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"É muito tempo sem jogar, então é um time de muita movimentação e velocidade", disse o treinador do São Paulo

O período de intertemporada serviu para os clubes do Campeonato Brasileiro tomarem fôlego dentro da competição. A relargada será na próxima semana e o São Paulo, a exemplo dos concorrentes, usou os treinamentos para melhorar o condicionamento físico dos atletas. Como mantém a tática usada na primeira parte, o técnico Muricy Ramalho acredita que a forte preparação marcará o ritmo da equipe neste segundo semestre.

Muricy Ramalho comanda treino do São Paulo
SÃO PAULO/DIVULGAÇÃO/SITE OFICIAL
Muricy Ramalho comanda treino do São Paulo

"O esquema de jogo não mudou, porque não mudamos os jogadores - a não ser na frente, porque o Luís (Fabiano) machucou", analisa o treinador, que vê o melhor condicionamento como principal fator da retomada. "A mudança é na parte física, porque treinamos muito. É muito tempo sem jogar, então é um time de muita movimentação e velocidade. É o que será essa retomada do Campeonato Brasileiro: jogos muito pegados e muita correria", aposta.

Nas nove primeiras rodadas do Brasileirão, o São Paulo sofreu com a queda de rendimento nas metades finais das partidas. Bem postado nos 45 minutos, o Tricolor por vezes produzia menos na segunda etapa e cedia o resultado ao adversário. Com a intertemporada, porém, a ideia é que o elenco tenha melhores condições físicas para o restante do ano.Mas só correr não é o bastante. Muricy Ramalho pontua que a redução no número de atletas tem sido importante para a qualificação do elenco, que agora instiga brigas por posição. Com isso, o treinador coloca o São Paulo como concorrente ao título nacional.

"É realmente um bom time. Não tem muito plantel porque também acho importante deixar algumas vagas para os moleques", argumenta. "Em termos de números é pouco, são 23 jogadores, mas temos dois bons em cada posição. E acho que isso é o ideal, não adianta você ter um monte de jogador. Tínhamos 35 sem ter duas opções para cada posição", compara o treinador.

Táticas da Copa não surpreendem Muricy

A Copa das Copas tem sido surpreendente de muitas maneiras até aqui, com média de gols alta e muita emoção. Pelo menos em esquemas táticos, porém, o técnico Muricy Ramalho não vê surpresas nas estratégias, inclusive acha parecidas com o que usava-se antigamente: velocidade pelas pontas no ataque e ocupação de espaços ao defender.

"Não surpreendeu muito em termos táticos, porque voltou à moda antiga, com três zagueiros", analisa o treinador do São Paulo. "A única coisa que nos surpreendeu foi a parte física, porque a correria foi muito grande. É uma Copa de pura marcação atrás da bola e velocidade no contra-ataque. A não ser a Alemanha, que é o único time que trabalha a bola na transição, o resto é tudo velocidade. Jogam com dois dos lados, não tendo meias e volantes como a Alemanha tem", explica Muricy.

Alguns dos destaques do Mundial apostaram no setor defensivo antes da criação de jogadas. Foram os casos de Costa Rica e Holanda, por exemplo, que enfrentaram-se nas quartas de final e protagonizaram um jogo de xadrez que só foi decidido nos pênaltis. A exemplo das seleções citadas, o Chile também usou três zagueiros, e só não eliminou o Brasil nas oitavas porque a bola escolheu a trave em vez da rede de Júlio César no último minuto da prorrogação.

Para Muricy, o sucesso de esquemas diferentes do 4-4-2 prova que as intenções da equipe não dependem exclusivamente da disposição dos atletas em campo. "Essa Copa mudou muito do que pensávamos: que já não tinha mais três zagueiros ou três volantes. E isso não quer dizer nada, é ocupação de espaços e sempre foi. Não é porque você joga com três zagueiros que é defensivo, nem porque joga com três atacantes que é ofensivo", defende.

Com o Mundial em seus últimos jogos neste final de semana, o torcedor já vai se conformando com o Brasileirão, que retorna em alguns dias. Apesar de lembrar a grande diferença técnica entre as competições, Muricy acredita que as estratégias no futebol nacional serão parecidas às vistas durante o último mês.

"A Copa foi correria, a verdade é essa. Não foi uma Copa com espetáculos, teve jogos pegados, muito duros", resume. "E acho que o Brasileirão vai voltar assim, com intensidade. Porque a preparação física foi muito forte em todos os times, e alguns ainda contrataram. Então vai ser pegado, com correria", finaliza o técnico tricolor.

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