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Enquanto o morador do entorno do Itaquerão aguarda as melhorias prometidas para a região, torcedor teme que luxo e conforto da nova casa do Corinthians inflacione o ingresso

O torcedor do Corinthians está orgulhoso por finalmente ter um estádio próprio. A zona leste de São Paulo, onde fica a arena que também sediará a abertura da Copa do Mundo , comemora a presença de turistas de todos os cantos do planeta. Mas a alegria não impede o corintiano e o morador de Itaquera, por vezes a mesma pessoa, de cobrar aquilo que julgam de direito no próprio estádio e, principalmente, no entorno.

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Feliz por um lado, o corintiano Alberto Gomes custa a acreditar que enfim poderá torcer pelo clube de coração em seu próprio estádio, um presente há tanto prometido e só agora cumprido . Por outro lado, 'Favella", apelido do líder comunitário, incomoda-se, a menos de um mês da abertura do Mundial, com o fato de as promessas feitas à região não terem se concretizado.

Relembre, em fotos, o jogo entre ídolos do Corinthians na arena:

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"Como torcedor corintiano, fico muito feliz de o estádio estar aqui. Mas, como cidadão, morador de Itaquera, ainda não vi a contrapartida. Quando passar a Copa, espero que apareça alguma coisa. Estou feliz de o Corinthians ter a sua casa, mas, como teve dinheiro público em uma área pública, tem que investir em educação e segurança", cobra Alberto.

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A região de Itaquera de fato não viu o progresso prometido. Mesmo as obras viárias, que já começaram, não serão concluídas para a Copa do Mundo. Um passeio despretensioso pelo entorno do estádio deixa claro que de 12 de junho, dia de Brasil x Croácia, é um prazo apertado demais, praticamente impossível de cumprir.

se os moradores de Itaquera cobram os governantes, os torcedores de arquibancada do Corinthians cobram os cartolas do clube. Afinal, temem perder espaço nas arquibancadas devido ao alto preço dos ingressos. Na inauguração oficial, o jogo deste domingo entre Corinthians e Figueirense, às 16h, os valores assustaram: entre R$ 50 e R$ 400, com pequeno desconto para o sócio-torcedor, que pagou R$ 35.

Mesmo não estando 100%, estádio do Corinthians vai receber primeiro jogo oficial neste domingo
RENATO SILVESTRE/Gazeta Press
Mesmo não estando 100%, estádio do Corinthians vai receber primeiro jogo oficial neste domingo

"O nosso lazer é ir ao estádio de futebol. A gente não conhece teatro, cinema, parque... A gente é de Diadema. Então, são R$ 50 do ingresso, mais os R$ 15 da passagem. Fora o lanche, entendeu? Como tem jogo de quarta e domingo, isso quebra! Nossa preocupação maior é que podem tirar o torcedor do campo e botar os telespectadores", diz Rogério Maldonado, o Bambu, presidente da Estopim da Fiel.

O temor é compartilhado pelas demais organizadas do Corinthians, incomodadas com os parâmetros estabelecidos em um estádio com padrão Fifa. Depois de comemorar a vitória sobre o Atlético-PR na reinauguração da Arena da Baixada, em amistoso na última quarta-feira, a torcida Pavilhão Nove publicou fotos do triunfo com a seguinte legenda: "Padrão Fifa é o c...! Respeita a favela!".

Conforto, luxo e ingressos caros

O padrão é elevado no estádio de Itaquera, ainda que as obras estejam em andamento e o bairro esteja longe de ser nobre. Quem já esteve no local observou, por exemplo, banheiros antes inimagináveis em jogos do time do Parque São Jorge. Um conforto muitas vezes caro demais.

"Vão começar a idolatrar o estádio: ‘Olha que lindo!’. E é verdade. Eu estive no Maracanã, em Brasília, na Arena da Baixada, onde mais? Nenhuma dessas arenas se compara com a Arena Corinthians. É impressionante a comparação. Na Arena do Grêmio, é cimento liso pintado. Aqui, é mármore! Está bem faraônico", analisa Bambu, numa mescla de satisfação e temor. "Tudo bem, a torcida do Corinthians merece todo o luxo. Mas a gente teme que o preço afaste o banguela, o descabelado, o que usa a camisa do camelô...".

*com Gazeta

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