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Lucro de operação nos jogos vai todo para pagamento do financiamento e recordes de renda ajudam a acelerar processo

Por mais que o Corinthians tenha recebido incentivos fiscais de mais de R$ 420 milhões da prefeitura de São Paulo para construir seu estádio em Itaquera, um outro valor, este de cerca de R$ 750 milhões, referente aos empréstimos para a conclusão da obra, bate à porta do clube passada a Copa do Mundo. Como o clube pretende pagar essa dívida?

A resposta, de acordo com o Corinthians, vem sendo dada por sua torcida nos jogos que a equipe fez no Itaquerão nestas edições do Campeonato Brasileiro e na Copa do Brasil: a renda média é de R$ 2,3 milhões, quase quatro vezes maior do que a que vinha sendo obtida no Pacaembu, cerca de R$ 600 mil.

A projeção corintiana de arrecadação apenas com bilheteria até o final de 2014 é de no mínimo R$ 30 milhões considerando apenas os jogos como mandante do Campeonato Brasileiro. O time ainda está nas fases finais da Copa do Brasil e se chegar à final fará ainda outros quatro jogos como mandante, potencializando essa arrecadação.

Essa é só uma das fontes de renda que o clube passou a ter depois que a Arena Corinthians passou a funcionar em maio. E a forma mais viável - ainda que demorada - de ele conseguir quitar a dívida adquirida para levantar o estádio. Por contrato com a Odebrecht, responsável pela obra e pela viabilização dos empréstimos para seu financiamento, o Corinthians tem até 12 anos para quitar a dívida. Para tanto, terá de fazer com que o estádio dê lucro superior a R$ 62 milhões por ano. 

“A cada jogo o que vai ser feito é que uma parte da renda vai ser guardada para o pagamento das despesas no fim da temporada”, disse Lucio Blanco, diretor de operações do Corinthians. Ou seja, todo o lucro que o clube tiver no estádio vai direto para o pagamento do financiamento do estádio. Os custos mensais de manutenção do estádio são de R$ 3 milhões.

Nos jogos contra Figueirense, Botafogo, Internacional, Bahia e Palmeiras, os cinco feitos até aqui no estádio, a média de público foi de mais de 32 mil pessoas. Como o estádio continua sendo novidade e o Corinthians vem fazendo boa campanha no Brasileirão, o clube projeta que a média de arrecadação seguirá alta. Para isso conta com sua torcida. Ainda mais com a indefinição da venda do nome do estádio.

Ainda em negociação, o "naming rights" será o desafogo para o clube caso as rendas com bilheteria no estádio diminuam. O ex-presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, é o responsável pela negociação. Ele já foi ao Oriente Médio para tratar com empresas da região, mas nenhum acordo foi fechado. Com os naming rights vendidos a ideia do Corinthians é ter pelo menos R$ 25 milhões por ano para ajudar a pagar o financiamento. 

Prédio oeste, com camarotes e cadeiras
Djalma Vassão/Gazeta Press
Prédio oeste, com camarotes e cadeiras "cativas" é aposta de aumento de arrecadação

Ingressos nas alturas
O público máximo da Arena Corinthians após a retirada total das arquibancadas provisórias erguidas para a Copa do Mundo será de 47.600 pessoas. Por enquanto, por conta de outras estruturas montadas para o torneio da Fifa, a capacidade do estádio não supera 40 mil lugares.

A política de preços do clube vem desagradando boa parte dos torcedores. A entrada mais barata tem sido R$ 50 para quem não é sócio-torcedor do clube. Para aqueles cadastrados no programa de fidelização há descontos em todos os setores do estádio. 

"Mina de ouro", setor oeste só recebeu 19 mil pessoas em cinco partidas

As áreas com ingressos mais baratos, prédios sul e norte, têm tido capacidade máxima, mas o prédio oeste, onde os ingressos saem por R$ 400 e onde ficam camarotes, não tem sido muito procurado. Ainda assim, ao menos nesse ano, o clube não pretende baratear os preços para esse setor. 

"O prédio Oeste é novo e tem um outro formato de negócio. Lá ficam os camarotes e as cadeiras que serão vendidas por temporada. Não são cativas porque não são para a vida toda, mas como ainda estamos no início das operações, buscamos os ajustes", disse Blanco.

Além dos lucros com bilheteria, o clube viabiliza a instalação de painéis de LED entre as arquibancadas superiores e inferiores da arena para fins de patrocínio. Elas teriam a mesma utilidade das placas que ficam no campo e seriam independentes da empresa que eventualmente adquirir os naming rights.

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