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Felipe Martins deixou o país cedo para se dedicar à carreira de jogador de futebol. Com 16 anos, se tornou profissional e hoje, aos 23, já é pai, ídolo e está na história de clube do Canadá

As coisas na vida de Felipe Campanholi Martins acontecem de maneira um pouco precoce. Ainda antes de atingir a maioridade, deixou o Brasil rumo ao exterior para se profissionalizar no futebol. Na Itália, sofreu uma arritmia cardíaca que, felizmente, não o impediu de seguir atuando. Hoje, já se diverte com seu primeiro filho e desfruta de façanhas que o tornam um dos jogadores mais importantes da história de um clube, o Montreal Impact, da Major League Soccer. Tudo isso com apenas 23 anos.

No último dia 5 de abril, no empate por 2 a 2 contra o New York Red Bulls, o meio-campista distribuiu uma assistência para o primeiro gol e, de cabeça, anotou o segundo. Tento que entrou para os registros como o 100º do Impact desde que os canadenses disputam a principal liga norte-americana – filiou-se em 2012. Além disso, foi o primeiro atleta a atingir 5 mil minutos de jogo com a camisa azul da equipe. Feitos valorizados pelo paranaense de Engenheiro Beltrão, mas que ao mesmo tempo minimiza na hora de se colocar como a grande figura desta ainda breve caminhada do Montreal pela elite dos Estados Unidos.

“Faço parte dessa história porque tenho mais minutos na MLS, fiz o primeiro gol da história do Estádio Saputo e o centésimo na liga. Também sou o que tem mais assistências e só perco nos gols para o Marco Di Vaio. Mas não sou o maior não”, diz Felipe, em entrevista por telefone ao iG Esporte , ajudado pela eficiência dos americanos na hora de computar estatísticas.

O recorde de gols, único do qual não é dono, parece longe de ser uma obsessão do brasileiro. Mas também pode não demorar a chegar, já que Di Vaio, com 37 anos e vários serviços prestados ao futebol, não deve seguir atuando por muito mais tempo. “Provavelmente no fim do ano ele encerra a carreira e aí vou ver se consigo. Esse recorde posso alcançar com o tempo”, afirma o meia, sem pressa (Di Vaio tem 29 gols e Felipe, 11).

Felipe Martins começou a carreira no futsal em Campo Mourão, a cerca de 30 minutos de sua Engenheiro Beltrão natal. Aos 15 anos, partiu para a Itália. Com 16, se tornou profissional pelo Padova e participou da campanha de acesso à Série B na temporada 2008/2009. Ainda na Itália, Felipe viveu o que provavelmente foi seu maior contratempo na carreira e na vida até aqui. “Eu tive um pequeno problema no coração lá. Mas nunca tive mais nada, tanto é que continuo jogando. Até não gosto de tocar muito nesse assunto, porque podem vir a achar que eu ainda tenho algo. Foi uma coisa que aconteceu, hoje estou bem, jogando e fazendo meu trabalho”. Depois do Padova, o paranaense passaria pelo futebol suíço (Winterthur, Lugano e Vohlen) antes de fincar seus pés no Canadá.

Do Brasil, além do perfil descontraído, parece ter carregado uma característica frequentemente creditada a jogadores como, por exemplo, Neymar. “Ele é muito querido pelos fãs, que adoram o jeito brasileiro dele não só de jogar, mas de ser. A única reprovação que têm em relação a ele é que, nas primeiras duas temporadas, desenvolveu a reputação de cai-cai entre os árbitros, que agora não marcam falta nem quando ela acontece. Mas ele está aprendendo”, diz o jornalista Arcadio Marcuzzi, editor do site Le Footeur e colunista do jornal Métro, de Montreal.

Felipe tem estilo parecido com o do belga Eden Hazard, diz jornalista de Montreal
Getty Images/Mike Hewitt
Felipe tem estilo parecido com o do belga Eden Hazard, diz jornalista de Montreal

Felipe tem como ídolos Ronaldo e Zidane, além de uma admiração especial por Alessandro Nesta, com quem dividiu vestiário em 2012 e 2013, até o italiano se aposentar em outubro do último ano. Mas embora tenha os craques do passado como inspiração, dizem que seu estilo de jogo se assemelha mais a um belga que vem impressionando na atualidade. “Respeitadas as proporções, Felipe tem um perfil de jogo similar ao de Eden Hazard, do Chelsea. Veloz, trabalho rápido com os pés e ótima visão”, é o que afirma Marcuzzi. Análise com a qual o brasileiro corrobora. “Graças a Deus durante todos esses anos em que joguei na Europa, consegui me tornar um jogador versátil. Jogo mais em função de dar o último passe e também conseguir chegar para fazer o gol”.

Apesar do frio intenso que às vezes obriga o Impact a jogar em local coberto (o Estádio Olímpico), gosta da vida em Montreal. Sua mulher, Nicole, deu a luz ao primeiro filho do casal (Noah) em junho. O garoto já tem até uniforme de bebê com o nome do pai às costas.

Com esse extenso currículo ao longo de 23 anos, o brasileiro não deve nada a ninguém mais velho no que diz respeito a experiências de vida. Só que ainda há, definitivamente, muito a ser vivido por esse paranaense de Engenheiro Beltrão, que saiu cedo do Brasil para se emancipar no futebol europeu e conquistar o Canadá.

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