Tamanho do texto

Meia retornou ao clube depois de ter sido liberado para acertar com Al Fujaraih e ter o negócio não concretizado. Partes processarão o clube

Valdivia concedeu longa entrevista coletiva nesta quinta no Palmeiras
Luís Moura/Gazeta Press
Valdivia concedeu longa entrevista coletiva nesta quinta no Palmeiras

Depois de o negócio com o Al Fujaraih, dos Emirados Árabes, fracassar, Valdivia se reapresentou ao Palmeiras na última quarta-feira e deu a versão dele sobre o imbróglio que resultou a não assinatura do contrato. Em entrevista coletiva no início da tarde desta quinta, na Academia de Futebol, o chileno se justificou, disse que foi enganado e "tratado como criança" nos Emirados Árabes, e prometeu entrar na Justiça por se sentir prejudicado.

Em um pronunciamento de quase 1h30 de duração, Valdivia explicou com detalhes a saída conturbada dele, mas, apesar do retorno, não garantiu se continuará ou não no Palmeiras. Segundo ele, as partes já haviam acertado o valor dos direitos federativos, mas não luvas e premiações. "Eu viajei em uma quarta-feira de madrugada. Fui recebido por torcedores, gerentes do clube, imprensa, jornais e TV. Fui levado à cidade do clube, onde fui recebido pelo Sheik e ganhei a camisa número 10. O Sheik postou uma foto no Facebook dele apresentando o novo jogador do clube. Fiz exames médicos. Era o período de Ramadã lá, então nós esperamos o dia para a assinatura do contrato. Enquanto isso, fiz exames médicos e foi aceito o meu pedido de pelo menos dez dias de férias", contou.

"Era para eu me apresentar no dia 5 na Alemanha. O clube falou que não tinha problemas, era só para eu me apresentar no dia 5. Até então estava tudo certo. Quando foi informado nos dias das férias, eu avisei a minha mulher para que pudéssemos planejar. Viajei para o Chile, e até então não chegamos a assinar o contrato porque o país estava em Ramadã. Fiz tudo que já havia acontecido no Al Ain. Tudo que foi feito na primeira vez, foi feito de novo. Assinei o contrato na Alemanha e quando voltei para o Chile falaram que tinha sido cancelado, porque eu não assinei. Fiquei muito surpreso, porque na minha cabeça estava tudo certo", completou.

Na última semana, o agente Wagner Ribeiro prometeu entrar com uma ação na Justiça contra o clube árabe  e a confimação da ação foi feita pelo próprio Valdivia.

"Foi uma complicação para mim, porque eu tive de tirar meus filhos da escola, providenciar minha mudança. Pelo que a pessoa que estava levando a negociação comigo, o Sheik teria tirado a grana do filho dizendo que o dinheiro é muito e poderia ser utilizado para construir hospitais e escolas. Foi isso que foi passado para mim. Para o Palmeiras foi passado outra coisa. Eu fiquei surpreso. Quando fui liberado, no dia 12 de julho, não recebi mais nenhum salário do Palmeiras. Agora vamos ver junto com o departamento jurídico o próximo passo", defendeu-se.

Reintegrado ao grupo na última quarta-feira, Valdivia diz que não tem nenhum problema em continuar no clube e garante estar motivado para continuar. Eu não vejo que o clima possa ser ruim. Comigo estava tudo certo. Não tinha a mínima dúvida de que não seria mais jogador do Palmeiras. Agora, eu volto, volto com a mesma motivação que tinha aqui. Conversei com o treinador (Ricardo Gareca) e acho que o clima nunca mudou", falou.

No dia 15 de julho, o próprio Valdivia divulgou uma mensagem de despedida no Instagram e escreveu que estava saindo porque "o clube precisava do dinheiro". Ainda no texto, o meio-de-campo agradeceu a torcida e funcionário dos Palmeiras pelos quatro anos de casa.

Oito dias depois, o jornal The National afirmou que Valdivia havia deixado os Emirados Árabes para voltar ao Brasil por conta de problemas no acordo. O jogador, por sua vez, esteve incomunicável durante esse período e curtia as férias na Disney ao lado da família.

A reportagem do iG apurou que o clube árabe pretendia fazer o pagamento parcelado, o que foi inicialmente aceito pelo Palmeiras. O valor de R$ 16 milhões seria pago em seis parcelas : ato, 10/12/2014, 10/06/2015, 10/12/2015 e 10/03/2016. 

Valdivia contabiliza duas passagens pelo Palmeiras. Em 2006, ainda desconhecido, foi contratado depois de boa temporada pelo Colo-Colo (Chile) e no ano seguinte passou a vestir a camisa 10 alviverde. As boas exibições renderam a ele o apelido de "Mago" e a conquista do Paulistão de 2008.

Valorizado, o chileno foi vendido ao Al Ain (Emirados Árabes) em agosto do mesmo ano e, apesar da pouca visibilidade nos país, disputou a Copa do Mundo de 2010 na África do Sul. No fim do mesmo ano do Mundial, retornou ao Palmeiras repatriado pelo então presidente Luiz Gonzaga Beluzzo. À época, o empresário e conselheiro palmeirense Osório Furlan emprestou R$ 6 milhões para viabilizar o negócio e hoje possui 36% dos direitos do atleta.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.