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Técnico do Santos admite que prefere um treinador brasileiro no comando da seleção e evitou entrar nos méritos da preparação de Felipão para a disputa da Copa do Mundo

Oswaldo de Oliveira evitou criticar a preparação da seleção brasileira na Copa
Divulgação/SantosFC
Oswaldo de Oliveira evitou criticar a preparação da seleção brasileira na Copa

A primeira entrevista coletiva de Oswaldo de Oliveira no Santos desde a paralisação do Campeonato Brasileiro foi recheada de questionamentos sobre a seleção brasileira. A vexatória eliminação nas semifinais da Copa do Mundo para a Alemanha com a derrota por 7 a 1 acabou prevalecendo mesmo diante da véspera do clássico contra o Palmeiras.

E em um momento em que os técnicos brasileiros começam a ser questionados e um treinador do exterior passa a ser cogitado, o técnico santista admitiu que se sente incomodado com a situação e garante estar preparado para assumir o time brasileiro, caso receba um convite.

"Se vier convocação, estou pronto para responder", disse Oswaldo de Oliveira, antes de comentar a intenção de se trazer um técnico de outra nacionalidade. "Sobre estrangeiro, é uma coisa que a CBF tem que ver com muito cuidado. Transcende minha opinião. Claro que eu preferiria um brasileiro. Existe todo um envolvimento no caso de nós contarmos com um estrangeiro, questão de adaptação, de uma série de coisas que têm que ser levadas em consideração", explicou.

Conhecido por ser um técnico de treinos intensos e de muita repetição, Oswaldo de Oliveira tentou evitar criticar a comissão técnica comandada por Felipão sobre a tão falada falta de treinos da equipe brasileira durante o Mundial.

"A seleção ficou muito visada por nós porque a Granja Comary é defasada. Todos poderiam ver, com muito interesse. As outras equipes que programaram mais sessões (de treinos), a gente não viu, fecharam o treino. No meu ponto de vista, quando tem pelo menos quatro dias, tem dois de recuperação, o terceiro você pode fazer a equipe treinar. Mas entra outro detalhe: fisiologia, fisioterapia evoluíram e você pode avaliar até que ponto o desgaste aconteceu e a dosagem de treinamento".

Por fim, o treinador santista tocou em um tema mais abrangente. A consciência, formação e educação de nossos jogadores. Lembrou seu tempo como técnico no Japão e discursou para uma necessidade do nosso país em dar mais atenção para este tema, que acaba se refletindo também no futebol.

"Acho que o que acontece hoje é reflexo do que vem acontecendo fora do campo há muito tempo. Além de reformular a estrutura técnica da CBF, precisamos reestruturar muita coisa fora de campo e na formação dos jogadores. Não só no âmbito futebolístico, mas na sociedade. Fica claro que os países que se desenvolveram mais no futebol, são países com sistema educacional, com evolução pedagógica. Pessoas são formadas não só pra jogar futebol, o que acontece como consequência", comentou.

Oswaldo também ressaltou a importância do futebol coletivo em um tempo que a individualidade perdeu espaço. "Não pode um só definir. Se tiver cinco de bom nível e outros bons, formando conceito coletivo, você tem muita chance de se sair bem. No Brasil, não temos essa concepção. Quando futebol é jogado mais individualmente, o craque que brota na rua, na praia, na calçada, que tem esse potencial, decide. Na hora que conceito é mais coletivo, não vai decidir. Cristiano Ronaldo não decidiu, Messi, Neymar não decidiu. Quem decidiu foram os que estavam em nível abaixo, mas, juntos, formaram um grande time e fizeram com a gente o que fizeram", concluiu.

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