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Projeto do grupo opositor do Santos estuda a modernização da Vila Belmiro e critica vendas de atletas da atual administração

No terceiro dia da série especial da política do Santos , o iG Esporte apresenta os projetos propostos pela Terceira Via Santista (3VS), grupo da oposição. Assim como as outras possíveis chapas, o nome do candidato à presidência do clube ainda não foi apresentado, mas Orlando Rollo aparece como o preferido. A promessa do grupo é resgatar o sistema de presidencialismo, "aposentar" o Comitê de Gestão e modernizar a Vila Belmiro.

Fundada há quatro anos, a Terceira Via Santista contribuiu para eleição do presidente Luís Álvaro de Oliveira Ribeiro em 2010 e mantinha forte relação com o cartola por ter membros da associação na rotina administrativa do clube. No segundo mandato dele, no entanto, a 3VS decidiu romper com a diretoria por não concordar com as decisões tomadas por ela.

Uma das insatisfações da Terceira Via Santista é o modelo administrativo com o Comitê de Gestão - o qual o grupo sempre se mostrou contra à implementação - e propõe o retorno do presidencialismo, sistema anterior.

"O Comitê de Gestão engessa o clube e não é eficaz. O futebol tem de ser ágil, não tem tempo para acontecer uma votação. Uma grande oportunidade no mercado pode surgir em questão de horas e não dá tempo para o comitê trabalhar. Em 2010, fomos radicalmente contra. É criar uma cobra de nove cabeças", disse o presidente do grupo, Claudio Kobayashi, ao iG Esporte .

"A gente sabe que Luís Álvaro foi abandonado e que o comitê passou a comandar o clube. E ele tem uma parcela de culpa nisso. A gente crê que o presidencialismo é a maneira mais eficaz. O que está bem claro é que o comitê é ineficaz. Não são pessoas preparadas para viver o dia a dia do clube. O sistema (de presidencialismo), apesar de ser menos democrático, traz mais agilidade. E isso é o mais importante. Nós perdemos inúmeros jogadores, por exemplo, porque o comitê atrasou", completou.

Claudio Kobayashi, presidente da Terceira Via Santista, ao lado de Orlando Rollo e Manuel Neto
Reprodução
Claudio Kobayashi, presidente da Terceira Via Santista, ao lado de Orlando Rollo e Manuel Neto

Cogitada nos bastidores do clube há dois anos, a ideia de construir uma possível arena em Cubatão também é rejeitada pela Terceira Via. A intenção é ampliar a Vila Belmiro, que hoje possui capacidade atual para apenas 16 mil pessoas, e modernizar o estádio aos novos padrões exigidos pela Fifa.

"Alguns de nossos projetos são a ampliação da Vila Belmiro e o centro de treinamento para a base. É lamentável colocar ainda o alojamento no estádio (os quartos da garotada ficam embaixo da arquibancada). A Vila Belmiro hoje está devassada e ela tem a sua história. O estádio precisa de uma reforma urgente para apresentar melhorias também ao torcedor", apontou Claudio.

Outra preocupação da associação é a revitalização da Chácara Nicolau Moran, adquirida pelo Santos na década de 60 e abandonada em 90. A intenção é transformá-la em "ponto turístico".

Questionado sobre o novo perfil do presidente, Claudio Kobayashi é claro: "Precisa ter personalidade forte, não se omitir. Tem de ser apaixonado pelo clube, mas que coloque os interesses do Santos à frente dos interesses pessoais. A torcida não aguenta mais essa guerra de poder e vaidade. As pessoas passam, o clube fica", analisou.

Oposição crítica atual diretoria

Crítica da atual gestão do clube, encabeçada pelo presidente Odílio Rodrigues, a Terceira Via Santista não poupa palavras para apontar os erros cometidos - na visão dela - nos últimos anos. A venda polêmica de Neymar ao Barcelona foi lembrada.

"Essa é uma das piores gestões da história do Santos. Perdemos espaço na mídia e não existe comprometimento com o Santos. Na verdade, a questão Neymar é um resultado da má gerência da atual diretoria. Cadê o dinheiro das vendas de Felipe Anderson e Rafael? Simplesmente sumiram, e o clube está endividado", apontou Kobayashi.

Ele ainda lembrou a compra do atacante Leandro Damião, que chegou ao Santos no início da temporada em parceria com a Doyen Sports. O fundo de investimento emprestou cerca de R$ 57,5 milhões, e o Santos tem até 2017 para devolver a quantia.

"Milhões em um centroavante, enquanto a cota de televisão é triste. Como o clube contrata o jogador a esse preço altíssimo? O Conselho Deliberativo aprova isso? Está tudo jogado às traças. Aprovam tudo o que a diretoria manda, e isso não pode", declarou.

Confira abaixo a carta de apresentação enviada pela Terceira Via Santista à pedido do iG:

"A Associação Terceira Via Santista é um grupo democrático de associados do Santos Futebol Clube, que tem seus objetivos centrados na fiscalização dos atos administrativos, por meio da participação ativa política interna do Clube.

Foi fundada em 14 de abril de 2010 e, pela forte participação de torcedores de arquibancada, ficou conhecida como o “Movimento das Arquibancadas”. Suas decisões são tomadas em Assembleia Geral de sócios, de forma a ouvir e respeitar a opinião de todos.

Com o intuito de disputar as eleições internas do Santos Futebol Clube em 2014, a Terceira Via Santista vem se estruturando de forma profissional, com sede própria em Santos, uma diretoria ativa e um competente conselho deliberativo, além das diretorias regionais em diversas cidades, que visam aproximar o associado da entidade e ao Santos.

Com relação as propostas, a Associação Terceira Via Santista defende: que o Santos tenha sempre equipes competitivas visando a conquista de títulos; o fim do Comitê de Gestão; mandato de dois anos para o Presidente com a possibilidade de apenas uma reeleição; ampliação e modernização do Estádio Urbano Caldeira; revitalização da Chácara Nicolau Moran, patrimônio histórico e cultural do Santos; instituição de sede administrativa e social para uso dos sócios na cidade de Santos e São Paulo; disputa de campeonatos de esportes olímpicos pelo Santos, em nível nacional com o objetivo de dar maior visibilidade na marca e captação de recursos; Mando de jogos pontuais e estratégicos em São Paulo, entre outros locais de grande concentração de torcedores; implantação de novos centros de treinamentos para as categorias de base em cidades e regiões estratégicas com o propósito de ampliar o trabalho de revelação de jovens talentos.

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