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Mauro Silva, campeão em 1994, cita NBA como exemplo e Coutinho, ex-Santos, disse que também comeria banana

Mauro Silva foi vítima de racismo na Espanha e não generaliza que todos sejam racistas por lá
Djalma Vassão/Gazeta Press
Mauro Silva foi vítima de racismo na Espanha e não generaliza que todos sejam racistas por lá

Jogadores do passado da seleção brasileira manifestaram apoio a Daniel Alves depois do caso de racismo de que ele foi vítima no último fim de semana em partida do Barcelona contra o Villarreal. 

Mauro Silva, campeão do mundo com a seleção brasileira em 1994, e por 13 anos jogador do Deportivo La Coruña, na Espanha, disse que sofreu um ato racista logo no seu primeiro ano no país, em partida contra o Tenerife. Ainda assim, por conta dos anos vividos no país europeu, reprova a generalização que tomou conta de alguns debates no Brasil. Ele diz que a maioria dos espanhóis não são racistas e que a minoria que é, se punida, vai tornar esse grupo ainda menor. 

"O que motiva todo esse comportamento de racismo é a impunidade. A violência nos estádios, nas ruas, o preconceito, tudo isso é fruto da impunidade. A punição rigorosa é que vai inibir outras pessoas a se portar assim", disse o camisa 5 da campanha do quarto título mundial do Brasil. Ele lembra da punição recebida pelo torcedor do Villarreal, banido do clube para toda a vida, e de Donald Sterling, ex-dono do do Los Angeles Clippers, expulso da liga da NBA para sempre.

"Muitas vezes as respostas ficam nas palavras. Se fala muito e se faz pouco. As ações são importantes. As autoridades políticas e esportivas precisam ter uma posição como a que aconteceu na NBA. Uma resposta imediata e contundente, rigorosa e severa", disse o ex-volante de 46 anos, que hoje tem uma empresa de consultoria em marketing esportivo.

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Segundo ele, no debate do racismo, o maior risco é a generalização, o rótulo de todo um país como racista. "Eu não gosto quando se generaliza, quando dizem que na Espanha todos são racistas. Esse é o comportamento de determinadas pessoas em vários países. Acontece no Brasil, na Espanha, nos Estados Unidos e em outros lugares também. A gente nunca pode tachar, rotular uma sociedade dessa forma. É uma minoria. Me preocupa quando o debate é polarizado", disse.

Coutinho diz que sempre ignorou atos racistas
Caue Diniz/Divulgação
Coutinho diz que sempre ignorou atos racistas

Coutinho ignora atos racistas
Parceiro de Pelé na época de ouro do Santos e jogador da seleção brasileira entre 1960 e 1965, Coutinho tem uma reação bem menos ponderada ao racismo do que Mauro Silva. Para ele, o racismo no esporte deve ser combatido com ironia ou até mesmo ignorado.

"Eu não dou a mínima para quem não gosta de negros, para quem fala isso ou faz aquilo. Eu ignoro, sempre ignorei. Quando jogava falavam um monte pra mim e eu não dava bola. Nunca dei. Eu faço o meu, vivo minha vida e se falam algo comigo, deixo falando sozinho. Se jogassem uma banana em mim eu comeria. Na verdade tudo isso é uma grande bobagem", disse Coutinho, de 70 anos.

Romário, campeão com Mauro Silva em 1994, e deputado federal desde 2011 pelo PSB-RJ, acredita que as manifestações racistas na Espanha, onde defendeu o Barcelona, são mais contra o brasileiro, sob o ponto de vista esportivo e da rivalidade, do que um preconceito racial. "Se você reparar, muitas dessas histórias de racismo têm acontecido com jogadores da seleção brasileira, na Europa. É que o Brasil é o time a ser batido. Pode haver alguma manipulação aí", disse Romário ao jornal "Folha de S. Paulo".  "Mas racismo é coisa do passado, não era para estar acontecendo. Punições fortes são necessárias", completou.

Sobre a campanha impulsionada por Neymar, com o slogan "Somos todos macacos", Romário disse que não está de acordo. "Macaco é macaco e gente é gente. Eu não bateria uma foto com banana para dizer que sou macaco. Agora, cada um é um. Infelizmente a hipocrisia e o oportunismo correm soltos no nosso país", comentou. Luciano Huck, apresentador da TV Globo, lançou camiseta ao preço de R$ 70 com a frase da campanha. 

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