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A investigação também pode convocar o pai de Neymar e o atual presidente do Barcelona, Josep Maria Bartomeu, para prestar esclarecimentos

Presidente do Barcelona quando o clube catalão acertou a contratação do atacante Neymar, em maio do ano passado, o ex-dirigente Sandro Rosell foi a Madri nesta terça-feira para prestar esclarecimentos ao juiz Pablo Ruz, que investiga possíveis irregularidades na transferência do craque brasileiro, que resultou na renúncia de Rosell.

Neymar com o diretor de futebol Zubizarreta, o presidente do Barcelona, Sandro Rosell, e o procurador André Cury
Divulgação
Neymar com o diretor de futebol Zubizarreta, o presidente do Barcelona, Sandro Rosell, e o procurador André Cury

Ao lado do ex-mandatário do Barça, serão ouvidos outras duas pessoas: o representante legal do clube, Antonio Rossich, acusado de comandar o desvio de aproximadamente R$ 27,3 milhões, que não teriam sido declarados à Receita espanhola; e Artur Amich, sócio da empresa Deloitte, que auditou as contas do Barcelona em 2012 e 2013.

A Justiça espanhola ainda suspeita que outros 11,7 milhões de euros (R$ 35 milhões) possam ter sido desviados no começo deste ano.

A investigação também pode convocar o pai de Neymar e o atual presidente do Barcelona, Josep Maria Bartomeu, para prestar esclarecimentos.

A Receita espanhola calcula que o Barcelona deixou de declarar, no total, quase 38 milhões de euros (R$ 125,5 milhões), que obrigariam o clube a pagar 9,1 milhões de euros (R$ 30,1 milhões) em tributos. Os valores representam a quantia que as empresas do pai de Neymar receberam pelo acordo - 10 milhões de euros (R$ 33,1 milhões) como adiantamento, em 2011, e 27,9 milhões de euros (R$ 92,3 milhões) no ano passado.

Alegando ter recebido "apenas" 34 milhões de euros (quase R$ 111 milhões) - dos quais 17 milhões de euros (R$ 55,5 milhões) -, o Santos tenta acessar os documentos da transferência para julgar se foi lesado ou não. Enquanto o Barcelona declara ter gastado 86,2 milhões de euros (R$ 280,60 milhões), o jornal El Mundo sustenta que os catalães desembolsaram 95 milhões de euros (R$ 310 milhões) para contar com o futebol de Neymar.

Entenda o caso:

Neymar se transferiu ao Barça em julho do ano passado, após conquistar o tetracampeonato da Copa das Confederações com a Seleção Brasileira. Na época, os valores não foram divulgados, mas, meses depois, o até então diretor Josep Maria Bartomeu revelou que o negócio custou 57 milhões de euros (cerca de R$ 180 milhões). Este valor, então, passou a ser adotado como oficial até mesmo pelo então presidente do Barça, Sandro Rosell.

Porém, no fim de janeiro um sócio do clube catalão acusou o mandatário de desviar 40 milhões de euros (cerca de R$ 130 milhões, na cotação atual) a uma empresa do pai de Neymar durante a transação. Ainda segundo a acusação, devem ser contabilizadas as luvas recebidas pelo craque, as parcerias sociais e de marketing e o acordo de prioridade com o Santos, que elevariam os valores da transferência aos 86,2 milhões de euros (R$ 284,5 milhões). A polêmica está sendo investigada pela Justiça espanhola, e fez com que Sandro Rosell renunciasse à presidência do clube de Camp Nou.

Depois dos esclarecimentos de Neymar pai, o Santos revelou que não tinha conhecimento sobre o acordo firmado entre o jogador e o Barcelona em 2011, e declarou que pleiteará o acesso aos contratos envolvendo o negócio. A DIS, grupo de empresários que detinha 40 % dos direitos econômicos de Neymar, sentiu-se lesada e estuda processar Santos, Barcelona e as empresas ligadas ao pai do jogador.

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