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Cerca de 20 mil torcedores entraram na Arena Corinthians pela primeira vez neste sábado e reverenciaram seus ídolos. De pênalti, Rivellino marcou o primeiro gol do novo estádio

Roberto Rivellino teve o seu dia de glória quatro décadas após ser apontado como vilão na derrota do Corinthians para o Palmeiras na final do Campeonato Paulista de 1974. Foi dele o pontapé inicial e o primeiro gol do jogo de abertura do estádio do clube em Itaquera, na Zona Leste de São Paulo, na manhã deste sábado.

Vestido com uma camisa branca e o número 77 às costas (uma irônica referência ao título que ele queria ter conquistado), Rivellino se dirigiu ao centro do campo para iniciar o primeiro dos seis amistosos entre ex-corintianos na arena. Ele integrou o mesmo time de ídolos como o ex-goleiro Ronaldo e de jogadores contestados como o ex-lateral Iran.

Os cerca de 20 mil torcedores presentes fizeram festa para as equipes escaladas. E até para quem não podia participar da inauguração. "É Sócrates!", gritou o público antes de a bola rolar, em homenagem ao ídolo falecido no dia da conquista do Campeonato Brasileiro de 2011.

Foi um antigo desafeto de Sócrates, no entanto, quem fez questão de roubar a cena no início da partida. O ex-goleiro Emerson Leão, contrário à Democracia Corintiana, gesticulou com a arbitragem, orientou os seus companheiros e não demorou a deixar o campo. Pediu a bola, chutou para a torcida e saiu brevemente aplaudido.

No fim da primeira partida do dia, surgiu a chance do primeiro gol. A arbitragem marcou pênalti para a equipe que vestia a camisa 90, e Ronaldo reclamou como nos velhos tempos. A torcida pediu para Vampeta cobrar - e ele até chegou a admirar a bola na marca da cal. Quem bateu, porém, foi o adversário Rivellino, deslocando o goleiro e fazendo história.


Como nos velhos tempos

Outro ídolo a sentir o gostinho de fazer um gol no novo estádio do Corinthians foi Marcelinho Carioca. Ao seu estilo, bateu falta que quicou no chão antes de chegar ao goleiro Yamada, que não conseguiu fazer a defesa.

Bastante festejado, Marcelinho comemorou girando os braços, sua marca registrada na carreira.

Outro que mostrou boa forma no duelo entre ex-jogadores foi Edilson. Ele até repetiu duas vezes o polêmico gesto que marcou a sua carreira - fez embaixadinhas, equilibrando a bola na nuca, assim como na final do Campeonato Paulista de 1999. "Foi muito legal. Refiz tudo aquilo que deu muita felicidade à torcida do Corinthians, agora no estádio do clube", comentou Edílson, enquanto era cercado por uma multidão de fãs. De fato, a torcida vibrou bastante com a iniciativa do ex-jogador corintiano, que também passou pelo Palmeiras, a vítima das embaixadinhas de 1999. 

Primeiro protesto

O ambiente festivo da manhã deste sábado não impediu as torcidas organizadas do Corinthians de protestarem contra o presidente Mário Gobbi na inauguração da arena. O dirigente foi hostilizado diversas vezes durante a cerimônia de abertura.

"Mário Gobbi, c..., fora do Timão!", gritaram os torcedores, assim que o mandatário foi chamado ao centro do campo. Depois, um recado ecoou das arquibancadas do luxuoso estádio que sediará o primeiro jogo da Copa do Mundo: "Ão, ão, ão! Corinthians é povão!".

Responsável por gerenciar a construção do estádio, Andrés Sanchez havia entrado em cena pouco antes e tido uma recepção completamente diferente. O antecessor de Gobbi, que já não se mostra mais tão próximo do colega, foi aplaudido e discursou com entusiasmo para o público presente.

Foi Sanchez também quem interrompeu o coro contra Gobbi. "Nação, nação! Espera aí! Olha aqui!", pediu. "A gente lutou mais de 100 anos para conseguir essa p... maravilhosa!", bradou, para delírio dos torcedores, que já tietavam também os mais de 100 ex-jogadores que participavam da festa no gramado.

Sanchez ainda se emocionou com uma homenagem chorosa de sua filha. Quando a palavra retornou para Gobbi, contudo, um novo grito surgiu: "Gobbi, vai se f...! O Coringão não precisa de você!".

Em seu discurso, virado para o lado do estádio onde não estavam as organizadas, o presidente resignou-se: "É um estádio democrático. Cada um se manifesta como quer. Parabéns, Corinthians. A casa é de vocês. A casa é nossa. Que aqui seja um local de grandes vitórias para o Corinthians". Ao final do pronunciamento, parte da torcida aplaudiu.

Sanchez, que deu um abraço apertado em Mário Gobbi, não foi o único ex-presidente lembrado no dia festivo. Muito emocionada, Marlene Matheus, a viúva do folclórico Vicente Matheus, também apareceu com destaque.


* Com Gazeta Esportiva.

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