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Paulo Schiff disse que as carteirinhas ainda estão visíveis no sistema porque foram apenas bloqueadas e afirma que episódio manchou o clube e prejudicou na negociação de uma patrocinador master. Odílio dará entrevista coletiva

As carteirinhas falsas, apresentadas pelo grupo de oposição, continuam em debate nos bastidores do Santos. Na manhã desta segunda-feira, o presidente do Conselho Deliberativo, Paulo Schiff, divulgou uma nota a fim de explicar o motivo delas ainda aparecerem no sistema do clube e lamentou o episódio. Segundo ele, "a falsa denúncia" manchou a imagem do Santos e prejudicou na negociação de um patrocinador master. 

Paulo Roberto Schiff é presidente do Conselho Deliberativo.
Divulgação
Paulo Roberto Schiff é presidente do Conselho Deliberativo.

"Bloqueada é uma coisa. Cancelada, outra", defendeu-se Paulo Schiff, que ainda prometeu entrar com uma ação judicial contra membros da Terceira Via Santista, que fizeram tal denúncia na última semana. 

Na semana passada, o Santos já havia divulgado uma nota repudiando a gravação do vídeo. O clube alegou que a gravação foi feita sem o consentimento do próprio clube e da funcionária que aparece nas imagens dando ao associado a número de matrícula de Vito Antonio Andolini, o Don Corleone.

No dia 23, a Terceira Via Santista acusou a atual administração de fraude eleitoral. O conselheiro Orlando Rollo apresentou uma série de denúncias, inclusive com carteirinhas de associados aptos a votar com nomes no mínimo inusitado, como: Don Corleone, Augusto Pinochet, Al Capone e Alexandre Nardoni.

Na tarde desta terça-feira, às 15h, na Vila Belmiro, haverá uma entrevista coletiva do presidente Odílio Rodrigues para comentar o episódio.

Leia a nota na íntegra:

Bloqueada é uma coisa. Cancelada, outra .

Vivi na semana passada uma experiência que me fez pensar muito. A reflexão serve para qualquer pessoa desse nosso tempo de meios de comunicação de massa e redes sociais. No meu caso, tem dois ângulos de abordagem quase opostos. Um deles, como presidente do Conselho do Santos. O outro, como profissional da comunicação.

Uma associação chamada Terceira Via Santista convocou uma entrevista coletiva e fez uma denúncia. Estaria acontecendo uma fraude na confecção de mais de 6 mil carteirinhas falsas de sócio do Santos. A denúncia era completamente vazia. E também completamente desatualizada.

Os dados da “denúncia” tinham sido levantados num trabalho contratado pelo Santos junto ao Serasa em fevereiro para verificação do cadastro de 60 mil associados. Tinham sido apresentados aos conselheiros do Santos numa reunião informal no dia 10 de junho, 43 dias antes da “denúncia”. Essa reunião, filmada, estava, desde essa época, postada. Você, que lê este texto, pode verificar essa gravação no site do clube.  ( http://santosfc.com.br/santostv/reuniao-do-conselho-sfc-1006/ )

Entre os 60 mil associados, 6 mil tinham apresentado incorreções no cadastro, como endereçoou grafia do nome errados. 5 mil, de lá para cá, já tinham sido recadastrados com as correções necessárias. Entre os mil que ainda estavam sob verificação, 49 tinham CPFs que não correspondiam aos nomes. Essas carteirinhas estavam bloqueadas desde fevereiro ou março. Ou seja, não poderiam ser usadas para comprar ingressos. Nem para votar. Cinco delas foram apresentadas na “denúncia”.

Na entrevista para explicar a situação, deixei isso bem claro. Antes de falar com os jornalistas, perguntei duas vezes ao gerente de comunicação do Santos, Jorge Gutierrez, qual era a palavra adequada para a situação dessas carteirinhas: BLOQUEADAS. A palavra está no comunicado oficial do clube sobre o episódio.

Bloqueada é uma coisa. Cancelada, é outra.

Os nomes, alguns pitorescos, continuam no cadastro. Estão sob verificação: Pinochet, Dom Corleone, Alexandre Nardoni...

Um advogado da Terceira Via Santista gravou uma consulta sobre um desses nomes. A funcionária do Santos não pode dizer se está inadimplente ou coisa assim. É sigilo. Respondeu, corretamente, que continuava no cadastro. E o advogado usou esse vídeo para me desmentir. Ou seja, passei por mentiroso. Muitas pessoas que leram as reportagens e viram o vídeo me cobraram isso.

O vídeo não desmente o bloqueio. Mas foi usado para causar essa falsa impressão. Vou, logicamente, buscar na justiça uma reparação pelos danos à minha imagem. Mas isso demora.

Muito mais grave que o meu prejuízo, é o do clube, que teve indevidamente a sua imagem muito manchada pela falsa denúncia. Que atrapalha, por exemplo, a negociação de contratos de patrocínio. É muito duro, como profissional de comunicação, constatar que a defesa contra esse tipo de ação é quase impossível.

Esse uso da comunicação transforma um mix de sensacionalismo e superficialidade em ulgamento sumário de extrema crueldade.

Paulo Schiff

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