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Goleiro do Corinthians nunca sofreu gol do ídolo rival, e espera manter a escrita no clássico deste domingo

Cássio não era torcedor do Corinthians enquanto crescia no Rio Grande do Sul, sonhando ser um jogador de futebol. Isso mudou em algum momento de 2012, entre a histórica defesa no chute de Diego Souza na campanha que rendeu ao clube o título da Copa Libertadores e o choque com a presença da maciça da Fiel no Japão, meses mais tarde.

Cássio, goleiro do Corinthians
Daniel Augusto Jr./Agência Corinthians
Cássio, goleiro do Corinthians


"Não tem como não ser corintiano", resume o goleiro de 27 anos, dois e meio deles em preto e branco. Parece mais, mas é pouco para o gaúcho de Veranópolis. Ter a mão beijada por gratos torcedores ao circular por São Paulo não lhe é suficiente, e ele espera ampliar essa idolatria com novos títulos, prêmios individuais e números históricos na agremiação do Parque São Jorge.

Nem os 601 jogos do maior arqueiro da história alvinegra, com quem já compete no tamanho do queixo e no gosto pelo rock, estão além do horizonte de Cássio. Para ficar por muito tempo e se colocar ao lado de gente como Ronaldo, o camisa 12, preocupado com o tratamento recebido por alguns dos campeões mundiais, só pede lealdade semelhante do clube.

No domingo, em Barueri, contra o São Paulo, o gaúcho dará mais um passo nessa trajetória, completando sua 106ª partida no Corinthians. Se tudo correr como espera, ele não será batido por Rogério Ceni - que marcou, em um Majestoso na mesma Arena Barueri, em 2011, uma época em que Cássio ainda não era corintiano, o centésimo gol em suas contas.

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Ele nunca sofreu gol do são-paulino. "E espero que continue assim. (risos)", complementou Cássio, que fez Ceni uma de suas defesas favoritas, aquela na qual pegou pênalti e manteve o placar zerado no finalzinho de um dos clássicos do último Campeonato Brasileiro. Um momento que ele considera marcante na carreira. "Com certeza, até pelo histórico. Antigamente, era o Palmeiras que o pessoal sempre apontava como o grande rival, mas, hoje, até pelo tanto de jogos que a gente teve contra o São Paulo recentemente - teve semifinal de Paulista, Recopa... -, acabou se tornando uma rivalidade maior. É um jogo que vai, sim, ficar marcado."

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Cássio discorda que evitar o gol de um jogador da mesma posição tenha um significado diferente para o goleiro. "Olha, cara, eu, particularmente, não tenho isso, até porque o respeito como profissional. Não conheço o Rogério pessoalmente, mas ele construiu uma grande carreira, é um grande profissional. Mas espero que não aconteça nesse jogo nem nos próximos antes de ele encerrar a carreira dele. De qualquer maneira, não dá para ficar pensando só nisso, porque o São Paulo é um time perigoso."

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Sobre a consolidação como um dos ídolos recentes  do Corinthians, Cássio se mostra orgulhoso com o reconhecimento da torcida. "É difícil falar que imaginava. Não imaginava. Foi tudo muito rápido, logo no começo. Mas não adiantava fazer aquela defesa do Diego Souza e ganhar alguns títulos, que ajudaram bastante, se eu não conseguisse manter um bom nível. No ano passado, mesmo tendo conseguido dois títulos, eu sofri com lesões, isso atrapalhou meus planos. Neste ano, consegui voltar bem. Espero manter uma regularidade boa para fazer um grande ano e ganhar o maior número possível de títulos no Corinthians."

De volta à boa fase

Cássio postou foto após cirurgia, em janeiro
Reprodução/Instagram
Cássio postou foto após cirurgia, em janeiro

Ao histórico 2012 de Cássio, seguiu-se uma temporada difícil, repleta de problemas físicos. O goleiro do Corinthians começou o ano tratando o ombro esquerdo antes de machucar a coxa esquerda, o quadril, o punho esquerdo e a coxa direita. A última lesão foi a mais grave, e, quando ele se preparava para 2014, quebrou o dedinho da mão esquerda.

Agora, ele parece finalmente saudável, o que explica sua boa forma. "Estou bem, graças a Deus. Tudo tranquilo, tudo em ordem. Espero que continue o ano inteiro assim", afirmou o goleiro, apontando seu momento técnico atual como o melhor desde a excepcional atuação na conquista do Mundial, em 16 de dezembro de 2012.

"Acho que sim. Consegui ter uma sequência de jogos. No ano passado, eu me lesionava e, com o calendário apertado, não conseguia me preparar bem fisicamente. Isso me atrapalhou por eu ser um goleiro alto. Neste ano, estou conseguindo me preparar bem e mostrar meu potencial", comentou.

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A estatura de Cássio (1,95 m) e a largura de seus ossos obrigam que ele esteja bem treinado para apresentar a agilidade que frustrou Diego Souza e Fernando Torres há quase dois anos. É em grande parte graças a essa agilidade, de acordo com o técnico Mano Menezes, que o Corinthians está há sete partidas sem levar um gol.

"É legal ser elogiado, mas este momento não se deve só a mim ou à linha defensiva. É o conjunto da obra que faz um time ser forte defensivamente. Se o ataque não faz a sua parte, fica difícil para o pessoal de trás, sobrecarrega. Acho que aconteceu isso no Paulista, a gente estava um pouco desorganizado. Conseguimos nos acertar e melhorar bastante", explicou.

A última partida em que o camisa 12 teve a rede balançada foi justamente a derrota por 3 a 2 para o São Paulo, o adversário de domingo na Arena Barueri. Do mau resultado de 9 de março para cá, no entanto, a defesa alvinegra passou a exibir uma consistência que lembrou seus bons momentos sob comando de Tite.

"Tomar três gols não é uma coisa normal de acontecer, e a gente acabou tomando. Hoje, com certeza, evoluímos defensivamente em relação àquela época. Estávamos precisando de vitórias para correr atrás de uma classificação no Paulista, sem tempo para treinar. Agora, estamos em uma situação completamente diferente, na liderança do Brasileiro. Enfrentá-los de novo vai ser um bom teste", apostou Cássio.

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