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Ex-lateral não descarta participar de processo eleitoral do Santos no fim do ano e diz que sente vergonha em fazer uma possível partida de despedida do clube

Léo se sentiu incomodado com a maneira em que saiu do Santos. Ele o maior vencedor de título na era pós-Pelé
Gazeta Press
Léo se sentiu incomodado com a maneira em que saiu do Santos. Ele o maior vencedor de título na era pós-Pelé

Há mais de 20 dias desde que decidiu encerrar a carreira, o ex-lateral-esquerdo Léo refuta uma possível partida de despedida pelo Santos . Ainda muito abatido pela forma em que deixou o clube, o maior campeão na era pós-Pelé fala em estudar e se envolver na política do time da Vila Belmiro. Em entrevista exclusiva ao iG Esporte , o agora aposentado abre o jogo e revela rusgas com aliados de Odílio Rodrigues, presidente em exercício do Santos, além de ter recebido convite da oposição.

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Um dia depois de conversar com a reportagem, Léo participou de um encontro com líderes da Terceira Via Santista, grupo político opositor. Realizada na sede do grupo em Santos, o ex-atleta ouviu as propostas e ideais da associação, que deve lançar chapa nas eleições que ocorrerão em dezembro. Nos bastidores, uma grande parcela de conselheiros e associados acredita que Léo participará do processo. 

Reconhecido pela autenticidade e por não ter travas na língua, Léo agora prefere medir as palavras antes de responder qualquer pergunta e tomar cuidado para não criar nenhuma polêmica. A nova postura é a maneira de que ele encontrou para evitar críticas e arrependimentos futuros. Confira abaixo o bate-papo na íntegra:

Você ficou chateado com a decisão da diretoria do Santos em renovar o seu contrato?

Eu não fiquei chateado não. Eu já esperava que isso iria acontecer, eu só esperava que fosse diferente do que foi. Mas chateado não. Eu tenho de agradecer muito o Dr. Odílio (Rodrigues, presidente em exercício) por ter me dado a oportunidade de pelo menos no Paulistão tentar voltar a campo. Eu tive uma lesão na coxa e, por esse motivo, não foi possível (o retorno).

O Odílio Rodrigues informou ao iG no dia 14 de abril de que não renovaria o contrato ( veja aqui ). Apesar dessa declaração, ele marcou uma reunião contigo. Como você viu esse tipo de postura, uma vez que a decisão já estava tomada?

A diretoria do Santos tem uma filosofia de trabalho e a gente tem de respeitar. Mas ele (Odílio) já sabia que isso iria acontecer. Chamaram-me para a reunião, mas já estava tudo definido. Eu não fui pego de surpresa em nenhum momento. O que eu questiono é que não precisava agir deste jeito.

E o que falaram durante a reunião?

Falaram que meu contrato não seria renovado por critérios técnicos. E assim que eles terminaram de falar isso, eu não deixei falar mais nada. Levantei-me da mesa e sai da sala. Não tem o que falar. Eu vou falar o que?

Qual era a postura que você esperava do Santos em relação a isso?

Eu esperava um encerramento de carreira. Aqui se fala muito em projeção de carreira e não fala em projeção de encerramento? Eu achei estranho, mas está tranquilo. Não guardo mágoas de ninguém.

Como ídolo do Santos e maior campeão na era pós-Pelé, você considera que a diretoria não deu valor a sua dedicação pelo clube?

Isso não, eles não deram. É como eu falei, poderia ter sido feito um projeto para encerrar a minha carreira. Mas é assim. As coisas não transcorrem do jeito que a gente pensa. É bola para frente. O amor pelo clube fica e eu vou estar sempre torcendo pelo Santos, pelo sucesso. Eu deixei muitos amigos pelo clube e isso é importante, é o que rege a minha vida.

É por isso que não quer fazer nenhuma partida de despedida?

Sei lá. Do jeito que as coisas foram passadas para mim, dá até vergonha. Por incrível que parece, eu fico sem jeito de fazer isso. O que eu guardo do clube é carinho, amor, dedicação e respeito por tudo aquilo que o Santos me proporcionou. Eu não tenho de tecer críticas a ninguém. Pela torcida, eu faço tudo porque sempre esteve comigo, mas é difícil pensar nisso porque é tudo muito recente.

Léo criticou pessoas que compõe o Comitê de Gestão e não descarta fazer parte da política do clube
Divulgação
Léo criticou pessoas que compõe o Comitê de Gestão e não descarta fazer parte da política do clube

Você já disse que pensa em ser presidente do Santos futuramente. Com a sua aposentadoria e as eleições para acontecerem em dezembro, você acha que é um cenário favorável?

Agora eu vou viver isso (política do clube). Mas é muito cedo ainda eu dizer alguma coisa. Eu vou analisar, é lógico, porque todos os clubes passam por eleições. Porém, ainda não tenho nada na minha cabeça. Eu vou analisar quem se preocupa com o clube, com que acontece lá dentro, e isso não vai sair de mim.

Mas já recebeu o contato de grupos políticos?

Recebi vários convites, mas não tomei partido de nada ainda. É lógico que a gente recebe, isso é normal, ainda mais eu que vivi tudo dentro do clube.

Além da questão política, você falou logo após a aposentadoria que gostaria de estudar. Continua com esse pensamento?

Lógico. Eu já dei a minha contribuição dentro de campo e agora eu vou estudar, me preparar. Eu vou fazer um curso de Gestão e Marketing, da Trevisan (Escola de Negócios), já na semana que vem, pois não quero mais perder tempo. É o que eu quero para a minha vida. Quero me profissionalizar, porque hoje dentro do Santos eu não sou nada.

Em algumas de suas entrevistas, você promete revelações após a Copa do Mundo. O que está articulando?

(risos). Eu não estou articulando nada...É coisa minha. Deixa as coisas acontecerem e vamos deixar a poeira abaixar. Agora é hora de apoiar o time, porque precisa voltar a vencer. E eu, como torcedor, é o que eu mais desejo.

Você esperava renovar o contrato até o fim do Brasileiro então?

Eu não digo até o fim do Brasileiro, mas de repente eu poderia fazer dois jogos e encerrar a minha carreira, não sendo necessariamente até o fim do ano. Mas a gente tem de respeitar, porque isso que aconteceu agora poderia ter acontecido no fim do ano passado, quando me machuquei. Eu não posso esquecer o que o Dr. Odílio fez de bom, pois aí eu estaria cuspindo no prato que comi. E eu não sou assim, eu sou muito sincero. Outros atletas estaria metendo o pau, mas não é o meu caso. De repente, aconteceu isso para que eu possa ajudar o clube fora das quatro linhas. Quem sabe? Eu não sei o propósito de Deus. Agora as pessoas que estão em volta do Dr. Odílio, eu não vou nem comentar. Não adianta nem me perguntar.

E eu ia perguntar isso agora...

É então, o entorno dele (Odílio) você nem me pergunta, porque não tem o que falar. Eu não vou tecer nenhum tipo de comentário. Estou fora. Ele votou contra a minha permanência, mas foi também uma decisão unânime. E eu vou falar o que? Não tem o que questionar. É um direito dele (votar contra), assim como ele votou a favor para que eu ficasse no ano passado. Agora o entorno dele, pelo amor de Deus...

Você tem uma boa relação com as organizadas do Santos. Acha que isso de alguma forma fez com que algumas pessoas lhe olhassem de uma maneira torta?

Exatamente. Deveria ser diferente, né? Eu já corri de organizada, eu já levei pancada na cabeça correndo no CT, só que é muito tempo de casa, conhecendo essas pessoas. Eu conheci líderes de organizadas quando eram moleques e hoje eles são criados. Na alegria e na tristeza, eu sempre estive ali para dialogar com eles. Já fui xingado, agredido, mas por tanto tempo de casa, quando a coisa ficava ruim, eu sempre estava ali. Em Barcelona eu acho que vocês viram né? Quem foi lá? Fui eu quem foi. Mas nem todo mundo vê com esses olhos, entendeu?

Léo você é conhecido por frases marcantes, como “contra tudo e contra todos” e “vamos ver se é tudo isso” referindo-se ao Barcelona. Arrepende-se de alguma delas?

Eu sempre fui muita emoção. Não sei se é arrependimento, mas é questão de pregar uma coisa na hora errada. A vida é assim. Isso graças a Deus passou e agora é uma vida nova. É momento de ser mais maduro, aprender com os erros e procurar fazer o melhor na área com que pretendo trabalhar.

É o novo Léo também?

Vocês já estão percebendo, não é? É um Léo muito mais equilibrado, menos emoção e tem de ser dessa forma.

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