no discurso. “Se alguém ficar alegre nesta situação, precisa ir para o hospício. É normal ficarmos tristes, porque vivemos disso, nossa vida é futebol. Da minha parte, procuro fazer bem feito e vencer”, declarou.

Confira abaixo na íntegra as demais repostas do capitão na coletiva polêmica:

Função de capitão

"Meu trabalho e motivar, passar credibilidade, fazer com que o jogador acredito no futebol. Mas aí também vem a outra questão de quem quer lidar com isso e quem quer aceitar a motivação, receber as palavras de motivação. Não adianta mil e uma palavras, pois depende da personalidade e hombridade de cada jogar.

"Jogo limite contra o Coritiba", segundo Gareca

Todos os jogos são importantes. Eu não tive acesso a essa entrevista (do técnico à rádio argentina). Mas cabe a decisão a ele. Nós sabemos que no futebol brasileiro a cobrança é grande e os resultados são para ontem. Mas é a diretoria quem tem o poder de decidir (se ele permanece ou não).

Grupo rachado

Eu não sei o que pensam, mas rachado não está. Quando não se tem resultado, cada um tem de procurar e analisar o que está fazendo de errado e certo. Alguns procuram ouvir, tentam pelo menos colocar em prática. É normal que em um grupo de 30 jogadores se tenha caráter diferentes. No momento, não está bom para ninguém porque estamos na última colocação do campeonato.

Análise da situação ruim no Nacional

A percepção é através dos resultados, é reflexo dos resultados. Não é que vejo corpo mole, mas é que se as vitórias não vem, algo está errado. A minha cobrança é comigo. Apesar de eu ser o capitão, é difícil cobrar outro jogador de uma maneira mais dura, isso pode criar algum problema. Cabe muito à comissão técnica também.

Problemas na adaptação com Gareca

É difícil prever o futuro. O futebol brasileiro não tem muito tempo para mudar uma filosofia de uma hora para outra, apesar da contratação dele (técnico) ter sido bem antes da parada da Copa (foi em maio). A gente não pode deixar esses assuntos virarem polêmicas. Temos de sair dessa situação que é muito ruim.

O time precisa de mudanças?

São fatos. Alguma coisa está errada. Aliás, muitas coisas. Não vou brigar com ninguém. Mas tem de ser homem o bastante para analisar, fazer uma autocrítica e entrar dentro de campo sabendo que milhões estão sofrendo.

Cobrança diária

Todo o jogo a gente procura passar o que representa a partida. O time não rendeu suficiente e posição na tabela demonstra isso. A cobrança é diária, antes e depois dos jogos. Não ainda forçar, cada um tem de analisar.

Falta padrão de jogo ao time?

O entrosamento é importante para dar uma continuidade do time se conhecer e melhorar. É claro que o treino nos dá essa condição, mas o importante é o resultado. O fato de não estar bem entrosado pode vir a prejudicar, mas não serve de desculpa para explicar nossa situação.

Conversa fechada

O papo acontece semanalmente. Eu não posso chegar e cobrar o time como um diretor. Isso cabe a eles. Esse comprometimento não cabe ao capitão e nenhum outro líder do grupo. Cabe ao treinador e diretoria.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.