Tamanho do texto

Fúria Independente divulgou carta aberta na qual sugere que todo o dinheiro que entre no clube seja destinado ao futebol

Paraná vive crise e está na zona de rebaixamento da Série B do Brasileiro
JOKA MADRUGA/FUTURA PRESS
Paraná vive crise e está na zona de rebaixamento da Série B do Brasileiro

A crise do Paraná Clube ganhou um novo marco nesta sexta-feira. Com a ameaça real de queda para a Série C do Campeonato Brasileiro, a falta de recursos para investir no futebol e até mesmo pagar o salário de seus jogadores e funcionários, a principal torcida organizada do time, a Fúria Independente, divulgou uma carta aberta pedindo providências ao clube e aos torcedores para evitar o fim do Paraná.

A avaliação é de que a situação ficará insustentável se a queda em campo acontecer. Isso porque o clube já soma milhões em dívidas, tem dinheiro bloqueado por conta da ação de credores na Justiça e não consegue mais sustentar o futebol com recursos próprios, além de ter deixado a parte social funcionando em condições mínimas, quadro muito diferente de 25 anos atrás, quando foi fundado a partir da fusão de Colorado e Pinheiros.

Uma das soluções apontadas é a venda da sede social da Kennedy para sanar todas as dívidas, abrindo mão da parte social e focando apenas no futebol, com toda a verba recebida de patrocinadores e cotas de televisão voltadas apenas para a montagem do time e o aperfeiçoamento das categorias de base.

"A primeira e mais importante decisão para mudá-lo é definir que a atividade fim do Paraná Clube é o futebol. Assim, podemos repensar o Paraná como um todo, voltando nossas forças para um único objetivo. A segunda e mais dolorosa é a venda da sede da Kennedy. Em questão de tempo a perderemos em leilão. Uma sede que vale quase 100 milhões, perderemos por 40 milhões. O dinheiro ficará bloqueado igual ao leilão da Sede do Tarumã e ainda ficaremos sem capital de giro, aumentando os Processos Trabalhistas e uma dívida gigantesca", diz o manifesto, que lembra do leilão de Tarumã, que amenizaria a crise, mas que teve pouco efeito.

A baixa presença de torcedores na Vila Capanema, com médias em torno de 2 mil torcedores por partida, também foi apontada para explicar parte do fracasso do Paraná em se sustentar, apontando parte dos torcedores como culpados da situação. "Estamos acabando. Estamos expondo a situação para que você (torcedor) tenha a chance de fazer a sua parte. Não adianta reclamar, bater nos jogadores, pedir a troca dos dirigentes ou criticar na internet. Se você não paga o seu sócio, não vai aos jogos e não compra nenhum produto oficial do Paraná Clube, não atrapalhe", afirma outro ponto da carta.

Essa não é a primeira ação da torcida organizada para tentar tirar o clube das dificuldades que se agravaram desde 2007, o último suspiro de grandiosidade com a participação na Libertadores da América. Em 2013, um cheque foi entregue pela Fúria para ajudar a pagar salários em troca de um inédito patrocínio na camisa. Na última semana foi anunciado que todos os royalties referentes à marca na venda de camisas seriam repassados ao Paraná. Agora resta saber se haverá tempo para reverter o estrago. A equipe ocupa a 18ª colocação da Série B , com 10 pontos ganhos em 12 rodadas.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.