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"Era tão óbvio que o Pacaembu tinha que ser nosso. Fizemos de tudo. Infelizmente, não tivemos a compreensão do prefeito", disse Luis Paulo Rosenberg

Luis Paulo Rosenberg já não diz sentir "aquela alergia" a Itaquera, como chegou a manifestar, mas não consegue se esquecer do Pacaembu. O dirigente do Corinthians lutou para que o clube assumisse o controle do estádio municipal e, mesmo satisfeito com a nova casa alvinegra na zona leste de São Paulo, lamenta a despedida da antiga, alugada por tantos anos.

Pacaembu deixou de ser a casa do Corinthians
Gazeta Press
Pacaembu deixou de ser a casa do Corinthians

"Agora que o estádio está lá, lindo, maravilhoso, continuo com sentimentos conflitantes. É como alguém que estava em um casamento perfeito, de muitos anos, e perde a esposa porque o desgraçado do médico a deixou morrer. Vou atrás de uma gatinha, linda de morrer, mas não esqueço a primeira mulher. Era uma ligação muito forte. Assim é com o Pacaembu e com Itaquera", afirmou, em lançamento de livro sobre a arena nova.

O vice-presidente do Corinthians - ele mantém o cargo, embora esteja efetivamente afastado da administração do presidente Mário Gobbi - recordou as negociações travadas com o prefeito Gilberto Kassab entre 2008 e 2010. Elas não deram certo, e a equipe alvinegra rumou na direção de sua ZL, palco da abertura da próxima Copa do Mundo.

Luís Paulo Rosenberg, diretor de marketing do Corinthians
Bruno Winckler
Luís Paulo Rosenberg, diretor de marketing do Corinthians

"Era tão óbvio que o Pacaembu tinha que ser nosso. Fizemos de tudo. Infelizmente, não tivemos a compreensão do prefeito. Pensei: ‘Após dois anos de batalha, não temos nada’. E o Andrés (Sanchez, então presidente do clube) avisou: ‘Está chegando o centenário, não podemos chegar à festa sem isso resolvido’", contou Rosenberg.

Foi na celebração dos cem anos do clube do Parque São Jorge, em 1º de setembro de 2010, que foi anunciada a construção do estádio em Itaquera. Sem a opção do Pacaembu, foi vencida a alergia de Luis Paulo Rosenberg. E a de mais gente, como o corintiano Geraldo Villin, diretor da Odebrecht, construtora da arena da abertura do Mundial.

"Eu disse que o torcedor não iria a Itaquera, Andrés. Você disse: ‘Prova’. A gente fez um estudo, e eu não consegui provar", lembrou Villin, que viu recentes fotos aéreas de Itaquera e se empolgou com as mudanças na região. "Está do c... Eu estava errado, você estava certo. Muito obrigado por me deixar fazer parte disto aqui."

O estudo referido foi uma pesquisa de um instituto inglês encomendada pelo clube. Os resultados apontaram que um estádio em Itaquera, região pobre da tão corintiana zona leste, atrairia muitos torcedores e não afastaria o público endinheirado de que tanto faz questão a diretoria.

Aí, foi partir para o segundo casamento, ainda que moldando a nova mulher à imagem da antiga. "O estádio é tão parecido com o Pacaembu quanto dá para ser, 70 anos mais jovem", sorriu Luis Paulo Rosenberg.

Andrés pede a "pobres de Higienópolis" que paguem manutenção do Pacaembu

Satisfeito com o estádio construído pelo Corinthians em Itaquera, Andrés Sanchez recordou que a primeira opção do clube era assumir o controle do Pacaembu, sua casa alugada de tantos anos. Não deu certo, apesar das negociações com o então prefeito Gilberto Kassab, e tomou forma o projeto da arena da zona leste, que receberá a abertura da Copa do Mundo na próxima semana.

"O Pacaembu? Vai para a Associação Viva Pacaembu", disse o ex-presidente alvinegro, referindo-se ao grupo de moradores da região do estádio municipal, que se mostrou muito contrário à passagem do local ao clube do Parque São Jorge. "As velhinhas que cuidem. Os pobres que moram em Higienópolis que paguem a manutenção", esbravejou.

A sustentabilidade da arena é realmente problemática sem o Corinthians. A conta provavelmente será fechada enquanto o Palmeiras estiver jogando por lá, mas a reerguida casa alviverde também está ficando pronta. Sem os dois inquilinos, a prefeitura terá de arrumar um jeito de pagar os cerca de R$ 5 milhões anuais necessários para a manutenção.

Longe de lá, o time alvinegro tentará construir a sua história em Itaquera. O começo foi ruim dentro de campo, com derrota para o Figueirense e empate com o Botafogo, mas o responsável pela construção já está satisfeito com as mudanças da região. Se a associação de moradores do Pacaembu deu adeus sem remorso à equipe, Itaquera a recebeu de braços abertos.

"A gente poderia fazer onde quisesse o estádio, porque o corintiano iria ver o jogo em qualquer lugar. Mas quem vê a foto por cima vê a transformação da área, que ainda é pequena perto do que virá. É o maior legado que o Corinthians está dando para a zona leste. O que a zona leste deu em cem anos ao Corinthians nós vamos devolver eternamente", assegurou Andrés.

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